Sabrina Noivas 36 - Three Grooms And a Wedding

COM QUAL DOS NOIVOS ELA DEVERIA SE CASAR?
Ao conhecer o sexy e misterioso Brad Remington, a famosa estrela de Hollywood Diana Fieding percebeu que no amava o noivo e que cometeria 1 terrvel engano se se casasse com ele. Cada vez que encontrava Brad, sentia o corao bater descompassadamente. Seus beijos aturdiam, seus olhos prometiam uma paixo que ela no conhecia. E Brad deixou bem claro que a queria. Ento, um fenmeno estranho comeou a acontecer: um outro homem aparecia em seus sonhos, conquistando-a, seduzindo-a... Quem seria ele? O que o destino estava preparando a Diana?

Digitalizao e Correo: Nina
 
Gnero: Romance contemprneo.  Estado da Obra: Corrigida
Dados da Edio: Editora Nova Cultural 1996
Publio original: 1995

JoAnn Ross - Srie Bachelor Arms
Ordem	Ttulo	Ebook	Data
1	Never a Bride

	May-1995

2	For Richer or Poorer

	Jun-1995

3	Three Grooms and a Wedding	Sabrina Noivas 36 - 
3 Homens, Um Amor	Jul-1995


   





Srie Multiautor Bachelor Arms

Autor	Ttulo	Ebooks	Date
Kate Hoffmann	Bachelor Husband
	Feb-1995

Kate Hoffmann	The Strong, Silent Type
	Mar-1995

Kate Hoffmann	A Happily Unmarried Man
	Apr-1995

JoAnn Ross	Never a Bride
	May-1995
JoAnn Ross	For Richer or Poorer
	Jun-1995

JoAnn Ross	Three Grooms and a Wedding
Sabrina Noivas 36 - 3 Homens, Um Amor	Jul-1995

Candace Schuler	Lovers and Strangers
	Aug-1995

Candace Schuler	Seduced and Betrayed
	Sep-1995

Candace Schuler	Passion and Scandal
	Oct-1995

Judith Arnold	The Lady in the Mirror
	Nov-1995

Judith Arnold	Timeless Love
	Dec-1995






















PRLOGO

Passava da meia-noite. Um novo dia. Um novo ano. A lua, com seu branco fantasmagrico, espalhava um brilho prateado sobre a Cidade dos Anjos.
A hora da celebrao tinha passado. Os sons de Adeus Ano Velho tinham dado lugar ao sussurrar suave da brisa no topo das palmeiras. Los Angeles dormia, inconsciente que um dos mais abominveis assassinatos de Hollywood estava para acontecer.
Alexandra Romanov Reardon andava de um lado para o outro sobre o cho de mrmore de sua manso estilo espanhol, a ansiedade dominando todos os seus poros. Uma mulher apaixonada por natureza que, a cada passo, mudava seu humor de fria para desespero, de desespero para ansiedade e depois de volta para fria.
Onde ele estava? Como ele ousava t-la humilhado na frente de todo mundo! Ele no sabia quem ela era?
Sabia. Ele sabia. Claro que sabia.
E isso era o problema, Alexandra pensou.
Ouviu o som de um carro l fora na rua silenciosa. Pensando, rezando para que fosse ele, ela abriu a porta da frente e correu para o passeio, preparada para jogar os braos em volta do seu marido, suavizar as feies duras daquele rosto bonito com mil beijos e, se necessrio fosse, implorar por perdo.
Alexandra nunca tinha implorado a nenhum homem.
Com Patrick implorar ia ser inevitvel. Exatamente como o casamento deles fora inevitvel.
Ela se apaixonara perdidamente pelo obstinado escritor, no momento em que o vira, atravs da sala lotada na festa de Natal dos Estdios Xanadu.
Menos de vinte minutos depois de encontr-lo estavam fazendo amor no banco de trs de um Rolls-Royce branco conversvel.
Uma semana mais tarde, no dia de ano-novo, a glamourosa deusa do sexo dos Estdios Xanadu se tornava a sra. Patrick Reardon.
O especialistas de Hollywood tinham dado um ms de durao para o casamento. Contrariando todas as expectativas, Alexandra e Patrick provaram o contrrio. Hoje era o primeiro aniversrio do casamento deles, e apesar de estarem sempre enfrentando alguns problemas - tudo bem, Alexandra admitiu relutantemente, muitos problemas - recusava-se a acreditar que no conseguiriam resolv-los.
Mesmo seu sangue russo no deixando que acreditasse em destino, Alexandra soube, naquele impressionante momento de reconhecimento mtuo, que ela e Patrick estavam destinados a viver juntos. Para todo o sempre. Eram almas gmeas, o amor deles to forte, to eterno, que nada ou ningum poderia separ-los.
 Ento, onde ele est?  Alexandra agonizava, enquanto o estranho carro desaparecia na esquina.
Estava esfriando. Mal coberta pelo curto e justo vestido de seda branco que usara na festa daquela noite, ela comeou a tremer. Voltando para dentro de casa, Alexandra foi at a sala de vestir anexa  sute principal e tirou um nglig marfim de uma gaveta. Tinha comprado aquela pea extravagante especialmente para aquela noite. E como no tinha dvidas de que seu marido voltaria para casa assim que seu temperamento esfriasse, queria estar pronta para o apaixonado ato de amor que sempre seguia suas discusses.
Despiu-se do seu vestido de festa, deixando-o no cho. Em p, na frente de um espelho, como fazia religiosamente todas as manhs e todas a noites, Alexandra estudou seu corpo nu com olhos crticos.
Sabendo que sua popularidade entre os frequentadores de cinema era baseada mais em sua aparncia do que em seu talento nato para representar, ela fazia ginstica, mantinha uma dieta alimentar rgida e evitava o sol escaldante da Califrnia com tanto empenho que seus amigos riam dizendo que ela parecia um vampiro.
 Walter no vai gostar nada disto  ela disse com um suspiro resignado. Aquela seria a notcia da dcada. Franzindo a testa, ao imaginar a reao explosiva do executivo do Estdio quando' contasse a ele sua novidade, Alexandra virou para o lado e correu a palma da mo sobre as curvas voluptuosas de seu corpo, as mesmas curvas que tinham levado a cinemas e teatros de toda Amrica milhes de fs.
Prestando um pouco mais de ateno, dava para perceber que os seios estavam visivelmente mais cheios, os bicos mais escuros que o normal. O estmago ainda estava baixo. A cintura j tinha comeado a engrossar, ainda que imperceptivelmente para olhos menos crticos.
Em condies normais, aquela minscula imperfeio a teria feito correr para uma srie de ginstica localizada para corrigi-la. Mas saber que a mudana em seu corpo era o beb que estava se fazendo notar, mudava tudo.
Apesar de nunca ter achado isso possvel, estava ansiosa para ficar gorda e barriguda com o filho de Patrick.
Quantas mudanas ocorreram em um ano, ela pensou, um sorriso substituindo a expresso preocupada de at ento. Quanto ela, Alexandra, tinha mudado!
Quando encontrara Patrick, um ano atrs, era a mulher mais invejada do mundo. E a mais infeliz tambm.
Agora, apesar da odiosa discusso que tiveram aquela noite, Alexandra sentia-se a mulher mais feliz do mundo. No ia ser fcil, mas Patrick ia ter que aceitar seu passado pouco recomendvel.
Ele a amava com uma paixo to profunda que s vezes at amedrontava. Ele no seria capaz de ficar longe. Ia voltar para ela.
 Especialmente por sua causa  ela murmurou, passando a mo pela barriga, imaginando se seu filho j podia sentir seu toque.
Vestiu a camisola de seda. Sob ela, seu corpo perfumado brilhava como um alabastro.
Ainda no pareo uma futura me, pensou. Na verdade, parecia mais a mulher que recentemente tinha sido tema de discusses at no congresso, pela cena em que aparecera nua sob uma cachoeira em seu ltimo filme. A Sedutora era o ttulo, e constitua, segundo muitos, um perigo para a mente dos rapazes e uma afronta contra a decncia da Amrica.
Ouviu a porta da frente abrir.
Cada nervo de seu corpo palpitou em antecipao. Ajeitou o cabelo com as mos, passou a lngua pelos lbios e virou-se para cumprimentar o marido.
	Estou aqui dentro, Patrick.  Sua voz rouca no era repreendedora, mas sedutora.
Quando ele no respondeu, uma onda de medo a assaltou. No dia em que tinham mudado para aquela casa, o vizinho, um escritor contratado da United Artists, os alertara que aquela era uma casa mal assombrada, que tinha sido cenrio de mortes misteriosas.
Diziam que morar nela podia fazer com que seu maior desejo fosse realizado. Ou que seu maior medo realmente acontecesse.
Alexandra ficara preocupada, mas seu marido rira da histria, achando que aquela histria era fruto da imaginao melodramtica e deturpada do escritor.
	Patrick? - Daquela vez sua voz trazia apreenso. Sentiu as mos midas de suor.
Quando a porta do quarto de vestir abriu lentamente, Alexandra sentiu uma onda de alvio inund-la.
	Voc quase me matou de susto!  ela disse com uma risada trmula.
A manh estava brilhante e inapropriadamente cor de ouro. Na vspera da premire de seu mais recente filme, Ouro dos Tolos, baseado em um roteiro de Patrick, no dia que deveria ser seu primeiro aniversrio de casamento, Alexandra foi encontrada morta, em seu quarto de vestir da manso que dividia com seu marido.
A polcia declarou que a morte fora por estrangulamento.


CAPITULO I

D|iana Fielding acordou com o prprio grito. Estava banhada em suor frio. Lutando desespera-damente para respirar, sentia o sabor salgado das lgrimas escorrendo pelo rosto. O pesadelo tinha vindo quase ao amanhecer.
Deveria estar acostumada com eles, Diana pensou enquanto se livrava do emaranhado dos cobertores e lenis. Mas como podia se acostumar ao terror de todas as noites?
Com mo trmula conseguiu acender a luz da cabeceira da cama. Fechou os olhos e respirou fundo vrias vezes, para se acalmar. Eles no podiam mago-la. No de verdade. Eram s sonhos.
Ento por que tudo parecia to horrivelmente real?
Diana levantou-se e trocou a camisola molhada por outra seca.
Caminhou pelo quarto e acendeu todas as luzes, inclusive a do banheiro. Apesar do ar-condicionado ligado, sua pele parecia queimar.
Sentindo-se tola, mas incapaz de agir de outro modo, acendeu as luzes da sala de estar tambm.
Com o chal do hotel todo iluminado, sentou-se empertigada numa poltrona florida e esperou o dia amanhecer.
 O que est acontecendo, Diana, voc est com uma aparncia horrvel!  Cait comentou.
Sentadas no restaurante do Sunset Boulevard, onde Wood Allen filmou Annie Hall, as duas amigas, uma loira e a outra morena como uma cigana, chamavam ateno de todo mundo, dos homens em particular, que chegavam a diminuir os passos para admir-las.
	Oh, muito obrigada pela sinceridade.
	Esta cidade est cheia de falsos aduladores. O que voc precisa  de algum para te dizer a verdade.  A preocupao criava sombra nos olhos verdes e expressivos de Cait.  Voc ainda est tendo problemas com seu projeto Alexandra Romanov?
Para sua legio de fs, Diana Fielding era uma celebridade. Para Cait, apenas uma antiga amiga.
Tendo criado recentemente sua prpria companhia produtora, dividindo seus trabalhos com os Estdios Xanadu, Diana decidira que o primeiro filme que produziria seria sobre a trgica histria de amor entre Alexandra Romanov e Patrick Reardon.
A morte brutal da glamourosa e tempestuosa smbolo sexual dos anos 30, pelas mos do prprio marido, que fora depois executado pelo crime, tinha sido o escndalo da poca.
	No sei o que est acontecendo. Nada d certo  Diana respondeu.
	 essa a causa de suas olheiras?
Diana respirou fundo e distraidamente levou os dedos at as manchas escuras.
	Acho que o mundo est desabando sobre mim  admitiu.  Consegui finalmente um acordo sobre o seguro para a casa, mas o construtor nunca est por perto quando preciso dele.
	Ele deve estar superocupado  Cait sugeriu, enquanto colocava gelia de laranja em uma fatia de bolo.  O terremoto foi somente h trs semanas. Existe um monte de reconstruo por a para ser feita.
	Eu sei.  que estou ficando cansada de morar num hotel.
	Voc podia ir morar com Alan.
Alan Sturgess era o noivo de Diana. O terremoto que tinha condenado sua adorvel casa em Beverly Hills tinha tambm provocado mudanas nos seus planos de casamento com o famoso cirurgio plstico das estrelas de Hollywood.
	J falamos sobre isso  Diana admitiu.
Cait levantou as sobrancelhas e olhou para a amiga.
	Ouvi um "mas" nessa sua afirmao ou estou errada?
	No sei.
Seu acordo com Walter Stern dos Estdios Xanadu exigia que ela fizesse dois filmes  escolha dele para cada um que a sua companhia produzisse. Mas o estdio fora vendido para Connor Mackay, noivo de uma outra amiga sua, Lily Van Cortlandt. E, mesmo Connor tendo assegurado apoio ao projeto do seu primeiro filnie, Diana j no tinha mais certeza de nada.
Alm dessa incerteza, do problema com sua casa, Alan a estava pressionando para que marcassem uma nova data para o casamento. Mas alguma coisa a impedia.
	No  que eu no sinta carinho por Alan, eu...
	Carinho? Voc no acha que esse termo  muito pouco para quando voc se refere ao homem com quem pretende passar o resto de sua vida?
O sol da manh brilhava sobre as mesas. Parte para proteger-se do sol, parte para esconder-se da observadora Cait, Diana colocou culos escuros.
  complicado  ela murmurou, fingindo um sbito interesse pelo trfego da manh na avenida Sunset.
	O amor  sempre complicado  Cait disse com ar de uma mulher que recentemente experimentou um complicado caso de amor.  Mas, no fim, compensa o resto.
	Foi isso que Lily estava me dizendo ontem  noite  ela admitiu.
	lily deve ser uma expert no assunto agora  Cait falou.  Depois de se libertar daquele casamento horrvel, ela encontrou um homem que a adora, e que adora sua filhinha tambm.
	Connor adotou as duas.   imagem do multimilionrio trocando fraldas a fez sorrir.  Depois de tudo por que Lily passou, ela merece ser feliz.
	Tambm acho.  Cait levantou seu copo de suco de laranja, num brinde a amiga.  Connor no  o nico homem que admira Lily. Voc precisa ver o modo como Brad fala dela.
Brad Remington era o ex-scio de Cait e o detetive particular que Diana contratou para levantar informaes sobre a vida de Alexandra. E apesar de tentar negar para ela mesma, era tambm o homem responsvel pelos seus sentimentos ambguos em relao ao noivo.
Desde o primeiro momento em que se encontraram, Diana sentiu como se tivesse sido atingida por um raio.
	Brad acha Lily o mximo  Diana concordou, sabendo que a amiga estava curiosa sobre seu relacionamento com o detetive.  Por isso mesmo esto trabalhando juntos.
	Lily, uma detetive!  Cait riu.  Quem poderia imaginar?  Mas Cait no desistia facilmente do que queria. - Brad me disse que vocs esto indo para a Grcia juntos.
	Amanh de manh. Vamos tentar encontrar Natasha.
Natasha Kuryan tinha sido maquiadora de Alexandra, no Xanadu. H algum tempo sara para um cruzeiro pela Grcia e acabara se envolvendo com um autor grego e, apesar dos seus oitenta anos, resolvera viver aquela aventura amorosa. Os quatro anos na polcia de Los Angeles tinham ensinado Cait a ler muito bem o rosto das pessoas. Observando a tempestade de emoes que passava pelo rosto de Diana, suspeitou a causa do estranho comportamento de sua amiga.
	Voc est s apaixonando por ele, no est?
	Alan?  Diana perguntou, fingindo inocncia.

	No tente me fazer de boba, Diana. Esqueceu de minha profisso? Depois, conheo voc a vida toda. Estou falando de Brad.
	Brad seria um grande erro.
	Por qu?  Sendo amiga dos dois, Cait achava que for mavam o par ideal.
Diana suspirou. Como podia explicar que seus sentimentos em relao a Brad eram confusos e complexos? Como fazer Cait entender que seus sentimentos eram, ao mesmo tempo, familiares e estranhos?
	Estou comprometida  ela justificou, escolhendo as palavras com cuidado.
	Compromissos podem ser rompidos.  Principalmente o da amiga com aquele orgulhoso mdico cirurgio, Cait pensou.
	Seria um escndalo.
	Muito provvel.  Afinal Diana era uma estrela. O rompimento iria causar muito mais furor na imprensa do que quando Julia Roberts acabou com seu casamento de conto de fadas.
 Mas passa. Tudo passa.
Cait tinha experincia no assunto. Seus pais eram recordistas em Hollywood pelas trocas de pares. E por isso mesmo jurara no querer saber de homens em sua vida. At encontrar Sloan Wyndham, um teimoso, independente e extremamente talentoso roteirista, que se recusava a aceitar um no como resposta.
	Mas at a imprensa achar outra vtima, posso arruinar as chances de Alan de se tornar cirurgio-chefe.
	No acredito no que estou ouvindo! Voc est dizendo que vai se casar com um homem que no ama s para no correr o risco de atrapalh-lo em sua carreira? Diana desviou os olhos.
	Olhando por esse ngulo, parece meio bobo.
	Bobo? Que tal ridculo?  Ela debruou-se sobre a mesa e pegou a mo de Diana.  Sei que Alan  um cirurgio brilhante. E tambm honesto e seguro. Mas no  o homem para voc, Diana.
Cait vinha dizendo isso desde o comeo. E, desde o comeo, Diana tinha se recusado a escut-la.
	Eu j falei  ela insistiu calmamente  minhas razes para casar com Alan vo alm de uma paixo passageira que no dura um ano de casamento.
	Sei, sei, voc falou  Cait falou impaciente.  Alan Sturgess vai ser um bom pai para os seus filhos e ele no  do meio artstico.  Ouvira isso inmeras vezes antes.
	Isso  importante para mim  Diana insistiu. Ela retirou a mo e ajeitou o cabelo. Muitos anos de experincia em Hollywood a ensinaram que a maior parte dos atores eram egocntricos e imaturos demais para manter um casamento de uma vida toda.
	Eu tinha jurado no me intrometer na vida dos outros  Cait falou.  Mas depois que me apaixonei pelo seu roteirista, no posso permitir que voc estrague sua vida.
	Sloan  especial.
	Sei que . Voc acredita em amor  primeira vista?
	Na verdade, no  Diana respondeu. O que ela e Brad tinham experimentado estava muito longe de ser amor. Paixo. Desejo. Febre. At mesmo necessidade. Mesmo sabendo que essas emoes no eram amor, a intensidade do que sentia no diminura.
	Eu tambm no acreditava.  Os olhos de Cait refletiam um amor de causar inveja.  Mas me apaixonei por Sloan no momento em que o vi.
	A primeira vez que voc o viu foi apontando uma arma para ele, depois algemando suas mos.
	E achei que estava me apaixonando por um assaltante. J imaginou?
	Como acontece nos filmes.
	S que a vida real pode ser muito melhor que a dos filmes. E, como voc sabe, Brad tambm  especial.
	Eu sei.  A voz de Diana estava to fraca, to insegura, que Cait sentiu pena da amiga.
	Vou dizer s mais uma coisa e prometo no tocar mais no assunto hoje.
Olhando com firmeza para o rosto de Diana, Cait fez um breve afago em sua mo antes de afirmar:
	Voc pode fugir, Diana. Mas no por muito tempo.
E era justamente do que Diana tinha medo. Ao sair do restaurante, no pde evitar um pressentimento de que sua vida estava para mudar. Mudar de uma forma que ela nem conseguia imaginar.
Mesmo tendo crescido naquele ambiente, Diana sempre experimentava um forte excitamento cada vez que adentrava o enorme porto de ferro forjado dos Estdios Xanadu. Durante setenta e cinco anos o estdio tinha alimentado o sonho de uma audincia vida por fantasia. E apesar de ela, mais que ningum, entender que fazer filme era, na verdade, um negcio completo, com sindicatos, leis, poderes internos, lutas e oramentos, haveria sempre uma grande diferena entre vender sonhos e vender sabo.
Estava indo l aquele dia para uma reunio com Walter Stern III, neto do fundador do Estdio e seu atual presidente. S que no por muito tempo, Diana pensou, uma vez que Con-nor Mackay acabara de adquirir o Xanadu. E Connor e Walter jamais trabalhariam juntos.
A secretria de Walter cumprimentou Diana calorosamente.
	Ele disse para voc entrar assim que chegasse  Margaret Nelson falou. Apesar do sorriso amigvel, Diana viu preocupao nos olhos castanhos da mulher.
	Obrigada, Margaret. Como est o ambiente por aqui?
	Como o esperado. O sr. Mackay parece muito simptico. Parece que ele pretende dirigir isto aqui e...
	Eu sei  Diana comentou. Apesar de no sentir nenhuma lealdade para com Stern, ela odiava ver uma mulher com o talento e a fidelidade de Margaret, e mais de vinte e cinco anos de trabalho para o estdio, sofrer por causa do erro de outra pessoa.
Desejando sorte  secretria, Diana abriu a porta do escritrio.
	Diana.  O sorriso de Walter no denunciava a menor preocupao. Ele levantou-se de sua enorme cadeira chinesa para cumpriment-la.  Obrigado por ter vindo.
Quando se viu envolvida pelos braos dele, Diana teve que lutar para no enrijecer o corpo como resposta.
	Sem problemas.
	Quer que eu pea a Margaret alguma coisa? Ch? Caf? Champanhe?
	No, obrigada. Estou com bastante pressa, Walter. Tenho ainda muitas coisas a fazer hoje.
	Antes de sua viagem para a Grcia.
	Sim.
	Voc est com tempo para essa viagem? E como ficam seu prprio projeto e as gravaes de Evidncias que comeam neste inverno?
Evidncias era mais um dos filmes que ela concordara em fazer para Xanadu, em troca da cooperao deles para com sua recm-constituda companhia.
Em Evidncias Diana faria o papel principal. Para o papel masculino havia uma indeciso entre Tom Cruise e Keanu Reeves.
	Estou atolada de servio, mas preciso falar com Natasha Kuryan. E j que ela est morando na Grcia, no me resta outra alternativa a no ser ir at l.
	Natasha Kuryan. No posso acreditar que essa mulher ainda esteja viva.
	Muito viva, pelo que sei. Voc a conheceu?
	No. Ela no era do meu tempo. Ela saiu muito antes de eu comear a trabalhar aqui, mas meu av falava sempre dela.
Diana no estava disposta a prolongar a conversa com aquele homem.
	H alguma razo especial para voc ter me chamado aqui hoje, Walter?  ela perguntou olhando acintosamente para o relgio.  Estou realmente com pressa.
Ele inclinou-se por sobre a mesa para olhar para ela.
	Quero te alertar sobre Natasha.
	Me alertar?
	Apesar de eu saber o quo difcil est sendo para voc levar a cabo seu primeiro filme, voc est cometendo um erro ao achar que Natasha Kuryan pode ser de alguma utilidade.
	Ela conheceu Alexandra intimamente  Diana argumentou.  Conheceu Patrick tambm.
	Pode ser. Mas sua memria anda falhando.
Diana levantou uma sobrancelha em dvida.
	S porque ela  velha?
	No. Porque  uma mentirosa. Ou louca. Ou as duas coisas juntas. Meu pai foi obrigado a mand-la embora.
	No me diga!
	Ela estava espalhando alguns boatos perigosos sobre coi sas que aconteceram no estdio. Coisas sobre meu av.
	Eu no sabia nada disso.
	Bem, agora sabe. Claro que voc  livre para fazer o que quiser, Diana. Eu s no queria que voc se decepcionasse.
	Obrigada, Walter.  Irritada por ter ido at l s para ouvir algo que ele poderia ter dito por telefone, algo que ho ia faz-la desistir de ir atrs de Natasha Kuryan, Diana levantou-se.  Obrigada por ter se preocupado comigo.
Ele levantou-se tambm.
	Sei que brigamos algumas vezes, Diana. Mas sempre tive a melhor das intenes.
	Obrigada por isso tambm. At logo, Walter. Te ligo quando voltar.
	Estarei esperando.  Ele a conduziu at a porta. Podemos marcar um jantar. Tenho uma nova cozinheira que faz um peixe divino.
Diana sorriu mas no se comprometeu. Jamais iria jantar na manso dele. Todo mundo em Hollywood conhecia as inmeras histrias de conquista sexual daquele homem. Ela sabia tambm que ele nunca se conformara por ela no ter aceito um s convite dele.
Estava a caminho da sada quando o noivo de Lily a chamou.
	Ol, Connor.  Ela cumprimentou, abraando-o.
	O que voc est fazendo aqui? Pensei que voc e Brad estavam a caminho da Grcia.
	Amanh.  E seu corao bateu mais rpido s ao ouvir o nome de Brad Remington.  O Walter queria falar comigo.
	Ah, ?  Ele espantou-se.  Posso perguntar o que ele queria?
	Tentar me fazer desistir de ir at a Grcia procurar Natasha para descobrir alguma coisa sobre Alexandra e Patrick.
	Voc tem um minuto?  ele perguntou subitamente.
No tinha. Mas no podia negar nada para quem tinha levado felicidade e alegria para a vida de sua amiga Lily.
	Claro.
	Venha at meu escritrio.
Connor a conduziu at o sof e sentou-se numa cadeira de frente para ela.
	H uma coisa que voc precisa saber  ele disse. Mas vou te pedir segredo, pelo menos at sexta-feira.
	Claro.  Diana teve um pressentimento de que j sabia o que ia ouvir.
	Walter vai ser despedido.
	No estou surpresa  ela murmurou.  Posso perguntar por qu?
	Muitas razes. Em primeiro lugar, foi ele que levou a companhia ao estado de falncia o que no me deixa confiar em suas habilidades financeiras.
	Mas todos os filmes de Xanadu fazem muito dinheiro  Diana comentou.
	Verdade. Mas a maior parte dessa grana vai para coisas como aquele quadro de Jackson Pollock no escritrio dele ou para reformas em sua manso.
	Xanadu era um estdio familiar.
	Voc disse certo: era. O cara parece no querer enfiar naquela cabea dura de que o Xanadu no  mais sua fonte exclusiva de dinheiro.
Diana conheceu Connor Mackay quando ele tinha um emprego temporrio no casaro onde Lily morava. Hoje era um milionrio.
	E as outras razes?
	Porque pretendo mudar o tipo de filme que o estdio produz. Sei que filmes como Evidncias, Caada Noturna, Esquadro Demolidor fazem dinheiro. Mas h muito espao para outros tipos de filme. Filmes com conotao social. Ou mais fortes ainda, como esse em que voc e Sloan esto trabalhando.
Diana relaxou. Tinha andado preocupada. No sabia se Connor tinha interesse ou no em continuar apoiando seus projetos.
	Voc no faz ideia do peso que tira dos meus ombros ela admitiu.
Ele pareceu surpreso.
	Eu te disse que gostava da ideia, Diana.
	Disse. Mas achei que talvez fosse por Lily...
	Que eu comprometeria minhas crenas?  ele interrompeu.  No. Amo Lily com paixo. Mas se no achasse interessante seu projeto, Diana, eu teria dito diretamente. Sou honesto com meus princpios.
	Eu sei. Cait e eu falvamos esta manh da sorte que Lily teve em te encontrar.
	Eu  que tive sorte.  O sorriso aqueceu-lhe os olhos.
 Sorte em ter Lily. Sorte em ter Kate.
	H uma outra razo para Stern ir embora  Connor revelou.  Voc conhece Brenda Muir?
	A aspirante a atriz que mora no prdio onde Lily morava?
Aquela com cara de beb e corpo de mulher fatal?
	A prpria. Ela teve recentemente uma audincia com Walter.
	Ah! E Walter, sendo o Walter, no resistiu e tentou lev-la at o sof.
	Voc no parece surpresa.
Diana encolheu os ombros.
	Eu tinha quinze anos quando ele fez sua primeira tentativa comigo. Um dia ele apareceu no set de filmagem, entrou no meu trailer e tentou tirar minha blusa.
Connor retesou os msculos ao tomar conhecimento daquela histria. Mas no ia fazer nada a respeito, porque Walter estava indo embora.
	E o que voc fez?  Ele esperava que aquela no seria mais uma das ultrajantes histrias de estupro de adolescente. Porque se fosse, alm de despedir Walter, ia ser obrigado a dar-lhe uma lio por ter ferido a melhor amiga de sua mulher.
	Dei um soco no olho dele. Ento meu pai ameaou dar queixa na polcia.  O pai de Diana, David Fielding, era um famoso advogado de Hollywood, com tanta influncia quanto o dono do estdio.  Papai tambm ameaou mat-lo caso ele pusesse as mos em mim outra vez. Nunca mais ele fez outra tentativa comigo.
	Infelizmente nem todas as garotas tm sua fibra, mas Brenda  bastante corajosa.
	Mas, Connor, ns dois sabemos que infelizmente dormir com o chefe ainda  um meio de se chegar ao topo por aqui.
	Mas isso vai mudar, Diana.
	Outra coisa que eu gostaria de saber. O que voc vai fazer com Margaret?  
	Vou promov-la a minha assistente pessoal. Se ela quiser, claro.
	tima ideia.
	E o lgico a ser feito. Preciso de algum familiarizado com a rotina de Xanadu. Parece que empregar Margaret Nelson foi uma das poucas coisas boas que Walter fez durante sua gesto aqui. Bem, no planejei te prender tanto tempo aqui  Connor falou, levantando-se.  S queria te deixar a pardo que vai acontecer, uma vez que vai estar fora do pas quando Walter for despedido.
	E como vocs vo negociar a sada dele?
	Ele vai levar uma boa soma. Mas o mais importante  que vai embora.
Connor tinha tomado a nica deciso possvel, Diana pensou, enquanto dirigia atravs do famoso porto do estdio. Mesmo conhecendo a brilhante reputao de Connor nos negcios, sabia que no ia ser fcil livrar-se de Walter Stern III.

CAPITULO II

Uma tempestade estava se formando. Nuvens escuras cobriam o horizonte. Dizendo a si mesmo que a ansiedade que estava sentindo nada tinha a ver com o tempo nem com o fato de que no dia seguinte estaria viajando para a Grcia com uma mulher muito especial, Brad Remington pegou uma mala debaixo da cama e comeou a jogar suas roupas dentro.
Ele sempre se orgulhara do seu controle. Quando trabalhava na polcia, patrulhando as reas dominadas pelas gangs no zona sul de Los Angeles, tinha a reputao de ser duro, justo e tranquilo.
No demorou muito para que sua fama se espalhasse. Brad Remington tornou-se o policial mais procurado para resolver uma situao perigosa. Controle era sua palavra de ordem; pacincia o seu forte.
Infelizmente, quando se tratava de Diana Fielding, controle e pacincia no existiam.
Ele ia para a cama todas as noites com seu sexo desperto, doendo, e acordava toda manh quente e excitado. E insatisfeito.
 Droga de mulher!
Ele passou a mo pelos cabelos escuros e praguejou. Tinha um trabalho a fazer. Ela era a patroa, a pessoa que o contratara para fazer um servio. Envolver-se com ela seria loucura.
Se fosse s uma reao fsica, seria mais fcil. Mas desde o primeiro momento em que se encontraram, a qumica tinha sido instantnea e inegvel. A prova fora aquele beijo que ele tinha roubado logo depois do terremoto.
Do mesmo modo que no tinha conseguido esquecer aquele
beijo revelador, Brad tambm no esquecera o modo como ela se sentia sob ele quando foram jogados no cho pelo terremoto.
Por baixo do vestido de noiva, o corpo dela era exuberante e perfumado; suas curvas voluptuosas tinham sido esculpidas para ele. Desde aquele dia, por mais que lutasse contra, ficava excitado s ao pensar em ser envolvido por aquele corpo feminino.
O problema maior era saber que havia muito mais do que qumica entre eles.
Diana Fielding penetrara em sua pele, se infiltrara em seus pensamentos e, pior ainda, em seu corao. E, para um homem que sempre fizera tudo para evitar envolvimentos emocionais, Brad achava a ideia muito mais perigosa do que tudo que enfrentara no seu tempo de polcia.
	Ela  s uma mulher  ele falou em voz alta, a mesma coisa que vinha repetindo para si mesmo h semanas.  Uma linda mulher. Mas esta cidade est cheia de mulheres como ela.
Ento por que Diana Fielding exercia aquele poder sobre ele?
A primeira vez que Diana visitara Cait, experimentara um estranho sentimento de j ter estado l. E o sentimento perdurara. Toda vez que ia at o casaro, que h muito fora dividido em vrios apartamentos alugados a pessoas solteiras e sem famlia, no conseguia evitar aquela sensao de aperto no corao.
Agora, enquanto se aproximava do apartamento de Brad Remington, no estava sendo diferente. O desconforto causado pelo lugar, somado  estranha sensao que a dominava cada vez que se encontrava com aquele homem, fazia seu corao bater mais acelerado. Se fosse uma covarde, voltaria para casa.
Mas no era. Resolveu enfrentar seus sentimentos. Tocou a campainha e aguardou.
O som estridente interrompeu os pensamentos de Brad.
Inferno. Ele caminhou at a porta, e levou o maior susto ao ver a sua frente o objeto de toda sua tortura... e desejo. Com uma blusa de seda vermelha e cala jeans, Diana estava irresistvel aos seus olhos. Mesmo vestida de modo to simples e casual, ela conseguia exalar uma sexualidade estonteante.
	Ora, mas que surpresa agradvel!  ele exclamou, escondendo todo prazer que sentia ao v-la.
Oi.  A voz dela era quase um sussurro.  Odeio quando
algum aparece na minha casa sem avisar antes, mas eu estava aqui por perto e lembrei que precisava discutir algumas coisas com voc antes do vo de amanh. Resolvi arriscar.
Era uma desculpa pobre. Ela poderia ter usado o telefone e os dois sabiam disso.
	Por favor, entre.
- Espero no estar interrompendo nada.
	Eu s estava fazendo as malas.
	J? Ainda nem comecei  ela comentou, olhando pelo apartamento com vida curiosidade. Tinha estado l com Cait quando o apartamento estava vazio. Agora, quando seus olhos depararam com o enorme espelho que dominava todo o ambiente, ficou tensa.
Sentiu uma estranha apreenso. Ou seria medo?
	Tinha me esquecido disto.  Como que atrada por uma fora maior, atravessou a sala e parou na frente do espelho.
	Voc j esteva aqui antes?
	Cait me trouxe.  Incapaz de resistir, Diana correu os dedos pela moldura, seguindo o intrincado traado do desenho. Podia jurar que o metal aquecia ao seu toque. Ou talvez fosse apenas nervosismo por estar na presena daquele homem.
	J te contaram a lenda deste espelho?
	No. Sei que Jill esqueceu de lev-lo.
Brad no tinha gostado do espelho desde o comeo. E continuava no gostando, mesmo depois de estar morando l h vrias semanas. Por diversas vezes tentara remov-lo mas, por alguma estranha razo, a pea no se desprendia da parede. O remdio era ignorar aquele espelho horroroso.
	De acordo com Cait, algumas pessoas j viram uma mulher nele.
	Talvez algum com a cara cheia de drogas.
	Pode ser.  Diana achou melhor no comentar que Cait e Connor tambm tinham visto a mulher misteriosa.  Mas no deixa de ser estranho.
Brad aproximou-se e ficou atrs dela. Seus sentidos ficaram instantaneamente impregnados pela misteriosa e deliciosa fragrncia que emanava dela.
	Engraado, se fosse outra pessoa me contando, eu riria na cara dela. Mas vindo de voc, no me parece uma coisa assim to impossvel.
Diana estava perturbada pela proximidade dele. Sentia o calor daquele corpo forte, algo que a envolvia e deixava seus joelhos moles. Que Deus a ajudasse, mas estava  beira de perder o controle.
	A lenda diz que se voc vir uma mulher no espelho, seu maior desejo pode ser atendido. Ou seu pior medo concretizado.
Diana sentiu um enorme desejo de voltar-se e aninhar nos braos fortes. Levantou os olhos e encontrou os dele, firmes e inabalveis, atravs do espelho.
Sentiu uma corrente gelada percorrer sua espinha. O homem era bonito demais. Atraente demais. Sexy demais. Cabelos pretos e abundantes, olhos azuis que olhavam para ela como se pudessem enxergar sua alma. Ele estava usando uma velha camiseta cinza da academia de polcia e jeans desbotados. E descalo.
	Parece que j ouvi algo a respeito. Voc j viu essa mulher?
	No. Mas conheo gente que j viu.
Mesmo sendo uma atriz talentosa e de muitos recursos, Diana no conseguia disfarar a nota de desejo em sua voz, por mais que tentasse. Muito menos as chamas do desejo que brilhavam em seus olhos escuros. E o pior de tudo era ter conscincia que Brad sabia o que se passava com ela.
	O poder da sugesto pode ser extremamente forte.
	Acho que sim.  Ela afastou os olhos do espelho e olhou de frente para ele.
	A razo por eu ter vindo at aqui foi perguntar se voc entrou em contato com seu agente na Grcia sobre a localizao de Natasha.
	Fui informado de que ela estava em Seriphos. Mas no se preocupe, ns a encontraremos, seja l onde for.
	E isso no vai tomar muito do nosso tempo?
Brad tinha planejado ficar com Diana longe de Los Angeles e principalmente longe daquele noivo horroroso que ela insistia em manter. Se pudesse, para sempre. Podiam gastar o tempo deitados ao sol, nadando no Mediterrneo, servindo um ao outro uvas suculentas e danando at o amanhecer em alguma cabana rstica. E fazer amor o resto do tempo.
	Voc no me falou que tinha to pouco tempo.
	Espero comear as filmagens antes de me apresentar para o Evidncias.
No se preocupe, chefa.  Ele deslizou um dedo pelo
nariz pequeno e bem desenhado.  Confie na Remington Investigaes. Vamos pegar nosso homem. No, nossa mulher, neste caso.
Diana sorriu e relaxou.
Mais tarde, enquanto arrumava as malas, ela compreendeu que, ao contrrio de sua vida profissional to planejada e cor-reta, era um completo desastre em sua vida pessoal.
Tinha recusado um convite para jantar com Alan, alegando que precisava fazer muitas coisas antes de viajar para a Grcia com Brad. Mas um sentimento de culpa no a abandonara desde ento. Acabou por decidir que no podia viajar sem ver o homem que, no fosse pelo terremoto daquele dia, seria hoje seu marido.
O acidente no dia de seu casamento, as conversas com Cait e Lily, o atraente Brad Remington, tudo vinha fazendo com que Diana pensasse muito em seu futuro casamento. Para quem sempre se orgulhara de manter um p em terra firme, numa cidade que primava por comportamentos estranhos e fora do normal, o rico e bonito cirurgio plstico sempre lhe parecera o marido ideal.
Com carreiras que exigiam muito tempo e energia, ambos eram independentes e determinados, e Alan parecia no ser do tipo que precisava de constantes massagens no ego por parte da esposa. Pesava tambm o fato de Alan estar numa idade em que os homens comeavam a pensar em formar uma famlia, o que ia de encontro ao desejo de Diana de ter uma famlia numerosa.
Seus planos eram simples. Queria que seus filhos fossem educados pelo pai e pela me, num verdadeiro lar. No pretendia encerrar sua carreira. Como muitas mulheres, dividiria seu tempo entre a casa e o trabalho.
Por tudo isso, queria um homem que desse um bom pai. E Alan tinha tudo para ser esse homem. Por isso o escolhera.
Enquanto acionava o controle eletrnico para abrir a gara-. gem da casa de Alan, refletia que, obcecada pela figura de um pai, esquecera de pensar no que queria de um marido.
Alan era seguro e slido. Seu lnico defeito era no gostar do trabalho que ela escolhera. Ele no gostava, mas aceitava e respeitava sua escolha.
Alm do-mais, era um excelente amante. Tecnicamente falando, porque ele no fazia seu sangue ferver. Nem seus ossos derreterem. Mas casamento no era s sexo. As outras partes compensavam.
Lily, quando chegou a Los Angeles, recm-separada do marido e grvida de sete meses, tinha outra viso do casamento.
 Voc tem certeza que o que sente por Alan  amor?
	Claro que tenho  Diana tinha respondido prontamente. Eu no rae casaria se no o amasse.
	E ele ama voc?
	Claro.
	E ele faz seu sangue ferver, te deixa... louca?  Quando Diana pareceu no entender a pergunta, Lily completou:  Quero dizer na cama. Ele te leva  loucura quando vocs fazem amor?
	Essa  uma pergunta muito pessoal.
	Ora Diana, voc est fugindo de uma resposta sincera. Voc e Cait sempre me contaram sobre os homens com quem dormiam. Por que este  diferente?
	Porque Alan  diferente.  Diana no queria admitir que, em muitas vezes, sentia-se vagamente desapontada depois de ter feito sexo com Alan.  Ele  o homem que amo, Lily. O homem com quem vou passar o resto da minha vida. No me sinto bem revelando nossos momentos de intimidade. Nem mesmo com voc.
	Acho que entendo. Em minha pouca e desastrosa experincia, aprendi que se um homem no  capaz de levar voc s alturas, e voc no consegue fazer o mesmo com ele, seu caminho ser uma longa estrada de dor pela frente.
Felizmente, Lily tinha encontrado algum que podia lev-la s alturas. Connor. E Diana, mesmo no querendo admitir, sabia que Brad Remington era o homem certo para ela. O nico beijo que trocaram era a prova disso. Jamais sentira algo parecido nos braos de Alan, nem mesmo quando faziam amor. Por isso decidira ir at a casa de Alan aquela noite, para provar para ela mesma que seu casamento com ele seria tambm por paixo, e no s por convenincia.
Preparara-se especialmente para a ocasio. Um longo banho com leos perfumados, o perfume especial, a lingerie, escarlate, da cor do pecado, desenhada para acender o fogo em qualquer homem, o vestido preto, curto e justo, completado por meias pretas e sapatos de salto alto.
Caprichara tambm na maquiagem. Tons suaves, contrastando com o batom vermelho escuro. Os cabelos revoltos, como os de algum que acabara de deixar a cama do amante. Era a prpria imagem da mulher com srias intenes de seduo. Para completar, comprara uma garrafa de champanhe.
E, pela segunda vez naquele dia, iria aparecer na casa de um homem sem avisar antes. Mesmo esse outro homem sendo seu noivo, no estava se sentindo to  vontade quanto gostaria.
Tocou a campainha mas ningum apareceu. Como a Mercedes de Alan estava na garagem, ele devia estar em casa. Provavelmente na piscina, fazendo seus exerccios dirios aps a tremenda luta do dia para deixar as atrizes de Hollywood mais lindas para o mundo. Abriu a porta com sua cpia da chave e entrou.
O ambiente, como um reflexo do dono, exalava um frio controle. Vidros e prata predominavam, lembrando uma sala de cirurgia. Nas parede, grficos diversos ocupavam lugares tradicionalmente destinados a quadros artsticos.
Os mveis eram contemporneos. Cadeiras italianas de couro preto combinavam perfeitamente com a estante laqueada em preto e cinza e a mesa em cromo e vidro sobre carpete cinza claro e espesso. Sobre a estante, uma coleo de pequenas esculturas.
Diana cruzou a sala e abriu a porta para o terrao. A luz da lua criava sombras misteriosas com a nvoa vinda do mar. A gua da piscina brilhava, iluminada pelas lmpadas colocadas sob a gua.
Ouvindo o som da gua batendo contra os lados da piscina, Diana aproximou-se, esperando ver Alan sulcando a gua com longas braadas.
Mas o que viu a deixou paralisada. Alan no estava sozinho. Muito pelo contrrio. Ele estava beijando uma mulher, ao mesmo tempo em que acariciava seus seios nus.
Percebendo que algum se aproximava ele virou-se.
	Diana!  Ele recuperou-se do susto rapidamente.  No estava te esperando.
	Isso  mais que bvio.  Usando todo seu poder de autocontrole, toda sua habilidade de atriz, Diana manteve um tom de voz to calmo quanto o dele. Morria de dio por dentro, mas jamais demonstraria isso.
Quando ele saiu da piscina, Diana viu a cara da outra mulher. Brittany Carlysle. Uma atriz iniciante, bonita graas ao trabalho do dr. Alan Sturgess. Um nariz bem desenhado, um pouco de silicone nas mas do rosto, seios aumentados, li-poaspirao nos lugares necessrios. A universitria do Texas estava pronta para se tornar um estrela em Hollywood.
Determinada a tratar o assunto num nvel civilizado, quando o que mais queria era atirar a garrafa de champanhe na cabea dele, Diana disse:
	Acho que devo me desculpar por ter interrompido vocs. No  o que parece, Diana.  Alan enrolou uma toalha
sobre o quadril.
	Por favor!  Por que a mentira a irritava mais que a traio?  No'me trate como uma boba, Alan. Ns trs sabemos muito bem que  exatamente como parecia.
	Foi voc quem cancelou o jantar desta noite. Do mesmo modo que cancelou muitos outros planos desde que se tornou obcecada por fazer aquela droga de filme sobre o horrvel caso
entre Alexandra Romanov e Patrick Reardon.
Como um homem to talentoso, to inteligente poderia parecer uma criana petulante de cinco anos de idade? E como ele ousava pr a culpa nela?
	Eu sei. E estava me sentindo mal por isso.  Ela levantou a garrafa de champanhe.  Ento decidi te fazer uma surpresa. Promover uma despedida em alto estilo. Mas agora vejo que devia ter ligado antes.
Voltando sua ateno para a atriz de televiso, Diana cumprimentou:
	Ol, Brittany.
	Ol, Diana.  Em vez do embarao que esperava, Diana viu um ar de triunfo no rosto perfeito da mulher.  Sinto muito por voc ter descoberto tudo deste modo.
	Brittany  Alan censurou, mal olhando para a garota.
	Alan e eu somos amantes faz meses.
	Verdade? Antes ou depois da cirurgia?
	Droga, Brittany. Cale a boca  Alan ordenou,  beira de perder o controle.
	No se preocupe, Alan. No tenho nenhuma inteno em denunciar voc para o Conselho de tica Mdica por estar envolvido com uma paciente. E no se preocupe, conheo a porta de sada.
	Diana, espere.  Ele a segurou pelo brao.  Vamos conversar.
Surpreendentemente calma, considerando as circunstncias, ela livrou-se dele.
	No consigo imaginar o que teramos para conversar.
	Nosso casamento, claro.
	Casamento? Como voc pode falar de casamento depois desta cena?
Brittany tinha sado da gua e estava colocando a parte superior do biquini.
	Meu caso com Brittany no tem nada a ver conosco ou com nosso casamento...
Devia ser uma pssima julgadora de carter. Sempre achara Alan ponderado e controlado. E agora? Onde estava o homem ntegro que pensara existir nele?
	Voc est sugerindo que essa mesma coisa poderia ocorrer depois que estivssemos casados?
	No seja ingnua, Diana. Aqui  Los Angeles. Homens dormem com outras mulheres todos os dias. E as mulheres dormem com outros homens. Mas isso no quer dizer que no possam ter ura bom casamento.
Diana no acreditava no que estava ouvindo.
	Vou tentar esquecer que ouvi isso  ela falou e caminhou depressa em direo  porta da casa.
Estava quase saindo da sala quando Alan a alcanou e a segurou.
	Droga, Diana. Voc no est sendo razovel. Voc sempre soube que nosso casamento no seria baseado em paixo.
Engraado, aquele era exatamente o motivo por estar l aquela noite. Parou e perguntou curiosa:
	Em sua opinio, no que exatamente ia ser baseado nosso casamento?
	Sucesso mtuo. Somos famosos em nossas profisses. E ricos. Voc sabe que no estou com voc porque quero ir para a cama com uma estrela e eu sei que voc no est comigo pelo dinheiro ou em busca de status.
Ele a puxou para si.
	Juntos, podemos dominar esta cidade.
Antes que ela pudesse fazer qualquer comentrio, ele a beijou, um beijo longo, com sabor de frustrao e raiva.
Enquanto ficava impassvel, nem querendo nem gostando do beijo, Diana lembrou-se de seus pais. Mesmo depois de trinta anos de casamento, ainda caminhavam de mos dadas, danavam de rosto colado, roubavam beijos no escuro do cinema.
	No sei se voc vai entender, Alan  ela falou, afastando-se dele  mas no tenho nenhum interesse em procurar poder social e odeio a ideia de ser um trofeu para qualquer homem.
Ela caminhou em direo  porta de sada.
	Boa noite, Alan.
	Droga, Diana, voc est cometendo um grave erro. Se parar de ser to emocional e me ouvir, poder ver que podemos superar tudo isto.
	Voc parece que no entendeu, Alan. Eu no quero superar nada.
Quando saiu, no resistiu ao impulso e bateu a porta com fora.

CAPITULO III

Uma hora mais tarde, Diana estava sentada numa espreguiadeira  beira da piscina do famoso Chateau Marmont, olhando para as luzes da cidade e bebendo.
	H um momento na vida de toda mulher que a nica coisa que pode ajudar  uma taa de champanhe  ela falou em voz alta, enchendo a taa mais uma vez.  Bette Davies em Agora, Viajante. No, no  esse o filme.
Sacudiu a cabea. Estava ficando bbada, ms quem se importava?
	Velhos Conhecidos, 1943. E ela disse isso para Miriam Hopkins.  Diana orgulhava-se de sua memria quase enciclopdica sobre o mundo do cinema.
Bebeu mais um gole.
Onde ela estaria? Brad bateu o telefone pela terceira vez na ltima hora. No hotel no estava. Na casa daquele mdico de nariz empinado, Alan Sturgess, tambm no. Estivera, mas j sara, informou o noivo, com voz de poucos amigos.
Brad ligou o nmero dela novamente. Depois de algum tempo um operador atendeu para informar que Diana no estava respondendo.
Sua mente de ex-policial j pensou no pior. E se ela tivesse sido sequestrada? Afinal, uma mulher sozinha, dirigindo um jaguar, constitua um alvo fcil.
	Droga!  Ele passou a mo pelos cabelos e pensou no que fazer. No podia continuar naquela agonia. Decidiu ir at l. Foi encontr-la  beira da piscina, olhando para a gua azul.
	Voc no fecha a porta do seu chal?  ele perguntou assim que se aproximou. Acabara de passar um enorme susto ao chegar, encontrar a porta aberta e o chal vazio. Enquanto ele passava o maior medo de sua vida, ela estava bebendo champanhe, muito tranquila,  beira da piscina. Ele quis sacudi-la para faz-la sentir um pouco da agonia que acabara de sofrer.
No bastasse isso, estava muito  vontade, mais linda do que nunca naquele vestido minsculo, deixando  mostra um belo par de pernas. O sangue dele pulsou duas vezes mais forte.
	Acho que esqueci  Diana falou, sem se importar em perguntar o que ele estava fazendo l.
	Ela esqueceu  Brad ironizou.
Diana j sentia o efeito da bebida. Sua mente no fixava em quase nada. Esvaziou o copo e pegou a garrafa. Brad arrancou-a de sua mo.
	Voc est bbada, chefa.
	Estou um pouco. E da?  Ela levantou a taa para que ele a enchesse.  Mas no o suficiente. No ainda.
	No querendo interferir em sua festinha particular, sou obrigado a lembr-la de que temos um vo amanh de manh.
	No esqueci. E, para sua informao, nunca perdi um vo em toda minha vida. Voc vai me servir mais champanhe ou no?
	Se voc  boba o suficiente para voar at a Europa com uma terrvel ressaca, quem sou eu para impedir?  Ele serviu um pouco do lquido brilhante. Quando ela continuou a segurar a taa esperando por mais, ele praguejou e a encheu at a borda.
	Obrigada.  Ela sorriu para ele.  No quer me acom panhar?  s pegar uma taa l dentro.
	No se preocupe. Bebo direto da garrafa.
	Como quiser.  Ela falou, gesticulando. No estava mais usando o anel de noivado.
Feliz com a descoberta, Brad sentou-se na espreguiadeira ao lado dela e bebeu um gole do lquido.
	O que voc est comemorando?
	Dia da independncia.
Brad no riu para que ela no notasse sua felicidade.
	Parece interessante.  Ele bebeu outro gole.
Diana no entendia o que estava acontecendo. Estar ao lado daquele homem sempre a deixava confusa, nervosa, com as emoes  flor da pele. Mas, por alguma razo diferente, naquela noite Brad parecia exercer um estranho efeito calmante sobre ela.
	Voc j esteve noivo alguma vez?
	No. Cheguei perto. Uma colega de colgio.
	O que, aconteceu?
	No deu certo. No chegamos a ser noivos. Quando decidi entrar para a academia de polcia, ela achou que no gostaria de ser a mulher de um policial.
Diana olhou para a gua calma da piscina e bebeu mais um gole da champanhe.
	Ver seu marido sair para trabalhar todos os dias e no saber se ele voltar ou no, no deve ser fcil.
	No deve ser mesmo  ele concordou.  Mas essa no foi a razo.
Os olhos dela estavam to escuros quanto uma noite sem estrelas. Um homem poderia se perder naqueles olhos se no tomasse cuidado.
	Mas se no foi por medo do perigo...
	Foi por dinheiro.  Brad sara do episdio com o orgulho ferido e o corao ileso.  A carreira policial no deixa ningum rico. Ela preferiu casar com um advogado criminalista que conheceu quando me acompanhava num processo em que fui arrolado como testemunha. Moram em Santa Barbara agora. Numa manso estilo francs, com governanta, jardineiro, gente para limpar a piscina e uma bab para seus trs filhos. Aparentemente, quando se trata de profisso legal, o crime paga muito bem. Nas horas vagas ele joga golfe e sai com outras mulheres. Ela bebe e sai com outros homens.
Brad sabia tudo aquilo porque Sandi Cunningham ligava para ele quando estava bbada e carente.
	Isso  muito triste  Diana falou, pensando no quanto estivera prxima de entrar para um desastroso casamento com Alan.
	Tambm acho. Est esfriando.  melhor voc entrar. E ir para a cama.  Ele a ajudou a levantar-se.
	Para a cama, ? Com voc?
Ela estava bbada. Havia um brilho no olhar dela que o atraa de uma maneira quase fatal. Mas Brad sabia que no deveria beij-la. Porque, se o fizesse, no se contentaria s com beijos. Ele a queria muito, mas sbria, dona dos seus atos, consciente do que estava fazendo.
Quando fizesse amor com Diana Fielding, e isso no demoraria muito, ele queria ter certeza de que ela se lembraria do ato pelo resto de sua vida.
	Voc me deseja Brad? Assim como eu?
Mesmo sabendo que ela no faria uma confisso como aquela em condies normais, Brad ficou feliz com a declarao.
	Eu sempre te quis e voc sabe disso  ele falou brandamente. Ela mal se firmava sobre os ps.  Mas voc est salva esta noite, chefa.
	Qual  o problema? Voc no me acha atraente?
Uma das alas do vestido escorregou, revelando a pele suave.
O vestido fora desenhado para ressaltar as curvas de uma mulher. E aqueles saltos altos faziam as pernas dela parecerem mais longas e elegantes.
	Corao, se voc fosse um pouquinho mais atraente do que j , eu teria que me prender s pelos pensamentos que estou tendo.
	Oh!  ela sorriu, parecendo extremamente contente com aquela declarao.
 E esse vestido ento  um convite direto ao pecado.
Diana deu uma volta para que ele visse todo o modelo. Segurando-a antes que ela casse na gua, Brad a levantou e a colocou sobre os ombros.
	Eu sempre quis ser carregada deste jeito  ela disse rindo, enquanto era levada at o quarto.  Mas, Brade, esse no  o jeito mais romntico do mundo de carregar uma mulher. J imaginou Clark Gable carregando Vivien Leigh por aquela escadaria, assim como um saco de batatas?
Divertido, com raiva e excitado ao mesmo tempo, ele a colocou sobre a cama.
	Voc quer romance, ? Ento  romance que voc vai ter  ele afirmou e colocou a boca sobre a dela.
Ao contrrio da primeira vez que se beijaram, no havia o sabor do beijo roubado, a tentao pelo proibido. O gosto dela, misturado ao da champanhe francesa, explodiu dentro dele. Beijar Diana era como beber gua gelada depois de uma longa travessia pelas areias quentes do deserto. Era tudo que ele lembrava. E mais. Muito mais.
Teria sido mais fcil se ela resistisse. Mas ela se entregou sem hesitar, mergulhando no beijo com uma paixo desesperada. Sua boca era como uma febre que o queimava.
Quando ele tentou afastar-se, ela o puxou, fazendo o corpo pesado pression-la ainda mais.
Diana o envolveu, pernas e braos entrelaando-o. Os seios achatados contra o peito largo, o corao batendo rpido e forte.

Era tudo que ele tinha sonhado desde o primeiro encontro dos dois. 
Brad sabia o que era desejar uma mulher. Mas nunca, em seus trinta e um anos, tinha desejado uma mulher como desejava Diana naquele momento. Era como se tivesse passado toda sua vida procurando por ela.
Ele escorregou os lbios pelo rosto bonito, pelo pescoo alvo, pelos ombros nus.
Diana gemia de prazer, murmurando palavras desconexas que tanto podiam ser um protesto quanto um encorajamento. Depois ela colou-se a ele, desesperada por ser tocada. Brad entendeu a mensagem.
Abaixando o vestido at a cintura, ele livrou um seio plido do suti escarlate, depois o outro. Eles encheram suas mos.
	Isso  muito bom  ela suspirou.  Mais. Quero mais.
Enquanto a boca gulosa dele percorria a pele acetinada, enquanto as mos masculinas e impacientes a faziam queimar, Diana gemeu alto. Ali estava a paixo que estivera procurando, ela pensou atravs das brumas que envolviam sua mente. Ali estava o fogo que nunca experimentara com Alan. Ali estava o perigo que sempre procurara.
Diana no era inexperiente. Conhecia o desejo. Mas s com Brad descobria o seu verdadeiro sentido. S com Brad estava compreendendo o quanto sutil era a linha entre o desejo e a necessidade.
Ela arrancou a camisa dele de dentro da cala com mos ansiosas. A necessidade de senti-lo contra ela, dentro dela, era to urgente, to necessria quanto respirar.
Brad sabia que poderia t-la se quisesse. Naquele momento. Se fosse outra mulher, no hesitaria. Mas Diana era especial. E estava bbada.
Agora, com Alan Sturgess fora do caminho, nada mais separaria os dois. Ela seria sua e ele dela. Estava escrito. Era o destino.
Mas no com todo aquele champanhe interferindo na vontade dela.
Ele recuou.
	Brad?  Ela abriu os olhos. Seus lbios estavam inchados dos beijos e tremiam ligeiramente. Seus olhos mostravam confuso e desejo ao mesmo tempo.
Sinto muito.  Ele precisava de tempo para se acalmar.
Tempo para compreender por que tudo sobre aquela mulher parecia novo e familiar ao mesmo tempo.  Eu no tinha direito de fazer isso.
Sentindo os lbios secos, Diana passou a lngua por eles e viu chamas de desejo surgirem nos olhos azuis.
	Voc tinha todo direito, porque eu queria que isso acontecesse  ela falou numa voz que era pouco mais que um sussurro.  Eu queria que voc me beijasse. E me tocasse. Eu queria que voc fizesse amor comigo.
Brad gemeu. Estava tentando ser um heri, mas Diana no ajudava.
	Eu gosto que a mulher com quem estou fazendo amor saiba com qual homem ela est.
A acusao injusta penetrou na mente confusa dela. Ele no poderia ter dito outra coisa que a ferisse mais.
	Se voc acha que eu pensei que voc fosse Alan...
	No.  Desgostoso consigo mesmo, ele pegou uma mo dela e levou aos lbios.  Sinto muito, Diana.  Os olhos dele encontraram os dela por sobre as mos entrelaadas, pedindo desculpas.  No sei porque falei isso.
Recusando terminantemente a chorar, Diana mordeu os lbios. Pela segunda vez naquela noite, pela segunda vez em seus vinte e cinco anos, estivera preparada para atirar-se nos braos de um homem. E nas duas vezes seu ato revelou-se um desastre.
	Voc no deveria ter dito o que disse. No deveria nem ter pensado.
Os olhos escuros eram dois poos de mgoa e raiva. Brad queria explicar, mas como, se no tinha respostas nem para ele mesmo?
	Olhe, voc teve um dia longo e cansativo e apesar de nunca ter perdido um vo, no quer dizer que no deva dormir um pouco.  Ele passou a mos pelos cabelos sedosos.  Por que no discutimos amanh?
Ele tinha razo. De repente, Diana sentiu-se cansada. Exausta.
	Amanh no vou falar com voc.
Ele riu.
	Vou me arriscar.  Abaixou a cabea e tocou seus lbios nos dela.  Boa noite, milaja.  E se foi.
Deitada, com a cabea ainda girando pela combinao explosiva da champanhe e dos beijos de Brad, Diana o ouviu bater a porta do chal.
Praguejando, levantou-se para colocar uma camisola e escovar os dentes. Foi s depois que deitou-se novamente que as ltimas palavras dele a atingiram.
Teria Brad realmente dito "querida" em russo?
Impossvel. Diana fechou os olhos e dormiu no mesmo instante.
	Voc est atrasado  Alexandra acusou.
Patrick, em p na porta do banheiro, olhando para sua mulher mergulhada at o pescoo na gua espumante da banheira, parecendo mais do que nunca a deliciosa deusa do sexo que era. Os cabelos escuros estavam presos no alto da cabea. Pequenas mechas grudavam no pescoo molhado, num excitante contraste com a pele de alabastro.
Os olhos escuros como a meia-noite sobre as estepes russas. Os lbios cheios lembravam morangos maduros.
Alexandra Romanov era a fantasia de todos os homens da face da terra. E era dele.
Dez meses aps o casamento, ainda havia momentos em que Patrick achava essa ideia assustadora.
	Sinto muito.  Ele desabotoou os punhos da camisa. Fiquei preso no estdio.
Quando ele entrou no banheiro enfumaado, foi imediatamente envolvido por uma nuvem de fragrncia. Era a mesma fragrncia que ela passava pelo corpo toda manh e toda noite. Na noite passada, fora ele quem passara o creme por todo aquele corpo voluptuoso.
Ele ficou excitado s ao lembrar do modo desinibido como ela se pressionava contra suas mos enquanto ele acariciava-lhe a parte interna das coxas. Como ela implorara ento para que ele no a atormentasse daquele modo.
	Odeio Walter Stern.  Ela referiu-se ao chefe do estdio com um palavro em sua lngua nativa enquanto levantava uma perna e comeava a lav-la com uma esponja cheia de sabo.
	Voc e a metade do mundo ocidental.
O relacionamento dele com o homem que o tinha levado para Los Angeles no chegava a ser amigvel. Mas era cordial. At o dia em que se casara com a maior estrela do estdio.
Walter continuava a propagar, para quem quisesse ouvir, que o casamento estragara o sex appeal de Alexandra, ameaando os lucros de Xanadu.
Mas Patrick acreditava que o verdadeiro problema de Stern era um profundo cime por no ter sido ele o homem escolhido por Alexandra para dividir a cama com ela todas as noites.
	E o que Walter queria desta vez?  Alexandra perguntou.
	No sei.  Ele tirou a camisa e a jogou num canto.  Eu esperei um pouco, e quando ele no apareceu, vim para casa. Para minha esposa.
	Otimo.  Ela trocou de perna.  Eu estava me sentindo muito sozinha. E impaciente.  Os olhos dele seguiram vidos a extenso de sua perna, exatamente como ela esperava. No tive escolha a no ser comear sem voc.
	No se preocupe. Vou recuperar o tempo perdido.
Ele sentou-se num banquinho e tirou os sapatos. Depois ficou em p para tirar a cala.
S o fato de ela ficar observando enquanto ele abria o zper do jeans j o deixava louco de desejo.
Uma das coisas que ele mais amava em Alexandra era que desde o primeiro momento em que se encontraram, ela no se fazia de rogada. No fingia inocncia. Ela o queria com a mesma intensidade que ele a queria. E no tinha ficado com medo de deix-lo saber disso. Pelo contrrio, enquanto se agarravam no banco de trs do Rolls-Royce dele, vinte minutos depois de terem se conhecido, Patrick j imaginava que seria difcil dizer quem seduziu quem.
Ela ergueu as expressivas sobrancelhas escuras quando viu a ereo dele. Seus lbios curvaram-se num sorriso lento, tentador. Quando ela molhou os lbios com a lngua, o sangue dele ferveu.
	Isso  para mim?
	Mais tarde.  Nu, ele ajoelhou-se ao lado da banheira, pegou a esponja e a mergulhou na gua quente.  Muito mais tarde.
Com aquela ertica promessa pairando no ar entre os dois, Patrick lavou cada centmetro daquele corpo voluptuoso. A gua esfriava enquanto a pele dela esquentava. Alexandra era a mulher mais sensvel que ele encontrara, a nica que ele sabia que poderia chegar ao orgasmo s com beijos nos seios ou com o simples toque da ponta de sua lngua atrs da pele delicada de trs da orelha.
	Chega!  Rindo, chorando, praguejando em sua lngua nativa, el usou toda sua fora para pux-lo para dentro da banheira com ela.
E enquanto escorregava para dentro dela, ele considerou, no pela primeira vez desde que se mudaram para aquela casa, que Alexandra Romanov Reardon era todo seu desejo se tornando realidade.

CAPITULO IV

Brad acordou de um sono maldormido. O corpo ' dolorido, o sexo frustrado.
	Droga!  Gemendo, ele levntou-se e foi at a cozinha tomar um copo de gua gelada.
Aquilo estava se tomando ridculo. Como se no bastasse os sonhos erticos com Diana, agora sonhava com Alexandra tambm.
	O problema, velho  ele falou enquanto deixava o copo sobre a pia ,  que faz tempo que voc no faz sexo.
Desde o dia em que encontrara Diana Fielding pela primeira vez no desejara outra mulher. Mas Diana valia a espera.
Ao voltar para o quarto, como sempre acontecia desde que se mudara para aquele apartamento, que era tambm seu escritrio, seu olhar foi atrado para o enorme espelho.
	Oh, no!  Ele tampou o rosto com as duas mos para se convencer de que a viso era s uma fantasia causada por seu sonho.
Mas no era. Quando olhou novamente no espelho, sabia, no fundo de sua alma, que a figura etrea daquela mulher de cabelos escuros, num vestido esvoaante, era muito real.
Ele nem se espantou com a apario j que sua vida no era mais a mesma de uns tempos para c. Assim, voltou para o espelho aquele seu olhar descrente que sempre funcionava em seu trabalho na rua.
	Bem  ele desafiou , o que vai ser? Voc est aqui para garantir meu maior desejo? Ou vou experimentar meu maior medo?
Ela no respondeu. Mas ele j sabia disso.
	Voc deve saber que no preciso de sua garantia. Pelo menos no agora. Ando muito ocupado ultimamente.
	Primeiro,  essa investigao sobre Alexandra Romanov. Est ficando cada vez mais difcil. Mas vou at o fim. Sou muito persistente.
"Assim como quero Diana para mim e vou lutar at consegui-la", ele pensou, imaginando se o fantasma de olhos tristes podia ler seu pensamento.
	Em segundo lugar, j tenho a fantasia de duas mulheres para me deixar louco. No tenho certeza se aguento mais uma.
	Ento, querida, sem querer ofender, por que voc no volta para seja l onde for o lugar onde os fantasmas vivem, e tenta uma outra vez?
De novo, no obteve nenhuma resposta. Mas Brad percebeu que os lbios dela se curvaram num sorriso. Depois, como que atendendo seu pedido, desapareceu.
	Brad, cara, voc est ficando doido!
Brad levantara cedo demais. Tinha ainda duas horas pela frente antes de sair para o aeroporto. Precisando dar vazo  sua frustrao sexual, ele vestiu short, camiseta, colocou um par de tnis e foi correr. Voltou mais de uma hora depois, molhado de suor, o corao batendo num ritmo acelerado, o sangue correndo forte pelas veias.
Infelizmente, o exerccio forado no fora suficiente para afastar Diana, nem mesmo aquela Alexandra Romanov de sua mente.
Ele queria Diana com desespero. Do mesmo modo que ela o queria. O momento de t-la em seus braos por uma noite toda estava chegando. A ansiedade da espera o estava matando.
Agora que ela estava livre do compromisso com Sturgess, iriam fazer amor naquela viagem. Nada os impediria. Durante a viagem deles para a Grcia, a paixo que queimava entre os dois desde o incio explodiria. Era a concluso lgica. A certeza que seu corao pressentia. E temia.
Foi o brilho do sol da manh entrando pela janela que a acordou. Com a cabea estourando, Diana gemeu e puxou o travesseiro sobre a cabea.
	Linda e brilhante  Brad falou calorosamente.
	V embora  disse, a voz abafada pelo travesseiro.
	Posso ir. Mas voc vai quebrar seu recorde de nunca ter perdido um vo.
A ideia de passar horas numa longa viagem a fez gemer.
	Por que voc no me parou a noite passada?
Oh, mas ele impedira algo muito mais perigoso que champanhe. Apesar do esforo que lhe custara.. Ser que ela no se lembrava do que acontecera depois do champanhe?
	Voc j tinha bebido o suficiente quando cheguei. Bem que tentei, mas voc insistiu em continuar.
	Eu estava tentando afogar Alan  ela falou, lembrando de como descobrira o ex-noivo com outra.
	Deduzi isso por mim mesmo. Se voc tivesse perguntado, eu teria dito que no funcionaria.
Ela afastou o travesseiro e abriu os olhos. Tentou se levantar, mas as marteladas em sua cabea eram muito fortes.
	J usou esse mtodo antes, ? J tentou esquecer um monte de mulheres com a bebida, no foi?  Ela molhou os lbios secos com a lngua.
	S uma.  Ele inclinou-se e afastou os cabelos dela do rosto com uma mo e ofereceu um copo com a outra.  Fiquei com uma ressaca to forte como a que voc est tendo agora.
E sabe o que aconteceu?
	O qu?
	Ainda no consegui tirar voc da minha cabea.
A confisso simples e espontnea, que ela sabia no ser uma simples tentativa de seduzi-la, fez seu corao disparar. Como seja no bastasse o calor que sentia toda vez que aquele homem estava por perto, a mistura perigosa entre sonhos e fantasias, os desejos mal realizados, ele ainda tinha que ser assim to romntico quela hora da manh?
	Brad...
	No se preocupe.  O sorriso dele era quente e amigvel.
Como a mo que lhe afagava os cabelos.  No estou te forando a nada, Diana. No at que voc esteja pronta.  E, pela expresso dela, ele soube que no esperaria por muito mais tempo.  Beba isto. Vai ajudar.
Ele olhou para o lquido escuro com desconfiana.
	O que  isso?
	Uma antiga receita para ressaca.
	Parece horrvel.
O gosto  mesmo horrvel, mas funciona. Confie em mim.
Ela confiava. Mais do que para a cura de uma simples ressaca. Pegou o copo e experimentou o lquido.
	Que horror! O que voc ps aqui?
	Voc no gostaria de saber.  Ele sorriu.  Vamos, chefa. Beba tudo. Depois tem caf pronto.
Fechando os olhos, ela pegou o copo com as duas mos e engoliu aquela horrvel mistura de uma s vez.
	Acho que vou morrer  ela queixou-se, deitando de costas sobre o travesseiro e fechando os olhos.
Incapaz de resistir ao rosto plido, ele sentou-se na beira da cama e correu as costas da mo pelo rosto dela.
	Ele no vale tudo isso.
	Eu sei.  Ela cobriu os olhos com a mo.  Foi estupidez minha. Mas eu estava com muita raiva e precisava desafogar tudo.
Vendo a dor nos olhos escuros, ele comeou a massagear-lhe lentamente a tmpora.
Diana sentia a curiosidade dele em saber o que se passara.
	No quero falar sobre isso. No agora.
	Tudo bem.  Ele abaixou a cabea e depositou um beijo leve na testa franzida dela.  Como voc fez questo de afirmar por diversas vezes, voc  a chefe.
Antes que ela pudesse perceber suas intenes, Brad tirou-a da cama e a carregou at o banheiro. Ele pensou em despi-la da camisola, mas achou que no era to forte assim. Ainda segurando-a em seus braos, ele ligou o chuveiro.
	Droga, Brad!  Diana gritou quando ele a colocou em baixo da gua.  O que voc acha que est fazendo?
	Cuidando para que voc no perca seu avio.  Ele procurou fechar os olhos para no ver como a roupa molhada colava ao corpo sensual.  Voc vai me agradecer por isso quando encontrar sua Natasha.
	Se eu no te matar primeiro  Diana murmurou em resposta.
Ela no falou mais que duas palavras durante todo o vo para Nova York. Ficou o tempo todo reclinada em sua poltrona de primeira classe, com os olhos fechados. Brad deduziu que sua indisposio para conversas se devia mais  ressaca do I que  irritao pelo comportamento confessadamente chauvinista dele naquela manh.
Quando pousaram no aeroporto Kennedy e pegaram um nibus para o terminal internacional, Diana estava comeando a se sentir como um ser humano outra vez.
	Estou morrendo de fome  ela anunciou, depois de ficarem sabendo que o vo deles iria atrasar uma hora.
	Claro. Voc no comeu nada o dia todo.  Ela recusara tudo que lhe fora oferecido durante o vo, s comendo um pozinho por insistncia dele.
	Eu estava com medo de acabar vomitando aquela gororoba que voc me fez beber esta manh.
	Voc ainda est viva  ele constatou.  E a cor do seu rosto est de volta.  Ele inclinou-se e tirou os culos escuros que ela estava usando desde que deixaram o hotel, seis horas atrs.  E suas olheiras desapareceram.
	Admito que estou me sentindo bem melhor. Bem o sufi ciente para um hambrguer com batatas fritas.
	Aqui?
	No temos tempo para dar uma corrida at Manhattan e tomar uma sopa no 21.
	Voc est certa.
Uma das coisas que Brad mais gostava em Diana era sua simplicidade. Mesmo tendo nascida rica, ela no era esnobe. Ele, que detestava mulheres que mal tocavam na comida, parecendo estar em dieta permanente, ficou feliz por descobrir que Diana no era assim.
	Voc estava mesmo com fome  ele comentou depois que ela comeu um cheeseburger, batatas fritas, coca-cola e uma torta de ma.
	Morrendo  ela repetiu. Estava se sentindo gente pela primeira vez naquele dia.  Mas eu sempre como muito bem. As vezes, penso que devo cuidar do meu peso, mas a vontade fala mais alto.
	Gosto de mulheres que comem bem  Brad afirmou, enquanto limpava uma mancha de catchup no canto da boca de Diana.  E quanto ao seu peso, por que voc no me encarrega de vigi-lo?
Ele olhou para ela por longos momentos.
	Acho que no  justo eu cobrar pelos servios que voc me contratou. Afinal, olhar para o seu corpo  um dos meus passatempos favoritos.
Estava acontecendo outra vez! O resto do terminal desapareceu, as vozes sumiram, os anncios de vo pareciam vir de outro planeta. Ela e Brad pareciam ser as nicas pessoas no aeroporto. No mundo. No planeta.
	 melhor procurar nosso porto de embarque.  A voz calma de Diana contrastava com o turbilho de emoes que estava sentindo ante aquele olhar.
	Tambm acho.  Ele inclinou-se e tocou levemente os cabelos sedosos.  Voc  adorvel!
Os olhos azuis hipnotizavam, seduziam. O que sentia por Brad estava longe de ser uma coisa segura, tranquila. Mas nada a impediria de ir at o fim, mesmo sabendo dos perigos que uma relao assim to forte poderiam trazer.
	Mesmo com ressaca?  ela perguntou com uma casualidade estudada que no enganou Brad nem por um momento.
	Mesmo assim. Sempre.
Mesmo estando em um lugar pblico, Diana no podia deixar passar essa declarao sem um desafio.
	Voc me desaponta, Brad  ela falou e ficou esperando pela reao dele. Ele levantou as sobrancelhas, mostrando que no entendera.  Pensei que voc fosse diferente. Que conseguisse ver alm da imagem de Hollywood.
Ele riu, porque quando a conheceu sentira exatamente isso. Que ela no passava de mais uma mulher fatal de Hollywood. Sem contedo.
Depois, com o passar do tempo, acabara descobrindo que Diana Fielding era muito mais que s uma cara bonita. Descobrira o fantstico ser humano que havia sob o corpo voluptuoso, desenhado para o pecado. E descobrira tambm que estava irremediavelmente perdido.
Ela empertigou-se.
	No sabia que tinha contado uma piada.
	Voc no contou.  O tom foi suave, o olhar calmo, profundo e terno.
Diana tinha a estranha sensao de que Brad a conhecia a vida toda, conhecia todos os seus defeitos e a amava mesmo assim.
No. Ele no a amava. Ele a desejava. Havia uma enorme diferena.
	Admito que te desejei desde o momento em que te conheci  ele falou, sem saber que estava confirmando os pensamentos dela.  Tambm te quero mais a cada minuto, cada dia, cada momento. Mas h muito mais do que isso. Me preocupo com voc, Diana. Mais do que eu planejei. Muito mais do que deveria.
A mo direita dela estava no colo. Ele a cobriu com a dele.
	Voc. No a maior estrela dos Estdios Xanadu, mas a mulher sexy, inteligente, bondosa, que existe por baixo de todo esse brilho e falatrio.
O modo simples- como ele fez essa afirmao, a sinceridade no tom de voz, deram a Diana a certeza de que ele falava a verdade. Brad era direto para tratar com as pessoas. Era honesto e sem rodeios.
Ela virou a mo e entrelaou os dedos nos deles. No disse uma palavra. No havia necessidade.
Horas mais tarde, depois de finalmente terem pousado em Atenas, Brad ligou para seu contato grego.
	Natasha est em Seriphos  ele disse a Diana, que estava esperando com a bagagem no saguo do aeroporto.
	Otimo.  Ela passou a mo pelos cabelos.  Se voc me disser que ela est a caminho da Amrica, vou me jogar do topo do prximo templo.
Apesar de ter dormido um pouco durante o vo, Diana estava cansada e no disfarava. Havia sombras escuras sob os olhos e a palidez voltara ao seu rosto. Mesmo assim estava magnfica.
	Estamos com sorte.  Brad falou enquanto beijava cada dedo das mos delicadas.  O iate em que est viajando estava ancorado em Mykonos.
	Estava?
	Estava. Agora esto indo para Aegina. Devem chegar dentro de algumas horas.  Ele beijou-lhe os pulsos.  Precisamos s de trinta minutos para chegar at l.
Diana estava exausta, frustrada e excitada pelo toque dele.
	O que voc acha que devemos fazer enquanto esperamos?
	Encontrar um lugar para ficar. Comer alguma coisa. Tirar uma soneca, talvez.  Ele abaixou a cabea e deu-lhe um breve e doce beijo.  Depois disso, tenho muitas outras sugestes. Ele disse com o sorriso mais sedutor que Diana j vira.
	Sei que tem.  Diana tinha bom senso o suficiente para evitar que Brad continuasse olhando-a daquele modo, tocando-a, beijando-a. E pior, em pblico. Levantou-se.  Vamos.
Uma cama agora seria o mximo.
Brad pegou as malas e a acompanhou.
	Exatamente o que eu quero.
No sculo V, d.C, a antiga porta de Pireus, tinha sido lugar para atracamento das galerias das frotas de Atenas. Hoje estava cheia de iates e cruzeiros. Diana e Brad preferiram um pequeno barco ao ferry-boat.
A ilha de Aegina, nome da deusa grega da conquista, estava banhada por um benevolente sol da tarde.
Casas muito brancas cobriam as colinas mais prximas, com telhados j esbranquiados pela ao do tempo, agora brilhando ao sol. As portas e janelas pintadas de vermelho-escuro, azul safira ou verde-esmeralda, constituam um lindo contraste.
	Isto  lindo!  Diana exclamou assim que desembarcaram.
	At parece que voc nunca esteve na Grcia antes.  Brad comentou enquanto a conduzia, atravs dos barcos cheios de verduras e vegetais coloridos da doca, para uma carruagem do outro lado da rua.  Voc no falou que j esteve aqui?
	Estive, mas muito tempo atrs. Vim a trabalho e no visitei esta ilha'. Eu tinha quinze anos de idade e fiquei em Creta  ela informou, assim que se sentou na carruagem.  Estivemos l durante trs semanas fazendo um filme para adolescentes.
O sorriso dela era mais brilhante que o sol sobre o Mediterrneo.
	Deve ter sido divertido.
	E foi. Lembro que havia um garom lindo no hotel. Seu nome era Nikos. Nikos Dasskalakis.
	Rapaz de sorte.
Seria cime o que ouviu na voz dele?
	Agora sei como fui petulante. Flertei com o cara descaradamente, tentei todos os truques femininos que conhecia mas ele, apesar de gentil, no correspondeu ao meu assdio. Ento, na vspera de nossa volta para os Estados Unidos, num ato de desespero de adolescente, eu o segui. Tive a louca ideia de me esconder em algum lugar at que ele fosse para a cama, depois entrar e... atacar.
Brad prendeu-lhe a mo entre as suas.
	E o que aconteceu, Nikos foi seduzido afinal?
Diana riu. Um som rico, profundo, musical.
	Descobri que ele no morava sozinho. A mulher dele devia ser uns dez anos mais velha que eu e muito, muito mais sexy. Ela o recebeu com o beijo mais quente que eu j tinha visto em qualquer filme. Voltei para o hotel e passei a noite inteira chorando.
	Mas sobreviveu.
	Claro. Sempre sobrevivo.
Os olhos deles se encontraram e Brad soube que no estavam mais falando da antiga paixo dela pelo garom grego.
	H um coisa que eu preciso saber  Brad comeou com cautela.  Sobre a noite passada.
Diana ficou tensa. Desviou o olhar, fingindo um sbito interesse pelas pessoas que passavam.
	No quero falar a respeito.
	Eu sei. E sei tambm que no  da minha conta. Mas tem uma coisa que est me deixando louco desde que a encontrei se afogando em champanhe ontem  noite. E quando eu a beijei, voc correspondeu. Voc me beijou como se quisesse muito me beijar.
Ele pegou o rosto dela entre as mos e fitou os olhos escuros por um longo momento.
	Foi s mais uma briguinha entre namorados ou foi para valer?
Cait uma vez lhe dissera que o nmero de confisses obtido por Brad era o maior do seu departamento. Se ele olhasse daquele jeito para quem estivesse interrogando, podia muito bem entender seu sucesso.
	Est tudo acabado.
Ele leu a verdade nos olhos dela. Mas queria saber mais.
	S mais uma coisa.
	Brad...
	Responda.  Os dedos dele acariciaram-lhe o rosto. Por favor?
Brad era tambm o homem mais forte, mais obstinado que ela jamais encontrara. Diana suspeitava que ele no estava acostumado a pedir nada para ningum.
	O que voc quer saber?
	Quem terminou? Voc ou ele?
	Eu.
	Por alguma coisa que o cara fez? Ou por que voc decidiu que no queria ser a mulher de um gravatinha, egosta, um esnobe caador de status social?
Para esclarecer tudo de uma vez e encerrar aquele assunto, Diana decidiu falar.
	Tudo bem. Vou contar o que aconteceu a noite passada. Depois nunca mais quero ouvir o nome daquele homem.
	Combinado.
Enquanto a carruagem seguia pelas ruas estreitas e tortuosas da pequena villa, Diana contou a Brad os motivos que a levaram a namorar Alan, a planejar casar-se com ele; sobre as dvidas que surgiram nos ltimos tempos sobre seus sentimentos por Alan; sua deciso de ir at a casa dele a noite anterior para provar para si mesma que seus medos eram causados unicamente pela insegurana que atinge toda noiva antes do casamento.
Relatou tambm como encontrou Alan com Brittany, como o homem com quem estivera to perto de comprometer-se a passar o resto de sua vida com ele tinha afirmado que sua infidelidade no precisava interferir no plano de casamento deles.
	Ele teve a coragem de jogar a culpa em mim.
Nada do que ela contara sobre a infidelidade de Alan surpreendera Brad. Apesar de saber que era antitico, depois de conhecer Diana, no resistira e investigara por conta prpria a vida de Sturgess. Ele sabia que o caso com a outra mulher j durava um bom tempo.
Inmeras vezes tinha pensado em contar a Diana sobre a traio de seu noivo, mas no queria conquist-la usando essa ttica. Queria que ela o procurasse por ela mesma, por gostar dele e no por qualquer coisa que tivesse feito ou dito.
	Ento o cara  um verme. Voc teve sorte por ter descoberto tudo antes de entrar na igreja outra vez.
Os olhos deles encontraram-se e Diana soube que uma vez mais estavam pensando na mesma coisa. Seu corao comeou a bater mais forte ao lembrar-se de que quando entrava na igreja a caminho do altar para casar-se com Alan, sua mente no se desviara de Brad nem por um minuto, trocando com ele ideias que no saberiam repetir depois. As mensagens que suas mentes trocaram no podiam ser traduzidas em palavras.
"Voc no pode fazer isso", os tempestuosos olhos dele lhe diziam.
"Tenho que fazer", os dela respondiam. Diana lembrava-se agora de que estivera inexplicavelmente prxima das lgrimas.
"Voc no tem que fazer nada", os dele tinham afirmado numa chama de paixo. "Vamos comigo. Agora".
"No posso."
"Voc pode." Ele tinha prendido o olhar desesperado dela com a fora total de sua vontade.
No tinham dito uma nica palavra em voz alta. No fora
necessrio. Mesmo o relacionamento dos dois tendo se mantido at ento num nvel puramente comercial, Diana se sentia presa a ele.
Antes que cedesse ao forte apelo de Brad, um terremoto inesperado ps fim  cerimnia que nem chegara a comear.  Agora, sentada ao lado dele numa carruagem, naquela adorvel ilha banhada de sol, Diana sabia que devia a Brad a verdade.  H uma coisa que voc precisa saber  ela falou baixinho.  Fui l a noite passada, com aquela garrafa de champanhe, para seduzir Alan.
Mesmo no sendo o que queria ouvir, Brad esperou pelo resto da histria.
Diana o observava com cuidado, no conseguindo ler nenhuma emoo no semblante tenso e forte. Invejou essa capacidade dele. Ela, mesmo sendo uma atriz, quando se tratava de sua prpria vida, jamais conseguia representar. E, naquele momento, sabia que suas emoes estavam escritas em seu rosto.
	Eu queria, queria no, precisava provar uma coisa para mim mesma.
Os dedos dele ainda estava segurando seu rosto.
	Eu precisava descobrir se conseguia sentir por Alan o mesmo que sentia por voc desde o comeo.
	Voc tem ideia  ele perguntou, o alvio soando em sua voz rouca, a tenso deixando seu rosto  de quanto tempo esperei para ouvir o que voc acabou de me dizer?
	Tenho.  Os lbios dela tremeram. Lgrimas inundavam os expressivos olhos escuros.  Cada agonizante segundo de tempo que estive com medo de dizer isso para voc. Ou para mim mesma.
Dominada pela forte emoo que os envolvia, Diana fechou os olhos. Quando os abriu, Brad leu neles alvio, desejo e preocupao.
	E agora, que rumo seguimos?
	Sinceramente no sei.
Se estivessem falando das prximas horas, a resposta bvia seria para a cama. Mas ela se referia  vida dos dois. Ao relacionamento deles. Apesar de o maior desejo de Brad ser o de dormir com ela em seus braos, cobrir seu rosto com beijos e prometer uma vida inteira de felicidade, sua honestidade para com ela o fez ser cauteloso.
Como fazia muito tempo que a tinha beijado, Brad abaixou a cabea e colou seus lbios aos dela.

CAPITULO V

O beijo a deixou sem ar. As mos dele acari-1 ciavam-lhe os ombros. Permaneceram abraados, sem falar, at chegarem ao hotel. Bastava a companhia um do outro.
Apesar de bem prxima de Atenas, a pequena ilha de Aegina possua um tranquilo charme campestre.
O hotel ficava localizado no topo de uma colina, com vista para o belssimo mar azul. Plantas e flores alastravam-se pelas paredes brancas. No centro do ptio uma enorme fonte de pedra.
	Como  lindo aqui!  Diana exclamou entusiasmada, inspirando profundamente o ar impregnado de fragrncia de laranjas e limes.  Como voc descobriu o lugar?
	Connor me deu uma lista dos melhores hotis em cada ilha.
Era tpico de Connor Mackay fazer o papel de cupido, Diana pensou sorrindo.
	Afinal  Brad falou, provando mais uma vez sua incrvel capacidade de ler a mente dela , todos esperam que ns, finalmente, faamos amor nesta viagem.
	Eu sei...
Estavam subindo um ngreme e estreito caminho forrado com calcrio. Brad parou e olhou para ela.
	E voc sabe tambm que no so s eles que esperam isso, no sabe?
A resposta brilhou nos olhos expressivos de Diana.
	Sim.
	Voc tem ideia da intensidade do meu desejo? Da vontade e da necessidade que sinto de levar voc para um quarto, para a cama, e passar o resto do dia me deleitando com seu corpo adorvel?
Com seu olhar mais provocativo, Diana perguntou:
	E o que o est impedindo?
Ser que ela sabia os efeitos daquele olhar sobre um homem?
	Esperei uma eternidade por este momento  Brad afirmou, enquanto a conduzia at a sombra de uma laranjeira cheia de botes.
Ela passou os braos em volta do pescoo dele.
	No posso pensar em outra coisa que eu queira mais.
Brad sabia que aquelas doces palavras jamais tinham sido ditas por ela a um homem. Incapaz de resistir  tentao, ele a beijou outra vez, um beijo profundo, que pedia por mais.
	Quero que hoje voc vista seu vestido mais sexy. Voc trouxe um, no trouxe?
	Claro.
	Ento vou lev-la at a cidade  ele continuou , para um jantar  luz de velas, sob as estrelas, regado a champanhe, com um violinista cigano tocando uma balada romntica enquanto acaricio suas pernas sob a mesa.
	Parece que vai ser uma noite maravilhosa.
	Isso, amor,  s o comeo.  Ele passou a mo pelos cabelos dela e imaginou, pela milsima vez, como seria sentir aquelas mechas enroscadas nos plos de seu peito.  Depois do jantar, vamos danar. Quero segurar voc em meus braos e sussurrar loucas promessas de amor em seus ouvidos.
	Gostei muito desta parte.
Ele abaixou a cabea, at que seus lbios quase tocassem os dela.
	E eu no esperava outra coisa.
Sentindo-se livre como h muito no sentia, ela riu.
	E depois?
Ele pegou o rosto dela entre as mos, acariciando-lhe as mas com os polegares.
	Que tal uma longa caminhada ao longo da praia, sob a luz do luar?
O toque dele fazia-lhe o sangue correr mais forte.
	E depois?
Ele a levaria de volta para o quarto, tiraria vagarosamente o vestido e beijaria cada pedao da pele quente e suave. Queria tudo que ela pudesse lhe dar. Tudo e ainda mais. E depois de um levar o outro  loucura, ele se perderia no corpo suave e receptivo de sua amada, faria amor com ela a noite toda.
E depois comearia tudo outra vez.
Seu olhar ardente moveu com delicioso vagar, deixando um rastro de fogo por onde passava. As mos percorreram o pescoo de pele macia, os ombros delicados, os braos, at alcanarem os dedos pequenos, entrelaando-os nos seus. Depois, Brad a puxou para mais perto, at que os seios fartos tocaram os msculos rgidos de seu peito e as pernas se amoldaram s suas.
	Que tal deixarmos a natureza tomar seu curso?  ele sugeriu.
O olhar, as palavras, os toques tentadores, tudo conspirava
para faz-la quase esquecer por que exatamente tinham ido at a Grcia.
	E Natasha?  ela perguntou com voz fraca.
 Pelo que ouvi, ela est amando seu escritor grego.
Sua Diana era to bonita, Brad pensou. E to adoce. E agora, surpreendentemente, com Sturgess fora da jogada, era toda dele. E o que quer que acontecesse com sua investigao, ele no tinha inteno de deix-la sair de sua vida nunca mais.
	Pelo que voc me disse, ela ficou poucos dias em cada lugar, desde que veio para a Grcia naquele cruzeiro  Diana ressaltou.  E se ela partir outra vez antes que a encontremos e perguntemos sobre Alexandra e Patrick?
	Voc tem razo. Vamos entrevist-la to logo o iate atraque. Depois, o que quer que acontea, o que quer que ela tenha a contar sobre nossos amantes, vou te levar para jantar.
	Sim.
	E danar.
Ela no conseguia negar mais nada quele homem.
	Sim.
	E depois...
	Oh, sim.  Ficando na ponta dos ps, Diana pressionou seus lbios sorridentes contra os dele. O beijo foi doce, longo e delicioso.  Sim, sim, sim. Para tudo.
	Os passarinhos pousaram.
Apesar de o aeroporto estar deserto, o homem que tinha seguido Diana e Brad desde Los Angeles manteve a voz baixa enquanto fazia sua ligao internacional.
	Claro que no me viram. Esto muito envolvidos um com o outro para notar qualquer coisa.
	Mas se  assim, quais so as suas chances?
	No se preocupe.  A voz dele endureceu ao ouvir a censura vinda de Los Angeles.  Ele vai deix-la sozinha em algum momento. Vou estar por perto, pode ficar tranquilo.
Ele desligou e sorriu. Um sorriso maldoso.
Como era muito cedo para jantar, especialmente num pas onde os restaurantes no abriam antes das nove, Brad e Diana, depois de deixarem a bagagem no hotel, decidiram gastar o tempo dando uma volta pela cidade.
Num jipe alugado, por entre as ruas estreitas, dirigiam-se para o famoso templo da ninfa Aphia. S a viso das mos morenas segurando o volante fazia Diana imagin-las sobre seu corpo. E sua expectativa aumentava.
Nas tavernas, homens sentados em mesas rsticas do lado de fora, bebiam caf e jogavam tavli, uma espcie de gamo.
O templo ficava no topo de uma colina, com vista para o Golfo Saronic.
	Aqui diz  Diana leu num guia que tinham comprado na cidade  que este templo, com o Partenon e o Poseidon em Sounion, formam um tringulo equiiateral.
	Fascinante.
Sua ateno estava em Diana e no nas runas da construo de pedra. Usando um vestido simples, vermelho e sem mangas, que revelavam as pernas mais sensuais que Brad j vira, ela estava mais atraente do que nunca.
Percebendo um tom diferente na voz dele, Diana levantou os olhos do livro e viu confirmadas suas suspeitas.
	Eu estava me referindo ao templo.
Brad encolheu os ombros.
	Dizem que a beleza est nos olhos de quem v.  E nada naquela ilha superava Diana neste quesito.
Voltando sua ateno para o texto, ela relatou:
	As esculturas que esto faltando foram compradas em 1813 pelo rei Ludwig I, da Bavria... Brad, voc est me ouvindo?
	Cada palavra  ele assegurou, quando, na verdade, pensava sobre o que ela estaria usando sob aquele vestido justo.
	Foi voc quem sugeriu o passeio.
	Eu sei. Mas ento eu no sabia que os gregos jantavam tarde. As horas parecem no passar. Estou contando cada minuto e parece uma eternidade.
	Ainda podemos mudar nossos planos.
Por alguma estranha e inexplicvel razo, Brad descobriu-se pensando em como Patrick e Alexandra tinham feito amor minutos depois de se conhecerem. J ele e Diana aguardavam aquele momento por meses, numa crescente ansiedade. Brad queria que o ato fosse num momento mgico, para ser lembrado pelo resto de suas vidas.
	So s mais algumas horas, amor. Acho que posso aguentar. Se voc colaborar.
Diana riu.
	Longe de mim arruinar seus planos.
Ele riu, um riso rpido, sexy, que fez o corao dela dar um salto.
	No se preocupe. No que concerne a voc, meus planos so inesgotveis. So milhes de fantasias para serem realizadas.
Assim que voltaram para o hotel, Brad ligou para seu contato outra vez.
	Houve um pequeno problema  ele virou-se para Diana.
	Sabe que isso no me surpreende? Ela est indo para alguma outra ilha?
	No, est vindo para c. Mas houve um atraso na sada.
Devem aportar depois da meia-noite.
	Oh!  O desapontamento de Diana foi provocado muito mais pela interferncia nos planos deles do que pelo adiamento do encontro com Natasha.
	No podemos esquecer que Natasha tem mais de oitenta anos. Mesmo uma pessoa ativa como ela precisa descansar um pouco. Acho que  melhor adiarmos para amanh de manh nossa entrevista.
	Melhor mesmo. Ela vai estar mais descansada e com a memria mais fresca.
	Tem sentido  Brad concordou.  Enquanto isso, vou tomar algumas providncias. Voc vai ficar bem sozinha?
	Fique tranquilo.  Ela planejava preparar-se com esmero para o que sabia ser a noite mais importante de sua vida.
	timo.  Ele deu-lhe um leve beijo.  Baterei  sua porta s nove em ponto.
	Vou estar esperando.
Ele sorriu enquanto a conduzia at a entrada do chal. O beijo que trocaram foi longo, quente, antecipando as delcias que viriam depois.
Com relutncia, Brad saiu para seus compromissos.
Ansiosa demais para ficar tanto tempo trancada dentro do quarto, Diana decidiu caminhar pelas docas e comprar algumas flores. E algumas velas tambm, ela pensou, olhando em volta. Ainda sobraria tempo para um longo banho antes de Brad voltar. Aquela noite seria muito especial. Por isso queria dar ao quarto um clima romntico.
E nem precisava preocupar-se com isso, ela pensava, enquanto aubia a colina, com uma sacola de compras na mo. Toda ilha transpirava romantismo.
A brisa perfumada embaraava-lhe os cabelos e o sol que se punha no Mediterrneo aquecia-lhe o rosto. Diana no se lembrava de ter se sentido mais feliz.
Ela ouviu o som do motor de um carro aproximando-se e voltou-se na esperana de que fosse Brad. O sorriso morreu em seus lbios quando percebeu que no era o jipe que tinham alugado. O motor do velho carro protestava contra o motorista que o forava ao mximo.
Ela caminha pela beirada da estreita rua para dar espao ao apressado motorista, quando ouviu o som insistente de uma buzina. Olhando para trs, percebeu, numa frao de segundo, que o carro vinha direto sobre ela.
Enquanto dirigia de volta ao hotel, Brad no pensava no trabalho. Pensava em Diana. E na tarde romntica que acabara de providenciar. Preso na teia de fantasias sensuais, ele mal percebia o velho carro que ia  sua frente.
Como velhos instintos nunca morrem, mesmo assim ele notou que a caminhonete no tinha placa. Talvez o fato no fosse to estranho assim na ilha, ele deduziu. O carro estava "batendo as latas" como diriam seus amigos.
O que parecia mais estranho era que o veculo estava indo rpido demais para suas condies precrias e pelo local por onde trafegava.
Logo depois de uma curva fechada, o corao de Brad foi parar na garganta.
Acabava de ver Diana caminhando pela estrada. E a caminhonete indo na direo dela. Meteu a mo na buzina e pisou fundo. O tempo pareceu parar enquanto ele assistia a ao do assassino se desenrolar.
Por um breve momento, que lhe pareceu uma eternidade, Diana parou, assustada, incapaz de se mover. Incapaz de respirar. Quando o som da buzina do jipe a tirou da paralisia, ela soltou a sacola de compras, virou-se e comeou a subir desesperadamente o barranco. Caso contrrio, a caminhonete passaria por cima dela.
O corao ameaava estourar dentro do peito. Escorregando, ela quase caiu bem debaixo do velho carro. No ltimo momento, seus dedos agarraram uma raiz e ela conseguiu, por muito pouco, segurar-se e livrar-se do carro.
O motorista forou mais ainda o motor e continuou a subir. Logo atrs, com urna freada forte, Brad parou o jipe ao lado dela e saltou do carro como um foguete
	Voc est bem?
Ouvindo a voz dele acima das batidas ensurdecedoras de. seu corao, Diana olhou e viu medo torturando o rosto bonito de Brad.
	Estou bem.  Ela agarrou-se a ele, a voz trmula, mas surpreendentemente forte considerando as circunstncias.
	Vamos a um mdico.
	No  necessrio.  Ela o soltou numa tentativa de manter-se em p sozinha, mas acabou cambaleando e agarrando-se a ele em busca de equilbrio. 
	Viu s?  Brad perguntou enquanto a carregava at o jipe.  Este  um caso em que voc  voto vencido, chefa.
	Eu no disse que estava bem?  Diana falou a Brad quando estavam sozinhos no quarto dela, depois de terem passado pelo mdico.
	No custa nada checar.  Estavam sentados lado a lado na cama, ele acariciando a mancha escura no rosto amado.
Uma raiva fria, mortal, cresceu forte dentro dele quando pensou no quo perto chegou de perd-la.  Talvez fosse melhor se no sassemos esta noite.
At que no seria uma m ideia. Mas havia outra coisa a considerar.
	Voc pode estar correndo perigo.
	Imagine.  Inclinando-se, ela deu um beijo leve nos lbios dele.  No vou ficar amedrontada s porque um fazendeiro idiota no sabe dirigir.
	E se no for um fazendeiro?
Brad viu uma sombra passando pelos olhos dela e compreendeu que ela deveria estar pensado o mesmo que ele.
	Se no for  ela disse simplesmente , voc vai me proteger.
	Com minha prpria vida, se for necessrio.  Ele a puxou para seus braos e a beijou com uma paixo desesperada.
	Droga!  ela exclamou assim que o beijo terminou.
	O que foi?
Ela estendeu a mo para ele.
	Quebrei uma unha!
Apesar de no haver nada engraado sobre o que tinha acontecido, ou o que quase acontecera, Brad jogou a cabea para trs e riu.
O restaurante consistia numa pequena e simples taverna, localizada  beira do mar. O garom, Stravos, um homem forte e com enormes costeletas e bigodes, os conduziu at a mesa previamente reservada.
	Que lugar incrvel!  Diana exclamou, depois que o garom acendeu uma vela e os deixou com uma garrafa de vinho.
	Bem tpico do lugar.
Brad parecia muito contente consigo mesmo. E no era para menos, Diana pensou. O que poderia ser mais romntico para comear as fantasias da noite do que um jantar sob as estrelas, ao som das ondas do mar?
	Esta  uma outra sugesto de Connor?
	No. Fui eu mesmo quem o descobriu.
	Mas como? Voc no disse que nunca esteve na Grcia?
	Nunca estive mesmo. Mas lembre-se, sou um detetive.
	Voc  realmente incrvel.
Diana parecia no ter conscincia de seu efeito sobre os homens, Brad pensou. Ela  quem estava incrivelmente maravilhosa, naquele vestido branco sem alas que revelavam um pouco dos seios voluptuosos.
	S espero que amanh voc continue dizendo a mesma coisa.
	Tenho certeza de que voc no tem nada a temer nessa rea, Brad.
Ele tocou-lhe o rosto com um dedo.
	Vai ser maravilhoso, mas por sua causa. Pelo modo como voc me faz sentir.
O toque gentil, o calor do olhar que a envolvia, o romantismo que os cercava, tudo contribua para deixar Diana nas nuvens.
	Galanteador.
	 verdade.
A expresso dele ficou sria. Diana abaixou a cabea para esconder as emoes que ele lhe provocava.
Por que aqueles mesmos galanteios vindos de outros homens no a convenciam? Por que quando partiam de Brad pareciam totalmente verdadeiros? Talvez, Diana concluiu, porque as palavras dele encontravam eco dentro dela.
Diana nunca sentira por outro homem o que sentia por Brad Remington. E nunca sentiria. Sabia disso como sabia seu prprio nome.
O restaurante era simples, mas a comida soberba. O prato de entrada consistia em broto de abbora ao molho de narciso amarelo, tomate e organo. Nem Brad nem Diana tinham provado um prato to delicioso antes.
Seguiram-se travessas de saladas, molhos diversos, galinha cozida ao molho para Brad e peixe assado para Diana.
Observando Brad comer, Diana foi assaltada por um sentimento de j ter vivido aquela cena antes.
	No posso acreditar que voc nunca participou de um piquenique americano  moda antiga  Patrick comentou, pegando um pedao de frango assado da cesta. Estavam em sua fazenda em Wyoming, sentados num cobertor indiano, num campo coberto de flores azuis e amarelas.
	J te contei que fui privada de muita coisa em minha vida  Alexandra explicou. Ela observava os dentes fortes morderem a coxa do frango, lembrando como aqueles mesmos dentes tinham percorrido seu corpo na noite anterior, mordiscando a pele sensvel do interior de suas coxas. Sentiu uma onda de desejo to forte que quase a derrubou.
	Pobre menina.  Lendo um outro tipo de fome nos expressivos olhos escuros, ele jogou o frango de lado e a deitou sobre o cobertor.  Como posso te completar?
Ela passou os braos em volta do pescoo dele.
	Este  um excelente comeo  ela murmurou quase sem ar quando ele comeou a desabotoar-lhe a blusa.
	Diana?  Brad deixou o frango sobre o prato.  O que aconteceu?
Ele percebeu que ela ficara plida de repente e olhava fixamente para ele como se estivesse vendo um fantasma.
Diana forou-se a voltar ao presente. A imagem lhe parecera muito real. Ainda podia sentir as mos fortes e morenas de Patrick Reardon acariciando seus seios. Os lbios envolvendo um sensvel mamilo.
	No sei.
Os olhos escuros olhavam para o nada. As mos estavam geladas.
	Voc no est se sentindo bem? Ser que foi por causa do acidente de hoje?  Ele fez meno de chamar o garom para pedir a conta.
	No faa isso.  Ela sacudiu a cabea, tentando espantar os fantasmas.  Eu estou bem. De verdade.
A cor estava voltando ao seu rosto. As mos, presas s dele, comearam a esquentar.
	Foi alguma que eu disse? Ou fiz? A comida?
	No.
Como podia explicar que fora repentinamente arrancada do presente e levada para o passado? Como explicar que quando sonhava com Alexandra e Patrick, seus sonhos lhe pareciam reais demais? Como podia revelar que se vira fazendo amor com outro homem, um homem que estava morto h mais de sessenta anos, quando estava dominada pela expectativa de fazer amor com ele, Brad?
	Eu estava pensando sobre Alexandra e Patrick.
	Isso ocorre comigo tambm.
	Suas investigaes por acaso descobriram se um dia eles estiveram em Wyoming?
	Estiveram sim. Para o aniversrio do sexto ms do casamento deles. Alexandra queria conhecer a fazenda de Patrick.
Afinal, Diana compreendeu que, influenciada pelo clima romntico da noite, acabara por misturar a histria da viagem dos dois a Wyoming com seus prprios sentimentos por Brad.
Eu ia lhe contar esse detalhe da vida deles antes de sairmos para a viagem. Mas, quando cheguei no hotel voc j tinha bebida champanhe demais. Depois voc dormiu a maior parte da viagem de Los Angeles at a Grcia. E, quando chegamos aqui, gastei todo meu tempo planejando esta noite e acabei esquecendo dessa importante descoberta que fiz.
Diana j no se surpreendia mais com as coincidncias entre seus sonhos e seus desejos com o que acontecera com Alexandra e Patrick. Devia ser resultado de tanto empenho em realizar aquele projeto. Cansao misturado com ansiedade faziam-na extrapolar sobre muitas coisas.
	Como ento eu soube disso?
	No foi por meu intermdio.  Ele a olhou por um longo momento. Depois, como que escolhendo cuidadosamente as palavras, continuou.  Mas isso no quer dizer nada. No quando se referem aos dois.
	Voc est dizendo que...
	... j aconteceu comigo o que acabou de acontecer com voc. Tenho tido sonhos to incrivelmente realistas que no podem ser explicados pela lgica.
Diana queria perguntar a ele se durante aqueles sonhos ele era um simples observador ou o personagem principal. Porque ela entrava na pele de Alexandra. Seus sentimentos por Patrick eram to fortes como se fosse a prpria Alexandra. Diana sentia-se como que traindo Brad.
	Esta  a nossa noite, Brad. Por que no esquecemos um pouco Alexandra e Patrick?
	Concordo plenamente.

CAPITULO VI

O mar azul turquesa transformou-se num tapete escuro  noite. Estrelas brilhavam como diamantes sobre um manto escuro; a lua cheia espalhava um brilho prateado sobre a gua escura.
	Parece at que podemos ver Poseidon  Diana disse, enquanto caminhavam pela areia depois do jantar. 
	Montado em sua carruagem sobre as ondas, a espada apontada na direo da lua  ele concordou.  E se ele te visse, em p, aqui na beira do mar, o casamento dele com Amphitrite acabaria. Sendo um deus inteligente e viril, ele reconheceria o que eu j sei... que nem mesmo uma deusa chegaria aos ps de uma sereia como voc.
Enquanto ele a envolvia no crculo dos seus braos, Diana pensava se era o efeito da lua ou do vinho que tinha bebido durante o jantar que a fazia sentir-se assim to enfeitiada.
Mas no era nada disso. Era Brad.
Diana virou-se e olhou sria para ele.
	No preciso das palavras. S o fato de estar com voc j me torna a mulher mais feliz do mundo. 
	Pior para mim. Porque de repente senti necessidade de diz-las.
Os corpos colados, os coraes batendo em unssono.
	Nunca encontrei um homem como voc  ela falou mais para ela mesma do que para Brad.  A maior parte dos homens est sempre jogando, especialmente em Hollywood. Mas voc no.
	Nunca gostei de jogos. Sempre fui um homem direto.
Ouvia-se uma msica a distncia. Esquecendo completamente de onde se encontravam, eles comearam a danar. Quando Brad afastou algumas mechas de cabelo do rosto dela e beijou a pele sensvel atrs do lbulo da orelha, Diana sentiu seu sangue correr mais rpido.
	No sei por que, mas tenho a impresso que em alguns jogos voc deve ser muito bom.
	No estou jogando nenhum jogo, Diana. No esta noite.
No com voc. No com a intensidade do meu desejo.  Sua voz denunciava paixo. A luz plida do luar, seus olhos brilhavam com uma fome animal, o que fez Diana lembrar dos deuses antigos e selvagens que um dia dominaram aquelas terras.
Havia mais que desejo no rosto msculo. Sabendo que estavam  beira de algo muito mais importante do que uma simples troca de prazeres sexuais, Diana comeou a dizer que com ela ocorria o mesmo quando foram interrompidos por um grupo de msicos danarinos.
	Mas o que est acontecendo?  Brad ficou frustrado com a interrupo de um momento to romntico.
	 uma festa de casamento  Diana informou, percebendo um casal envolvido pelo grupo alegre e cantante. Quando estivera em Creta, o diretor tinha incorporado uma cena similar no filme que estavam rodando.
	Pois chegaram num pssimo momento.
	No seja um desmancha-prazeres. No era voc que queria uma noite romntica? O que poderia ser mais romntico do que um casamento?
Antes que ele pudesse responder, Diana foi arrastada pelo alegre grupo. Ela foi rpida e pegou a mo de Brad para lev-lo junto.
As pessoas, danando ao som da msica do bandolim, seguiram pelas ruas estreitas na direo da colina, para a mesma taverna onde Brad e Diana tinham acabado de jantar. Stravos, que cumprimentou os noivos com beijos esfuziantes, explicou a Brad e Diana que eram seus parentes.
Garrafas de vinho comearam a ser abertas. Um a um os convidados cumprimentavam os noivos. Sobraram Diana e Brad.
	Nossa vez.
	No sei o que dizer  Brad falou.
	Deixe comigo.  Entrelaando os dedos nos deles, ela aproximou-se do feliz casal.
	Kala Stefana  Diana disse para a morena e linda noiva.
Brad limitou-se a sorrir para a noiva e a apertar a mo do noivo.
A noiva respondeu em grego. Vrios voluntrios traduziram para Diana. Ela fora reconhecida e as duas famlias consideravam um honra ter a famosa estrela de Hollywood como convidada. Sorrindo, a me da noiva aproximou-se e disse:
	Ghia sas\ Bem-vinda!  Depois deu a Diana e Brad uma mo cheia de kouferta, amndoas aucaradas usadas tradicionalmente como oferta nos casamentos gregos.
Agora que tinha sido reconhecida, se Diana sasse cedo seria um insulto para a famlia. Assim, o momento de ficar sozinha com Brad foi adiado um pouco mais.
J eram quase duas horas da manh quando conseguiram sair sem ser percebidos.
	Que noite! Jamais vamos esquec-la  Brad comentou, enquanto voltavam para o hotel pelas ruas escuras e silenciosas.
	Espero que voc no tenha se importado. Depois que me reconheceram...
	No se preocupe, Diana. No tenho nenhum problema em ficar  sombra de uma famosa estrela de Hollywood.
	Alan tinha.  As palavras saram sem querer.
	Sturgess  um idiota. Mas voltando aos acontecimentos desta noite, no vou negar que eu no tinha outros planos.
Quando eu disse que gostaria de danar sob as estrelas, eu no imaginava que meu par tivesse bigode.
	Acho que se saiu muito bem  Diana disse, sorrindo ao lembrar-se de Brad danando na roda da dana tradicional dos homens.
	Ah, mas voc  suspeita para julgar.
	Provavelmente. Mas voc era o mais bonito de todos. E o melhor danarino tambm.
	Diana, voc faz bem para o ego de um homem. E, para falar a verdade, acabei gostando do programa.
	Foi divertido, no foi?  Diana pensou como teria sido diferente seu casamento com Alan.
	Foi divertido e no teve terremoto - ele concordou, revelando que pensavam a mesma coisa outra vez.  Por falar nisso, eu queria j ter perguntado, o que voc falou para a noiva?
Chegaram no pequeno e romntico hotel no topo da colina.
	Boa sorte.  um cumprimento tradicional para as noivas.
	O que ela disse para voc?
De repente, sem nenhuma razo aparente, Diana fingiu um enorme interesse pelo anjo pintado no arco sobre a porta.
	No tenho certeza.
	Voc sabe. Mesmo sendo uma famosa atriz, voc  um tremenda mentirosa, querida.
	E que neste pas o casamento  um completo ritual.
	O que ela disse, Diana?
Aquele era seu implacvel mtodo de interrogar suas vtimas, Diana reconheceu. E, para ganhar tempo, dedicou-se a procurar a chave do apartamento na bolsa.
	Diana?
	Tudo bem.  Estava provando o poder de persuaso de Brad.  Traduzindo ao p da letra, ela desejou o mesmo para mim. No meu prprio casamento.
Era uma tima ideia.
	Bela tradio! Acho que devemos pensar um pouco nela.
Colocando um brao sobre os ombros dela, ele convidou:
	Olhe para as estrelas.
Ser que ele tinha sugerido casamento?
	O que voc disse?
	Eu estava mostrando as estrelas. Aquela  a Estrela do Norte. E deste lado...
	Antes disso.
Ele a ignorou.
	Orion... Voc se lembra da histria de Dionsio e Ariadne?
Frustrada pela troca de assunto, e no querendo pression-lo, Diana tentou se lembrar das aulas de mitologia de anos atrs.
	Ariadne no  a filha de Minos, o rei de Creta?
	A prpria. Ela apaixonou-se por Teseu quando ele foi a Creta para matar o Minotauro.
	Ela lhe deu um novelo de linha para que ele pudesse achar o caminho e sair do labirinto  Diana continuou.  Ento, depois de matar o Minotauro, Teseu deixou Creta levando Ariadne com ele. Mas ele a abandonou em alguma ilha deserta, no foi?
	Em Naxos. Foi onde Dionsio a encontrou.
	Isso foi antes ou depois de beber com seus amigos, aqueles seres metade homens, metade bodes, e transar com todas aquelas ninfas nuas?
	, mas quando ele se apaixonou por Ariadne, casou-se com ela, para alvio de seu pai, j que sua filha fora publicamente abandonada por Teseu.
	Ela teve sorte ao descobrir o lado ruim de Teseu antes de casar-se com o homem errado.
	Exatamente o que penso. E ento, para provar o seu amor, depois da morte de Ariadne, Dionsio fez a constelao da Coroa Boreal da grinalda de casamento dela.
	Tornando-a imortal  Diana completou.
	Um pouco bno, um pouco desgraa.
	Voc no gostaria de viver para sempre?
Brad pensou por um momento.
	Acho que ia depender muito de com quem eu estivesse vivendo.
Os olhos dele brilhavam na noite escura. Ele pegou as mos dela e as levou aos lbios.
	O que eu disse antes, sobre querer voc... eu falava srio, Diana.
Uma onda de excitao, misturada com um pouco de medo, a percorreu. Ele estava srio.
	Eu tambm quero voc.
	Eu sei.  Ele respirou fundo, depois deixou o ar sair devagar. Brad no se lembrava de ter se sentido to tenso. Nem mesmo quando Cait e ele tinham corrido por uma viela escura atrs de trs integrantes de uma gang que tinha acabado de atirar em um motorista.
	Eu realmente quero voc  ela repetiu.  Mas quero que voc saiba que nunca fao sexo s por fazer.  Diana queria que ele soubesse que o que estava acontecendo com eles era especial. nico.
	Sei disso. Para falar a verdade, nunca precisei de uma mulher como preciso de voc. E no sei como posso lidar com isso.
A honestidade de Brad era uma das muitas razes por ela ter comeado a am-lo. Amar? Amor era uma palavra que os dois vinham evitando desde o comeo. Mesmo reconhecendo a fatalidade daquele sentimento que os envolvia.
Teriam muito tempo para conversar, Diana pensou. Naquele momento queria entregar-se a ele. Queria satisfazer a curiosidade e o desejo que a atormentavam desde que encontrara Brad.
	Voc est indo muito bem at agora.  O sorriso dela era um convite explcito.
A tenso provocada pela dvida deixou os ombros largos.
	E a noite ainda  uma criana.
Ele pegou a antiga e enorme chave de cobre da mo dela e abriu a porta.
O apartamento era pequeno mas aconchegante. As paredes brancas, as janelas azuis.
O apartamento tinha o cheiro de Diana. Brad se viu tomado de estranhas e poderosas sensaes.
	Voc  to linda!  Ele no cabia em si de felicidade ao pensar que entre todos os homens do mundo, Diana o escolhera. Passou os dedos pelos cabelos despenteados dela.Alguma vezes, como esta, por exemplo, quando voc olha para mim desse jeito, com o corao brilhando nos olhos, no sei o que dizer.
	No precisa falar nada, Brad. No preciso de palavras quando se trata de voc,  O olhar dela era franco. Os lbios tremiam um pouco.
Soltando um suspiro de alvio, ele abaixou a cabea e encostou a testa na dela.
	Sempre quis estar assim com voc.
	Eu sei. Porque tambm sinto a mesma coisa. Desde que te conheci.
Sentindo-se inexplicavelmente desajeitado, Brad desceu as mos at a cintura dela.
	Para mim foi como se um raio tivesse me atingido. Foi forte demais. E rpido demais.
As bocas se encontraram. Uma. Duas. Trs vezes. Os lbios dela eram macios como flocos de neve e inebriantes como usque. Brad sabia que nunca teria o suficiente dela.
	Eu estava com medo.
	De mim?
	No. Jamais.  Ela pressionou o corpo contra o dele.  Eu achei que estava ficando louca. Louca por querer isto.  Ele era to forte. To slido. To certo...  Louca por querer voc.
Brad sentia o sangue pulsando em sua cabea, em seu sexo. Que Deus o ajudasse. Ele queria ir devagar, queria ser gentil, mas tinha esperado tanto tempo! E seu desejo era to forte! E ele tambm no a imaginara assim to quente, to receptiva. Aquela boca vida o estava deixando louco.
Louco, desesperado para toc-la, ele abriu o zper do vestido e o fez cair no cho aos ps dela.
Diana fechou os olhos e balanou o corpo, gemendo selva-gemente quando ele pegou seus seios nas mos fortes, aquecendo-os, moldando-os. Ele provava a pele suave com os lbios, a lngua, os dentes.
Desejo. Paixo. Excitamento. A intensidade de tudo era ame-drontadora. Diana respondia ao convite enviado por aquelas mos sbias, pelos lbios vidos, cravando dedos impiedosos nos ombros largos, emitindo gemidos e suspiros. Brad saboreava cada nova sensao que despertava nela, absorvia a viso das inmeras emoes que cruzavam o rosto amado e emba-avam os olhos escuros.
Querendo ainda mais, ele escorregou os dedos para dentro da renda da calcinha minscula. E recebeu como resposta um gemido surdo e uma contrao das pernas longas e esbeltas quando tocou o centro de sua feminilidade.
Ansiosa por toc-lo tambm, querendo atorment-lo como ele estava fazendo com ela, ansiando por sentir pele contra pele, Diana abriu a camisa de Brad. Encostou-se nele, encaixando as suaves formas femininas contra a rigidez do corpo dele.
Com um gemido rouco, ele a conduziu at a cama. Sua boca capturou a dela, seduziu-a, levando-a mais e mais para o mundo da nvoa.
Quando a despiu da ltima pea, Brad percorreu um olhar faminto pelo corpo desejado. A pele cremosa brilhava como prola, os cabelos escuros espalhavam-se pelos ombros, os olhos continham mistrios insondveis.
 Como sonhei com voc assim  ele afirmou, deitando-se ao lado dela, absorvendo cada detalhe daquele corpo iluminado apenas pela luz fraca do luar.
Diana queria dizer que sonhara com eles assim tambm, mas no conseguiu falar, to fortes eram suas emoes. Os beijos molhados, espalhados por todo seu corpo, as mos sedentas, o cheiro do seu homem. Ela mal conseguia respirar. Dos seus lbios s saam gemidos de prazer e excitamento.
A boca atrevida procurou-lhe os seios. Quando os lbios se fecharam em torno do mamilo excitado e o sugaram, pequenas exploses correram dos seios at o interior de suas pernas. Quando ele pegou o outro mamilo entre os dedos e o massageou, Diana gemeu e arqueou o corpo contra o dele.
Brad no queria perder um s centmetro daquele corpo deslumbrante. Provou cada pedao da pele perfumada e soube
que nunca houve e nunca haveria uma outra mulher que combinasse to bem com ele quanto aquela.
Com um desejo que se igualava ao dele, Diana comeou a desabotoar-lhe o cs da cala. Brad afastou-lhe as mos inseguras. Apesar de ter sempre se orgulhado de seu autocontrole, de ter sempre se considerado um bom amante, Brad sabia que se permitisse que aqueles dedos curiosos tocassem seu sexo palpitante, no lhe restaria mais nada a fazer a no ser tom-la imediatamente.
E ele ainda no estava pronto. No do modo como queria estar. No sem antes fazer com el tudo que sonhara naqueles longos meses de espera.
O corpo macio, mido e sensvel clamava por ele. Diana abandonou as inibies, o controle, e se entregou. Suas mos agarraram-no pelos cabelos, forando a cabea dele para a parte inferior do seu corpo.
Brad acatou sua ordem com deleite.
Os dentes morderam suavemente o interior das coxas macias, arrancando um gemido mais forte. Ele a segurou pelos quadris, ergueu-a um pouco e sua boca encontrou a fonte do prazer.
A lngua vida encontrou e penetrou o centro do prazer feminino. Diana gritou e o primeiro orgasmo a atingiu. Antes que ela pudesse se recuperar, ele a conduziu outra vez s alturas, cada vez mais, at que ela chegou num patamar de gozo onde no havia mais nenhum degrau a subir. Brad extasiava-se em saber que podia proporcionar tanto prazer a ela. Diana estava quente, molhada e exausta. Mas ainda queria mais.
	Por favor.  Ela movimentou-se nos lenis, procurando fundir os corpos, ansiosa por t-lo dentro dela. No era uma splica. Era uma ordem.  Quero voc, Brad. Agora.
Ele a abandonou por alguns segundos para despir-se. No instante seguinte estava se posicionando entre as pernas acolhedoras, olhando para ela com uma intensidade feroz nos olhos azuis.
	Voc  minha.  Ele abaixou o corpo contra o dela. Em toda sua extenso. Coxas contra coxas.
	Sou sua  ela sussurrou.
Os olhos presos aos dela. Observando. Esperando.
	Para sempre.
Diana no podia falar. Ele ouviu a voz de sua alma que dizia sim. Que ela era dele. Para sempre. Sem deixar de ob-
serv-la, ele a penetrou, forte e profundamente. O corpo dela arcou, absorvendo a fora masculina, dando boas-vindas ao seu homem. O prazer que viu estampado no rosto dela deixou Brad extremamente feliz por ter sido o responsvel.
Passado o primeiro impacto, Diana entrelaou o corpo sobre ela com as pernas. E Brad sentiu que estava perdido.
Enterrando o rosto nos cabelos sedosos, absorvendo sua fragrncia, ele se permitiu gozar. Aumentou o ritmo, cada vez mais profundo, no mesmo ritmo dos quadris dela, os dois girando numa espiral louca e deliciosa.
Diana chamou-o pelo nome quando ele, num ltimo esforo, investiu mais fundo ainda, chamando por ela, partilhando o xtase. O clmax dos dois foi como uma exploso.
Deitado sobre ela, Brad tentava inspirar o ar que lhe faltava nos pulmes. Nunca, em toda sua vida, em toda sua experincia, sentira algo semelhante.
	Exatamente como sonhei  Diana falou calmamente.
Suas mos no mais o agarravam. Acariciavam.
Brad levantou a cabea.
	Com ns dois?
	Algumas vezes.  Os olhos expressivos mostravam calor e confuso.  Mas outras vezes...
	So eles.  Saiu de cima dela, deitou-se do lado e abraou-a.  Patrick e Alexandra.
Diana suspirou.
	Voc acredita em vidas anteriores?
Brad se considerava um homem prtico.
	No.
- Nem eu.  Ela procurou os olhos dele.  Mas ultimamente tenho sentido umas coisas estranhas. E com frequncia.
	 porque ns dois estamos obcecados por eles. Acontece que acabamos por transferir para nossa vida as mesmas emoes que dominaram os dois. Misturamos fantasia com realidade.
	Voc deve ter razo  Diana concordou, mas no ainda totalmente convencida.
	 a nica explicao plausvel.
Diana preferiu no continuar aquela conversa. Queria curtir o ato do amor mais excitante, mais completo de toda sua vida. Aconchegou-se mais a ele e pressionou os lbios contra o peito cabeludo.
Brad passou uma mo pelos cabelos longos.
	Acho que nunca vou me cansar de voc.
	Otimo. Porque no pretendo me desgrudar de voc to cedo.
L fora, indiferente ao que se passava dentro das quatro
paredes, as folhas das oliveiras pareciam sussurrar ao embalo da brisa marinha. Brad e Diana trocavam prazeres. Agora que a paixo avassaladora tinha passado, o amor era mais calmo, infinitamente mais satisfatrio. Os beijos lentos, as mos movendo-se sem pressa, os corpos respondendo ao toque...
E, daquela vez, quando voltaram  terra, entrelaados nos braos um do outro, Diana sentiu uma paz to rica, to doce, que lgrimas surgiram em seus olhos.

CAPITULO VII

A cidade ganhava cores com a chegada da pri-i-meira luz da manh. Brad e Diana seguiam pelas ruas desertas. O ar ainda trazia o suave perfume da noite. Aos olhos de Diana, o mundo parecia perfeito.
	Acho que nunca fui to feliz.
Brad freou para que um rebanho de ovelhas passasse.
	No se precipite. Lembre-se de Natasha. Pode ser que ela no acrescente nada ao que j sabemos. Sei o quanto esse projeto  importante para voc, mas no posso deixar de preveni-la.
Diana sentiu alerta no tom de voz dele. E preocupao. Mas sobretudo, amor.
	Eu sei. Mas eu no estava pensando em Natasha.
O corao de Diana parecia palpitar em seus olhos.
	Eu estava falando de ns. Em como voc me fez sentir 
a noite passada. Em como me sinto esta manh. - Ela queria que ele entendesse que o que tinha acontecido na noite passada era mais que o resultado de uma noite romntica.  Eu te amo, Brad.
Brad ficou olhando para aqueles lindos olhos por um longo tempo. Acabava de compreender o quanto precisava ouvir aquelas palavras. Sentia como se tivesse vindo ao mundo unicamente para ouvi-las. Prendendo a mo dela entre as suas, perguntou:
	Quando?
	Quando eu descobri o que sentia?  Uma brisa vinda do mar soprou-lhe os cabelos. Com a mo livre, Diana tentou prender algumas mechas atrs da orelha.  Com certeza, a noite passada. Mas, para falar a verdade, acho que sempre te amei. Nenhum poeta jamais escreveu palavras mais doces. Nenhum novelista jamais escreveu uma cena que fizesse seu corao bater mais feliz. Ou que fosse capaz de faz-lo sentir-se to humilde.
Com um gemido de prazer ele a puxou para seu colo, segurou-lhe a cabea entre as mos fortes at encontrar a boca amada para cobri-la com a sua.
	Caso eu tenha esquecido de dizer, amo voc tambm  ele declarou quando o longo beijo terminou. Seguiu-se mais um beijo leve. - Ento, para quando voc vai querer?
A sensao provocada pelos lbios dele era um verdadeiro afrodisaco. Mesmo depois de terem passado quase a noite toda fazendo amor, uma nova onda de desejo despontou dentro dela outra vez. Com as mos apoiadas sobre o peito largo, Diana sentia as batidas fortes do corao amado. Ele tambm fora atingido pelas mesmas emoes.
	Querer o qu?
Como ela era bonita! Por dentro e por fora. E toda dele. Para sempre. Brad sabia disso.
	Casar, claro  murmurou com a boca encostada na dela:
	Casar?
Brad sentiu a mudana imediatamente. Um enrijecimento involuntrio da espinha, a tenso nos lbios. Ser que estava indo rpido demais?
	Quando duas pessoas se amam,  o que costumam fazer ele disse com uma casualidade que estava longe de sentir.
	At mesmo em Hollywood.
Diana sabia que no devia estar surpresa. Sabia tambm que, apesar de Brad ter esperado at agora para dizer que a amava, os sentimentos dele por ela eram profundos, muito mais que um simples relacionamento entre o detetive e sua cliente.
	Trs dias atrs eu estava noiva de Alan.
	E agora no est mais,  O tom dele era calmo, mas os olhos no.
Sabendo que Brad era um homem que no dividia suas emoes com facilidade, Diana tinha que ser extremamente cuidadosa para no arruinar tudo entre os dois. Quando quis voltar para o banco do carro, os braos dele a apertaram mais ainda.
	Ou muito me engano ou voc acabou de dizer que me amava.
	Eu disse, mas...
	E eu amo voc  ele a interrompeu. E ficou surpreso com sua prpria reao, ao descobrir-se zangado com ela. Com raiva at. Quase furioso. No era de sua natureza perder o controle.  No estou entendendo qual  o problema, Diana. Foi a intensa calma do seu tom de voz que o denunciou. O homem era perigoso. E no gostava de indeciso. Diana desconhecia essa faceta dele. Imaginou quantos criminosos tinham subestimado aquela aparente calma. E tinham se dado mal por isso.
	Eu quero dizer sim  ela comeou indecisa.
	Ento diga.
Ele fazia as coisas parecerem to fceis! Como se tudo pudesse ser resolvido num passe de mgica!
	O que as pessoas diriam?  ela perguntou, percebendo, no mesmo instante, quo ridcula sua pergunta soara aos seus prprios ouvidos. E nos de Brad deveria ter sido pior ainda.
	E por que voc se importaria com isso?
	No me importo. No mesmo. Mas voc no acha que  muito cedo para comearmos a fazer planos?
	No acho.
No havia como discutir com ele.
	Eu no sabia que voc era to cabea dura.
Brad quase disse que ele tambm no sabia que ela era to estpida.
	Pois agora j sabe.
Ela fechou os olhos. Tornou a abri-los e tentou novamente.
	Quase cometi um erro com Alan...
	Voc est me comparando com aquele bastardo?
	Claro que no.  Ela colocou uma mo conciliatria no brao dele e sentiu os msculos tensos.  Jamais faria isso.
Ele leu a verdade nos olhos escuros. Ouviu a verdade na voz suave.
	Eu s preciso de tempo. Tempo para descobrir como separar o que sinto por voc do que tenho fantasiado sobre os sentimentos de Alexandra por Patrick. Isso no vai alterar o fato que amo voc, Brad. Mas estou um pouco confusa. Misturando os sentimentos. Preciso de tempo para pensar.
	Algum j disse que voc pensa demais?
	Pior  que sim.  Cait e Lily a tinham aconselhado a confiar em seus sentimentos por Brad, afirmando que seu mal era pensar demais.
Brad observava Diana lutar contra as lgrimas que ameacavam inundar seus olhos. Por isso, quando se sentiu capaz de falar calmamente outra vez, havia simpatia em sua voz.
	Tudo bem. No vou forar voc a nada. No agora, pelo menos.  Ele passou um dedo pelos lbios trmulos.  Por ora  suficiente saber que voc me ama.
Havia cautela nos olhos dela. Quase medo, fazendo Brad compreender que no lhe restava outra chance a no ser dar o tempo que ela precisava. E espao.
	Mas vou avisando que no vou esperar a vida inteira.
	Eu sei. Eu...  Diana estava quase capitulando e dizendo "sim" quando uma buzina soou forte atrs deles.
Brad praguejou e a colocou de volta no banco ao lado.
	O tempo, dizem,  tudo.
Diana silenciosamente agradeceu ao motorista pela oportuna interrupo. 
Kyriako Papakosta era um novelista muito popular em seu pas. Seu brilhante iate branco revelava que sua fama extrapolava as fronteiras da Grcia.
	Reestruturar mitos antigos d um bom dinheiro  Diana comentou, lembrando-se do ltimo livro que o autor tinha escrito sobre uma heri que refez as viagens de Ulisses.
	Vi destrieres americanos menores que este navio  Brad concordou.  Parece que Natasha se deu muito bem.
Natasha Kuryan foi uma surpresa. Apesar de Diana saber que a mulher de pequena estatura deveria estar na casa dos oitenta anos, era impossvel julgar sua idade pela aparncia. Suas roupas lembravam antigas ciganas russas. Os cabelos brancos estavam presos numa trana com um lao branco na ponta.
	Bem-vindos a bordo  ela os cumprimentou com as mos estendidas.  Desculpe ter causado transtornos a vocs. Como disse ao seu amigo quando ele me ligou ontem de Atenas pelo rdio, s recebi o telegrama dois dias atrs.  Ela no tinha perdido o sotaque russo, mesmo depois de todos aqueles anos longe de seu pas natal. O sorriso era breve e sincero, fazendo-a parecer anos e anos mais nova e dando uma ideia de que tinha sido muito bonita em sua juventude.
	O tempo nas ilhas gregas no passa na mesma velocidade que no resto do mundo.
	 Descobri que isso  uma vantagem, s vezes  Brad respondeu, trocando um olhar caloroso com Diana.
No perdendo um s detalhe, os olhos verdes de Natasha brilharam de prazer. Tendo estado apaixonada mais vezes do que podia contar, ela sempre gostava de ver outros experimentando os mesmos prazeres.
	Voc est certo  ela concordou com um olhar sonhador em direo  ponte. Um homem alto, musculoso, vestido em jeans, camisa listrada como a dos pescadores, e bon azul, acenou para ela. Natasha acenou de volta.
	Kyriako me pediu para convidar vocs para tomar o caf da manh conosco. Ele tambm insistiu em mostrar a vocs o iate, que  seu orgulho e alegria.
	Eu gostaria muito  Diana disse. Brad concordou.
	 realmente fascinante. Ele o est transformando em um museu.
	Um museu do qu?
	Dele mesmo, claro.  Natasha sorriu com indulgncia feminina.  Como a maior parte dos homens gregos bem-sucedidos e bonitos, Kyriako tem um eg enorme.
Ela inclinou a cabea, de repente, estudando Brad como um joalheiro observaria um diamante.
	Voc tem o perfil de Gary Cooper  ela afirmou, mudando abruptamente de assunto.  Cooper era maravilhosamente borato. E um amante igualmente maravilhoso.
Brad e Diana no sabendo o que responder, preferiram ficar em silncio.
	Claro que seus olhos so os de Paul Newman  ela continuou analisando Brad.  E apesar de no se parecerem fisicamente, voc lembra um pouco Errol Flynn. Com o sex appeal de Gable para completar.
Brad riu.
	Estou lisonjeado.
Natasha bateu palmas contente.
	E voc tem tambm o terrvel sorriso de Gable. Um homem com um sorriso assim pode conseguir de uma mulher o que quiser  ela falou para Diana.
	J descobri isso.
	 uma pena voc no ser ator. Podia ser uma estrela de Hollywood.
	Prefiro deixar essa parte para Diana.
	Bem, isso no me surpreende. Voc sabe, querida, voc  a cara da Ava Gardner em sua juventude.
	J me disseram isso.
	Claro.  Os olhos de Natasha se encheram de admirao quando passearam da cabea aos ps de Diana.  Voc  perfeita. Hoje em dia todo mundo parece estar morrendo de fome naquelas clnicas de emagrecimento que se tornaram moda.
	Tenho um excelente apetite.
	Posso assegurar isso  Brad concordou, o duplo sentido fazendo Natasha rir e Diana corar.
	Ava comia muito bem: frango frito pela manh, bife e milks-hake no almoo e montanhas de espaguete no jantar  Natasha revelou.  Mas nunca teve problemas com a balana da MGM. As atrizes de hoje se privam de comida para manter a forma.
	Acho que Ava nunca bebeu ch em toda vida. Mas bebia tudo o mais. De fato, ela era a nica mulher que conheci que podia fumar como uma chamin, beber brandy com champanhe e mascar chiclete, tudo ao mesmo tempo. E ainda parecer glamourosa fazendo isso. Apesar de no conseguir parar o relgio, ela possua uma beleza que nem mesmo uma vida inteira de pssimos hbitos conseguiu diminuir.
Os olhos de Natasha tornaram-se pensativos.
	Infelizmente, ela no chegou aos noventa  Diana falou.
	No.  O sorriso sumiu dos lbios da velha senhora.  E por isso vocs esto aqui. Para falar da pobre e trgica Alexandra.
	E Patrick  Diana completou.
	Sim. E uma longa histria. E muito triste.
	Triste mesmo  Brad falou.  Mas como a senhora fazia a maquiagem de Alexandra quando trabalhava no Xanadu, esperamos que possa nos ajudar a esclarecer alguns detalhes obscuros da histria.
Ela sacudiu a cabea branca e fechou os olhos por um instante. Diana pressentiu que ela deveria ter voltado aos tempos quando Hollywood vivia de glamour. Quando as estrelas eram maiores que a vida. E quando um escndalo particular balanou no s a comunidade do cinema, como o mundo todo.
	Vamos para a sala  Natasha convidou.  Pedi ao cozinheiro para preparar caf e bolo. Podemos conversar l.
Diana e Brad a seguiram at a espaosa cabina, confortavelmente mobiliada em tons de azul, branco e amarelo. Numa mesa ao canto, um vaso de manjerico.
Diana lembrava-se de ter lido no guia que tinham comprado na vspera que manjerico era tido como a planta que Santa Helena tinha encontrado crescendo aos ps da cruz. Os gregos a usavam como um talism para proteger seus navios.
Natasha ganhava tempo enquanto servia caf com bolo aos visitantes. Ela devia estar escolhendo as palavras.
	O que vocs sabem sobre Alexandra?  ela perguntou finalmente.
Diana e Brad trocaram um olhar. Foi Diana quem respondeu.
	Sei que Walter Stern, o primeiro Walter Stern, a descobriu trabalhando num cassino em Havana e a levou para Hollywood para contrapor  popularidade de Dietrich e Garbo da MGM. Sei tambm que funcionou. Que crticos e fs se apaixonaram por ela.
	A aparncia russa extica de Alexandra era um grande contraste s loiras da poca  Natasha acrescentou.
	Sei que Stern a fez atuar como mulher fatal, o que ganhou aplausos de um lado e ameaas de boicote da Legio Nacional da Decncia do outro. 
	A cena da cachoeira em A Sedutora era to quente que Louella Parsons disse que era um milagre o filme no ter se queimado  Natasha acrescentou com um curvar dos lbios que mal lembrava um sorriso.  Alexandra me disse que Walter gostava de tirar proveito do fato de as mulheres sonharem em ser Alexandra, enquanto os homens sonhavam lev-la para a cama.
	 a mesma estratgia de propaganda que o neto de Walter usa em seus filmes.
	Na verdade, estou tentando mudar essa imagem  Diana confidenciou.   por isso que estou to interessada em fazer esse filme.
	Posso entender por que voc quer fazer este filme. A pergunta , Stern vai permitir?
	No vai ser deciso dele, uma vez que ele no est mais no controle dos estdios Xanadu.
	Voc est brincando!  Natasha exclamou.  Quando isso aconteceu?
	Muito recentemente. Connor Mackay, das Empresas Mackay CS., comprou Xanadu. Ele me disse, antes de eu sair para esta viagem, que ia despedir Walter.
	Surpreendente.  Natasha pareceu pensar sobre o assunto por um tempo.  Imagino...  A voz dela falhou e ela calou-se.
	Imagina o qu?  Diana perguntou quando seus nervos no conseguiram aguentar mais o suspense. Sua impacincia ganhou um olhar de advertncia de Brad, lembrando-a que o sucesso de uma interrogao dependia de saber quando ficar quieto e quando perguntar.
Natasha olhou para Diana um pouco surpresa, como se tivesse esquecido a presena dos dois ali.
	No sei se  seguro dizer.
	A senhora est afirmando que sabe quem matou Alexandra?
	Sempre suspeitei quem fosse, mas no tenho provas.
	A senhora no acredita que foi Patrick?
Natasha praguejou em russo.
	Claro que Patrick no matou Alexandra. Ele a adorava. Nenhuma mulher foi to amada por um homem.
Uma onda de excitamento percorreu Diana. A declarao de Natasha s confirmava o que ela j sabia. Ela inclinou-se para a frente e ps uma mo no joelho da velha senhora.
	Tudo que a senhora puder nos dizer vai ser de grande ajuda.
	Voc est procurando ajuda para seu roteiro? Ou esclarecimento para limpar o nome de Patrick.
	Os dois  Brad e Diana disseram ao mesmo tempo.
Trocaram um rpido e surpreendente olhar. Depois um sorriso. Mais uma vez pensavam, a mesma coisa.
	Eu sei  Natasha disse, sua voz soando como se viesse de longe.  Na noite da festa houve problemas.
	A festa de Ano-Novo, na casa de praia de William Randolph Hearst  Diana no conseguiu evitar e completou o silncio de Natasha. A noite em que ela foi morta.
	Sim.  Os olhos de Natasha demonstravam dores antigas.  Eu sabia que Walter estava criando problemas entre Alexandra e Patrick. Mas at aquela noite eu tinha hesitado em me colocar em risco interferindo no caso. Foi quando presenciei os desastrosos resultados das maquinaes daquele homem malvado.
	Ento Alexandra e Patrick brigaram aquela noite?
	Sim. E foi uma briga terrvel. Alexandra estava estonteante como sempre. Usava um vestido emprestado do guarda-roupa do estdio, o mesmo que tinha usado no filme de Patrick, Ouro dos Tolos. Era um vestido de cetim branco, curto, que realava as formas de seu corpo de bailarina. As costas nuas. E todo mundo sabia que ela no usava nada por baixo.
	Patrick deve ter ficado com cime  Brad sugeriu.
	Talvez  Natasha inclinou a cabea.  Mas acho que ele entendia que os outros homens sempre desejavam Alexandra. Tambm acho que essa admirao no o perturbava, uma vez que ele era o homem com quem ela ia para casa todos os dias.
Natasha fez uma pausa.
	Eles no foram juntos para casa aquela noite.
	No?  Diana sentiu excitamento e medo ao mesmo tempo.  O que aconteceu? Ela no deve ter sado com outro homem, saiu?  Ao mesmo tempo que formulou a pergunta, Diana soube, com toda certeza do mundo, que Alexandra no sara com outro homem.
	Claro que no. Nunca houve outro homem para ela desde o momento em que viu Patrick pela primeira vez.  Seu olhar foi para Brad, depois para Diana.  s vezes funciona assim.
Acredito que vocs sabem disso.
Diana sentiu o sangue tingindo seu rosto.
	No pensei que fosse to bvio.
At Brad riu. Qualquer um podia ver exatamente como Diana tinha passado a noite. O rosto corado, os lbios inchados e o brilho que havia em seus olhos escuros denunciavam prazeres erticos.
	Minha querida  Natasha disse com um sorriso gentil , voc nunca deve se desculpar por ser bem amada. Isso  um presente para ser guardado.
Uma das causas de Diana ter sobrevivido toda sua vida em Hollywood era manter sua vida privada exatamente como era; privada. Pouco  vontade em discutir sobre seu relacionamento com Brad com aquela mulher que, apesar de simptica, era uma estranha, ela voltou o assunto para a razo da viagem deles at a Grcia.
	Fale sobre a discusso.
	Bem, Alexandra saiu da festa primeiro. Patrick foi logo atrs. Ele era alto e com seus passos largos logo a alcanou. Os sapatos de salto no foram feitos para caminhar na areia e lembro-me que ele a segurou pelo brao quando ela tropeou. Mas ela livrou-se dele e continuou andando.
Quando Natasha fechou os olhos, Diana suspeitou que ela estivesse vendo aquela noite.
	Patrick infelizmente tinha um temperamento agressivo. Assim como Alexandra.
	Ele a pegou pelos ombros e a fez virar-se para ele. Ele estava inclinado sobre ela, as mos nos ombros dela. Ele parecia enorme e ameaador, mesmo a distncia.
Ela abriu os olhos e olhou dreto para Brad.
	Agora que estou pensando melhor, voc lembra bastante Patrick Reardon.
	Brad no tem o temperamento dele  Diana argumentou.
Natasha olhou longamente para ele.
	Claro que tem, querida. Voc ainda no teve chance de presenciar.
Ela acertou em cheio, Brad pensou, mas preferiu nada responder.
	Patrick era um homem misterioso, o que o tornava ainda mais excitante. Quando Walter o levou para Hollywood para escrever o roteiro de seu romance, o estdio comeou seu falatrio. De acordo com o departamento de publicidade de Xanadu, alm de criar gado, Patrick tinha sido boxeador na juventude, ganhando dinheiro para que pudesse escrever seus livros. Essa era a verso oficial. Logo que ele chegou, correu rumores de que tinha matado um homem com suas prprias mos.
	Rumores falsos  Diana completou. Brad tinha levantado aqueles dados e descoberto que no eram verdadeiros.
	Verdade. Mas j que Patrick no confirmou nem desmentiu, os rumores continuaram.
	A senhora estava falando da noite da festa  Brad lembrou.
	Eu fui para o terrao e os vi. Os rostos estavam bem prximos, mas a pose deles no era de amantes. Discutiam, mas eu no pude ouvir o que diziam.
	Ento Alexandra deu um tapa na cara de Patrick. Por um momento, achei que ele fosse revidar. Mas ele no fez isso.
	Em vez disso, deixou cair os braos ao lado do corpo. Depois, sem uma palavra, voltou na direo da casa. Alexandra chamou por ele e quando ele no respondeu, ela jogou a taa de champanhe nas costas dele. Depois caiu de joelhos e escondeu o rosto entre as mos.
	A mesma coisa que ela fez em A Sedutora  Diana lembrou.  Quando seu amante casado escolheu ficar com a esposa grvida.
	Lembro que pensei a mesma coisa na hora Natasha disse.  Mas sei que Alexandra no estava atuando. Seu choro era muito real.
	Voc sabe sobre o que estavam discutindo?
	Acho que era sobre a vida anterior de Alexandra. Quando ela morava em Cuba. Voc sabe que ela no era realmente uma Romanov.
	Imaginei que o departamento de publicidade do estdio a tivesse feito membro de uma famlia russa para efeito de marketing.
	Exatamente. Mas, como muitas outras histrias, tinha um fundo de verdade. Ela era uma imigrante russa. Havia vrias verses sobre como ela chegou a Cuba. E tambm rumores de que ela havia feito mais do que ser modelo de roupas de banho nos cassinos de Havana.
Uma vez que Brad j tinha descoberto essa parte em uma viagem para a Flrida, Diana no ficou surpresa por aquelas afirmaes.
	Patrick sabia desses boatos?
	Acho que no. No no comeo. Mas um dia, pouco antes da festa, Walter Stern foi at o camarim de Alexandra quando eu estava fazendo sua maquiagem. Ele parecia furioso e me pediu para sair. Como eu estava preocupada com Alexandra, fiquei do lado de fora. S para o caso de ela precisar de ajuda.
Stern no era um homem muito agradvel.
	Ento a senhora ouviu o que discutiram?
	No. Pensei ter ouvido alguma meno a Havana, mas s isso. Logo depois, Alexandra foi chamada para as filmagens e tive que refazer sua maquiagem. Porque Stern a tinha feito chorar.
	Era bvio que ele estava criando problemas entre Alexandra e Patrick. Pelas coisas que eu tinha testemunhado, ele estava
querendo fazer Patrick acreditar que Alexandra era uma esposa infiel. Ao mesmo tempo, Stern estava usando uma atriz contra tada para fazer Alexandra acreditar o mesmo de Patrick.

	Infelizmente, a festa era um lugar muito pblico para revelar to repugnantes segredos. Ento decidi contar tudo a ela antes da premire do filme de Patrick.
	Uma premire que ela nunca assistiu  Brad disse.  Porque foi morta naquela noite.
	Sim.  Os olhos de Natasha estavam tristes.  E eu nunca me perdoei por aquilo. Se eu tivesse contado a ela, se eu a tivesse seguido at em casa...
	A senhora no podia adivinhar  Brad consolou.  No dava para fazer nada.
	Acho que no  Natasha concordou.
	H uma coisa que no entendi  Diana falou.  Se a senhora no acredita que Patrick matou Alexandra, se a senhora suspeitava de alguma pessoa, por que no procurou a polcia?
	Mas procurei. Tambm procurei o advogado de Patrick. Mas no fui chamada como testemunha. Mais tarde, depois de Patrick ser condenado, compreendi que pessoas poderosas queriam a histria enterrada. E como eu no queria terminar como Alexandra, fiquei em silncio. Mais tarde, apesar de minha cautela, fui despedida pelo que eu sabia.
	Ouvi uma histria diferente.
	Claro que ouviu.  O sorriso de Natasha era triste.  Disseram a voc que eu era louca. Ou mentirosa. Ou as duas coisas.
Diana no pde negar.
	Foi isso mesmo.
Foi ento que Natasha Kuryan soltou a bomba:
	Fui despedida por Walter Stern, Jr, porque ele estava com medo que algum dia eu contasse a verdade. Que seu pai, o mentor de Alexandra, a estrangulou num ato de raiva porque ela estava ameaando parar de filmar depois da premire de Ouro dos Tolos para se mudar para Wyoming e morar com o marido na fazenda dele.
Aquilo definitivamente era novidade.
	A senhora acha que ela faria mesmo isso?
	Com toda certeza. Era claro para todo mundo que Patrick odiava Hollywood. Era tambm claro que Alexandra amava Patrick. Ele era o sol em volta do qual girava a vida dela. Se ele quisesse ir para Wyoming, ela no hesitaria em ir com ele.
	Mas e a carreira dela?  Brad perguntou.  A senhora acredita, honestamente, que ela podia dar as costas  fama e ao sucesso to facilmente?
Acostumado a olhar todos os lados de um caso, Brad considerou a possibilidade de Alexandra, depois de ter prometido deixar Hollywood, descobrir-se incapaz de viver longe do estdio e acabou sendo morta por um marido furioso, um homem que possua um gnio ruim, s por ter mudado de ideia.
Ao mesmo tempo, enquanto pensava nessa hiptese, Brad sabia, no fundo de sua alma, que esse no era o caso.
	Alexandra nunca se importou com a fama. Na verdade, ela sempre dizia que aquele infelizmente era o preo que era forada a pagar por sua beleza. Ela possua uma necessidade quase obsessiva por riqueza  Natasha revelou.  Para ela, dinheiro representava segurana. Mas quando Patrick a encontrou, ela possua mais dinheiro do que poderia gastar em toda sua vida. Mas, o mais importante, ele representava uma segurana que Alexandra no tinha conhecido.
	Estou convencida de que se a vida dela no tivesse terminado to cedo, teria deixado Hollywood sem remorso. E nunca voltaria atrs.
Um pesado silncio caiu sobre a sala, cada um imerso em seus prprios pensamentos sobre a tragdia de Alexandra, at que a porta se abriu.
	Por que todo mundo est com essa cara?  Kyriako Papakosta perguntou.  L fora o sol est brilhando e o dia est lindo.
Natasha fez as apresentaes.
	Conheo seu trabalho  ele falou para Diana.  Mas, falando com sinceridade, acho que seu talento ainda no foi muito bem explorado.
	Estou cuidando disso  Diana falou sorrindo.
O rosto queimado de sol pela vida ao ar livre, Kyriako era um charmoso e simptico senhor. Mas ficou srio quando tocou no assunto da visita deles.
	Natasha me contou sobre o problema de Alexandra Romanov.  uma histria muito triste. Ela era linda. E to jovem!
	E voc  o homem que pretende resolver o caso  ele falou para Brad.  Depois de todos esses anos.
	E o senhor acha que Patrick matou Alexandra?  Diana perguntou.
	Claro que no. Ningum acreditou naquela histria apresentada pelos advogados. T na cara que o marido de Alexandra foi vtima tambm.
	Estou comeando a pensar assim  Brad disse, desolado por descobrir que o sistema que ele passou a maior parte de sua vida defendendo era usado para coisas escusas tambm.
	Papakosta sempre tem razo, no  meu bem?  Kyriako perguntou a Natasha.
	Claro  ela respondeu sorrindo.
	Vamos conhecer meu iate  Kyriako convidou.  Depois tomamos caf.

CAPITULO VIII

Depois da visita ao luxuoso iate, seguida de caf e uma conversa interessante com o autor grego, Diana e Brad voltaram ao hotel onde passaram longas e deliciosas horas fazendo amor.
No final da tarde, o desejo satisfeito, estavam sentados na varanda do apartamento olhando para o mar azul. Brad tinha os braos sobre os ombros de Diana, a cabea dela descansando no ombro dele.
	Voc acha possvel que Walter Stern seja o assassino?
 Diana perguntou. Horas depois de terem encontrado Natasha, sua mente no conseguia pensar em outra coisa.
	Algum impediu Natasha de testemunhar  Brad falou com cuidado. Como policial, ele sempre acreditava que concluses precipitadas poderiam levar a perigosas e, s vezes, embaraosas situaes.  Algum com muito poder.
	Algum como o chefe do maior estdio da poca. No posso acreditar que ele teria corrido esse risco. No tem sentido.
Brad correu a mo pelos cabelos dela.
	Crimes de paixo raramente tm sentido.  Prendendo o queixo dela com o polegar, ele levantou os lbios carnudos at os seus.  Falando de paixo...
Estava acontecendo outra vez. Apesar de terem passado a maior parte da tarde na cama, o desejo voltou forte. Quando ele escorregou a lngua por entre os lbios entreabertos, Diana se sentiu derretendo.
	Sim, Brad, sim  ela disse num longo suspiro, enquanto ele a carregava para a cama. Foi a ltima coisa que ela disse por um longo tempo.
Era quase meia-noite. A lua branca no cu escuro criava pontos prateados sobre a gua escura do oceano. O som incessante das ondas quebrando na areia, a brisa soprando o topo das palmeiras. Com exceo de uma mulher tropeando pela praia, a noite estaria perfeita.
	Droga  Alexandra praguejou, quando o salto de seu sapato se prendeu numa parte mais dura da areia. Ela teria cado no fosse uma mo forte segurando seu brao.
	Me solte!  ela gritou, livrando o brao do possessivo toque masculino.  No quero que voc me toque. Nunca mais.
	Voc no est falando srio.  A voz dele era profunda e rica e, por mais que ela negasse, to excitante como sempre.
	Falo srio, sim.
Os fartos cabelos estavam soltos, as mechas esvoaando ao sabor da brisa do mar. Ele afastou algumas delas para descobrir-lhe o rosto, com dedos mais gentis do que ela teria esperado na circunstncia.
	Voc  um homem horrvel.  Alexandra estava mais brava do que se lembrava jamais ter estado. Os dedos dele ainda estavam em seu rosto; quando ela os afastou, sua aliana brilhou  luz da lua.  Voc  um mentiroso. Um trapaceiro.
Ela levantou a taa de champanhe que levara consigo e bebeu o resto de uma s vez.
	Queria nunca ter te encontrado.
Patrick queria toc-la outra vez, mas, em vez disso, colocou as mos nos bolsos da cala.
	Voc est falando com o homem que voc ama  ele a lembrou.
	Isso nem  original. Clark Gable disse essa frase  Norma Shearer em Uma Alma Livre.
Patrick encolheu os ombros.
	Um bom escritor pode roubar uma grande fala quando ele ouve uma.
Alexandra se recusou a deixar o marido abrandar sua zanga. No depois de t-lo flagrado com aquela Mae Chandler, a atriz que Walter estava lanando para o Oscar como coadjuvante pelo papel de esposa trada no filme ltimo filme de Alexandra, A Sedutora. Como sempre, Alexandra fizera o papel da amante.
	No que voc saiba o que  escrever bem  ela falou, para machucar.
A raiva assomou nos olhos dele.
	No  o que parece,
	Essa  mais uma de suas frases preferidas.
Um msculo tremeu no queixo dele, revelando que ela fora longe demais.
	Falando em frases feitas, j que voc parece estar zangada por causa de minha alegada infidelidade, que tal discutir sobre seus recentes casos?
Ela respirou fundo. Aquilo era uma mentira. Nunca houve ningum para ela depois que conheceu Patrick Reardon.
Alexandra sabia que essa acusao no passava de uma ttica dele para desviar o assunto.
	No tenho nada para discutir com voc.
Patrick inclinou-se sobre sua mulher, parecendo perigoso e ameaador. Ele abaixou a cabea at ficar bem prximo da dela.
	Pior assim. Porque eu tenho muito que falar com voc. Comeando por sua temporada como prostituta em Havana.
Ele no poderia t-la ofendido mais se tivesse dado uma bofetada em seu rosto. Alexandra ficou branca.
	No sei do que voc est falando  ela esquivou-se, tentando imaginar quem teria contado a ele sobre sua vida desregrada em Cuba.
Walter? Alexandra sabia que o chefe do estdio ficara furioso pelo fato de ela ter se casado, alegando que isso diminuiria seu sex appeal, o que baixaria a renda do estdio. Mas nada disso acontecera um ano depois. No havia nenhuma outra atriz em Hollywood ameaando seu reinado, nem Garbo nem Dietrich, nem mesmo aquela loira aguada Jean Harlow.
Vingativo e possessivo, Alexandra no acreditava que Walter arriscaria espalhar a histria de que sua mais popular artista j fora prostituta.
	Para uma atriz, voc  uma grande mentirosa, querida  Patrick rebateu.  Mas, agora que penso sobre isso, acho que no  assim to diferente, vender seu corpo por pesos em algum cassino de Havana ou negoci-lo por um papel de estrela em Hollywood.
Ele ignorou o furioso gemido que ela soltou.
	O problema  que isso me faz pensar  o olhar dele continha uma fria gelada; de quem  o rebento que voc carrega a.
Alexandra no tivera uma vida fcil. At ir para a Amrica, toda sua existncia tinha sido de privao, dor e perda. Tinha cinco anos quando a Primeira Guerra Mundial estourou; oito quando comeou a guerra civil. Ela perdeu o pai durante uma passeata, um irmo foi morto no exrcito vermelho, o outro feito prisioneiro e depois morto numa revolta de marinheiros na base naval perto de Petrograd.
Ela e a me tinham sido expulsas de suas terras, num ato onde sua me fora estuprada pelos soldados bolcheviques. Segura por braos muito mais fortes que ela, Alexandra tinha sido forada a presenciar tudo. Duas semanas mais tarde, sua me morrera, muito mais pelos danos morais do que pela dor que os soldados infligiram ao seu corpo.
Alexandra passou os prximos cinco anos trabalhando oito horas por dia em fazendas de coletas. O trabalho era pesado, ela no recebia pagamento e a poro de comida que lhe era destinada mal dava para impedir que morresse de fome.
Quando seu corpo ganhou as curvas de uma mulher, ela descobriu que seu rosto e seu corpo podiam ser sua fortuna. E isso queria dizer sobreviver.
Quando completou dezesseis anos, tornou-se amante de um graduado membro do politburo. Dois anos mais tarde, subornou o capito de um navio com sexo e dinheiro roubado de seu amante, para lev-la para longe da Rssia. Ele concordou, mas a manteve presa durante toda a viagem at Cuba, fazendo coisas odiosas com seu corpo e seu esprito.
Ora, Alexandra conhecia a dor, sim. Mas nunca tinha imaginado que simples palavras podiam machucar muito mais que a dor que muitos homens em seu passado infligiram ao seu corpo. Para ela, o beb que ela e Patrick tinham feito parecia um milagre, uma recompensa por ter sobrevivido a todos os infortnios de seu passado. Como Patrick ousava pensar que a criana no era dele?
 Seu bastardo!  Ela deu uma bofetada no rosto dele. Forte. O som ecoou na noite silenciosa.
Patrick levantou a mo e por um momento, apesar de at ento ele s t-la tocado com paixo, ou com uma ternura inimaginvel, Alexandra acreditou que ele fosse revidar.
Seus olhos se encontraram. E se prenderam. Ento Patrick praguejou e abaixou a mo devagar. Sem outra palavra, vi-rou-se abruptamente e voltou para a casa.
 Patrick!  Eles no podiam deixar as coisas naquele estgio.  Por favor, volte.
Suas palavras foram levadas pelo vento. Confusa, magoada e triste, ela jogou a taa de champanhe nas costas rgidas dele.
Depois, caiu de joelhos e escondeu o rosto entre as mos.
Diana acordou, o soluo de uma distante dor preso em sua garganta. Deitado ao lado dela, Brad acordou de um sono profundo.
	Diana?  Ele passou a mo pelo rosto molhado dela.  Est tudo bem, querida. Foi s um sonho ruim.
	Oh, Brad!  ela aconchegou-se nos braos dele e pressionou o rosto contra o peito forte e protetor.  Parecia to real.
As lgrimas desciam abundantes. Ele podia senti-las quente contra sua pele.
	Voc estava sonhando com Alexandra, eu sei.
	Foi como seu eu estivesse l. Na noite da festa. A noite em que ela foi assassinada.
Diana estava tremendo. As mos dele continuaram a acarici-la.
	Isso no  surpreendente. Considerando o que Natasha revelou ontem.
	 mais que isso. Eu sei sobre o que estavam discutindo.
Natasha disse qUe talvez fosse sobre o passado de Alexandra em Havana.
Brad afastou-lhe o cabelo do rosto e beijou-lhe a testa. Depois o rosto. Depois os lbios.
	Ela estava certa. Patrick realmente a acusou de ser uma prostituta. Mas depois ficou pior... Alexandra estava grvida.
	No havia meno a isso na necropsia.
	No me importa o que foi dito oficialmente. Sei que  verdade.  Diana comeou a tremer outra vez enquanto revivia os detalhes, o olhar implacvel de Patrick.
	Patrick disse a ela que no acreditava que a criana que ela estava carregando fosse dele.
	Foi um pesadelo. S um sonho ruim.
	No. Voc no entende...
Ele no queria ouvir mais.
	Entendo que voc tem vivido sob presso. Entendo que no tem dormido direito. Grande parte por minha culpa, pelo menos estas duas ltimas noites.
Como Diana agarrou-se mais a ele, os seios achatados contra seu peito, Brad comeou a achar difcil manter sua mente naquela conversa. Ela ficava to bem em seus braos. To quente. To certa.
	No  assim to surpreendente que seu subconsciente comece a preencher os vazios, amor.
	No  isso o que est acontecendo.  Ela levantou os olhos para ele outra vez, sria.   real, Brad.  como se tivesse acontecido comigo. No com Alexandra.
	Voc estava sonhando...
	Ento me diga uma coisa. Suas pesquisas descobriram como Alexandra chegou em Cuba?
	No, mas...
	Ela subornou um capito de um navio mercante para tir-la da Rssia. No foi uma viagem fcil. Ele abusou dela, impiedosamente.
O olhar de Diana ficou distante.
	Quando o navio atracou em Cuba para ser carregado de acar, eu deixei a cabina do capito pela primeira vez desde que samos de Odessa.
Brad percebeu a mudana nas palavras dela.
	Diana...
- Pela primeira vez em minha vida  ela continuou, ignorando a interrupo dele  eu estava realmente livre.  Ela olhou para ele.  Vocs americanos no tm ideia do que essa palavra significa.
Parecia impossvel, mas Diana comeou a falar com sotaque russo. A Brad pareceu que ela estava imitando a outra.
	Pela primeira vez em minha vida eu estava livre da pobreza e degradao que tinha sido minha vida na Rssia.
	Eu me sentia maravilhada. Apesar de a cidade estar cheia de mulheres bonitas, eu consegui de imediato um emprego num cassino, onde homens ricos jogavam e fumavam. Se, na poca, fiz mais do que ser modelo, se algumas pessoas de mente estreita me acusam de ser prostituta, eu me recuso a pedir desculpas.
Havia orgulho em sua voz. Seus olhos brilhavam.
	Sobrevivncia  uma coisa que os ricos no conhecem.
Brad no sabia o que fazer. Diana tinha se tornado literalmente Alexandra Romanov. Era mais que semelhana fsica. Mais do que imitao de voz e gesto. O que ele estava vendo era o esprito de Alexandra. Sua alma.
	Quando Walter Stern me encontrou em Havana e perguntou se eu gostaria de subir num palco, claro que aceitei. Eu j era, embora do meu prprio modo, uma atriz de primeira linha.
Ela afastou o cabelo do rosto. Havia um brilho de desafio nos olhos escuros.
	Claro que meu palco no era num teatro, mas uma luxuosa sute do melhor hotel da cidade. E minha extasiada audincia era um homem de cada vez.
	Voc me acusa de te trair, mas no tenta pensar o que a vida foi para mim, para muitos de nossa gente, depois da revoluo. Temos um ditado em nosso pas que diz: "Um homem saciado no pode entender um faminto".
	Voc disse que me ama. Mas acho que voc se apaixonou pela mulher glamourosa das telas do cinema. No a mulher ser humano que carrega seu filho.
Um arrepio percorreu Brad.
	Diana.  Ele pegou-a pelos ombros e a sacudiu. Devagar, primeiro. Depois, quando no obteve resposta, mais forte. Seus dedos apertaram mais. Brad sabia que a estava ferindo, mas no se importava.  Droga, Diana, sou eu, amor. Brad.
Foi seu tom, mais que suas palavras, que se infiltraram pela mente dela. Ele parecia ameaador. Mais que ameaador. Apavorado.
A dolorida lembrana apagou-se de seus olhos e ela os fechou por um momento, com um gemido.
Diana lutou contra o terrvel desejo de ficar onde estava. S aceitou voltar para a realidade por seu amor por Brad.
	Brad?  Ela piscou  claridade do sol nascendo por sobre o mar. Seus olhos estavam secos, os clios pesados.
	Eu mesmo.  Sem tentar esconder seu alvio, ele encostou a testa na dela.  Meu Deus, mulher, voc quase me matou de medo.
O alvio dele foi o dela tambm e Diana agradeceu aos cus por ter um homem como ele em sua vida.
Jurando que jamais deixaria alguma coisa, ou algum, se interpor entre os dois, ela levantou os lbios para ele. As bocas se encontraram em desespero, prazer mtuo, enquanto Diana deixava a glria do beijo apagar o ltimo vestgio de dor.
A febre cresceu como sempre acontecia entre eles. Como ela sabia que sempre aconteceria. Querendo mostrar o quanto o
amava, o quanto iria am-lo sempre, Diana passou os braos pelo pescoo e intensificou o beijo.
O poder cresceu dentro dela. A necessidade de Diana por Brad era to urgente quanto respirar. E to vital tambm. Enquanto rolavam pela cama, sua boca percorria o corpo msculo, seguindo a trilha deixada por suas mos, testando, saboreando, amando.
O desejo explodiu dentro dele. O controle que ele sempre mantinha perdeu-se pela tentao das mos em seu corpo. Pela primeira vez em seus trinta e um anos Brad sentiu-se vencido.
Segurando-a pela cintura com mos trmulas, ergueu-a sobre ele:
	Agora, amor.
	Agora.  Os olhos deles se encontraram, prenderam-se, trocando promessas no pronunciadas enquanto ela se abaixava sobre ele, tomando-o dentro dela, dureza contra maciez.
Brad viu um brilho de emoo nos olhos dela.
	Eu te amo, Diana.  As palavras vieram do fundo de sua garganta.
	E eu te amo, Brad.  Ele era dela. Corpo, mente, corao.
O inquestionvel conhecimento deste fato fez correr pelo corpo dela um novo calor, uma alegria que aumentou o prazer fsico.
 S voc. A pele brilhava  luz da manh. Ela agarrou as mos dele e as levou ao seus seios.  Para sempre.
Muito mais tarde estavam de volta na carruagem, a caminho do porto. Apesar de nenhum dos dois querer deixar aquela ilha romntica, sabiam que era hora de partir. Diana tinha muito trabalho esperando por ela.
E Brad tinha outros clientes alm de Diana. Mesmo com Lily como scia, ele precisava voltar para o escritrio.
	Tomei uma deciso  Brad disse abruptamente.
	Que deciso?
	Vou dar um tempo para voc se acostumar com a ideia de casamento, mas enquanto isso, vamos morar juntos.
	J estou de malas prontas.
	Voc est dizendo que aceita morar comigo? Assim?  Por mais confortvel que fosse seu apartamento, no chegava nem aos ps da manso dela em Beverly Hills.
 Por uns tempos. At que minha casa esteja restaurada.
Ento, quem sabe, se voc no se importar, podemos nos mudar para l e deixar seu apartamento s para escritrio.
	Perfeito.  Ele no se importava onde morassem, desde que estivessem juntos.
	Por mais que o Chateau Marmont seja confortvel, estou cansada de morar em hotel. Adorei a ideia de morar no seu apartamento. Aquele casaro exerce um estranho fascnio sobre mim.
Ele passou a mo pelos cabelos dela e sorriu.
	Voc est dizendo que s me quer por causa do meu apartamento?
	Acredite, querido, de todas as razes que tenho para querer voc, seu apartamento  um dos ltimos da lista.
Chegaram ao porto. Enquanto o condutor descia as bagagens, Diana relutantemente interrompeu o beijo.
	Voc fez uma lista, ?
	Claro  ela falou, enquanto ele a colocava no cho.
Estavam em p ao lado da gua azul banhada pelo sol da manh, ele segurando-a pela cintura, as mos dela nos ombros dele. Diana desejou poder parar o tempo.
	Voc no acha que eu devo ver essa tal lista? Assim eu posso saber o que me espera.
	Claro. Assim que chegarmos em casa  ela prometeu. Amor e alegria danavam nos olhos dela.  Um item por noite.
	Voc  a chefa, esqueceu?

CAPITULO IX

	E um bom material  Sloan Wyndham disse a Diana na manh seguinte ao retorno dela a Los Angeles. Apesar de ter dormido muito pouco, ela estava ansiosa para dividir com ele as informaes que conseguira em sua viagem  Grcia.
Desde que conquistara um prmio por seu roteiro, Sloan era um dos mais procurados roteiristas de Hollywood.
	Pessoalmente acho tudo muito triste.
	Verdade. Mas isso preenche muita coisa. Natasha correspondeu s expectativas suas e de Brad.
	Totalmente.  Diana ocultou que seu conhecimento dos fatos no viera totalmente da velha senhora, mas de alguma fonte que ela no sabia explicar.
	O que temos que decidir agora  se devemos tornar a histria uma fico e. sugerir um assassino ou mant-la real, continuar com o que sabemos e deixar o mistrio insolvel.
Diana sabia o que queria. Sabia tambm que esclarecer tudo e acusar Walter Stern de ter assassinado a maior estrela do estdio poderia deix-la em perigo. Walter Stern III no ia aceitar os fatos, especialmente agora que tinha perdido o estdio que fora de sua famlia por trs geraes. Ele era um homem perigoso.
	Deixe-me discutir isso com os advogados  ela sugeriu.
	Excelente!
	Brad est tentando encontrar os detetives que foram os primeiros a chegar ao local do crime naquela manh. Vamos esperar mais alguns dias.
	E se ele no os encontrar?
	Ele vai encontr-los.
Sloan a estudou por um longo momento.
A primeira vez que nos encontramos, achei que este projeto era muito pessoal para voc.
Ela pensou nos sonhos. Nos pesadelos.
	E  mesmo.
	Tambm perguntei, naquele primeiro dia, se voc estava me contratando para escrever um roteiro, resolver um assassinato ou esclarecer um equvoco de sessenta anos atrs. Voc se lembra o que me respondeu?
Como podia esquecer?
	Naquele dia eu disse que achava que pelos trs motivos.
	E agora?
Ela passou a mo pelos cabelos, sentindo-se inexplicavelmente nervosa.
	Apesar de no ter uma forte evidncia, uma prova concreta, eu sei, sem sombra de dvida, que Patrick no matou Alexandra.
 Evitando encontrar o olhar inquiridor dele, ela olhou para as guas brilhantes do oceano.  Voc deve achar que estou louca.
	E acho mesmo. Qualquer um que trabalha neste ramo  louco. Voc, eu, a cidade inteira. Todos loucos.
Diana riu. O clima pesado passou. Ela levantou-se da cadeira, inclinou-se e o beijou no rosto.
	Cait  uma mulher de sorte.
	Eu a lembro disso todos os dias. Sem me esquecer da ironia de eu ter me apaixonado por uma mulher que me apontou uma arma na primeira vez que nos encontramos.
	 sempre um perigo apaixonar-se por um policial.
	No  to ruim assim  Sloan assegurou enquanto a acompanhava at a porta.
Diana despediu-se e voltou para Sunset.
	Brad acabou de sair  Lily falou, assim que ela chegou ao apartamento dele.  Ele est a caminho do aeroporto.
	Aeroporto? Mas acabamos de voltar da Grcia.
	Eu sei. Mas descobrimos onde est um dos homens que ele estava procurando.
	Encontraram um dos detetives?  Eles sabiam que os dois homens tinham deixado a polcia e mudado de cidade duas semanas aps o assassinato.
	Parece que sim. A menos que seja um outro Michael Connelly. Afinal no  um nome to incomum assim. Mas o que descobrimos  um ex-policial. O que j  um bom comeo.
	Queria que Brad tivesse me esperado. Eu queria estar com ele durante a interrogao.
	No foi intencional.  que Connelly deve sair amanh de manh para uma viagem de pescaria. Brad tinha s trinta minutos para pegar o avio.
	Se essa investigao no acabar logo, vou ficar velha antes do tempo  Diana comentou, enquanto se olhava no velho espelho.  Mas para onde exatamente Brad foi?
	Oregon. Connelly tem uma cabana no Lago Wood, perto de Klamath County.
	E como voc o descobriu l?
	No foi to difcil. Procurei na lista de penso dos policiais aposentados e descobri um Connelly que tinha se aposentado depois de trinta anos servindo em Klamath County.
	Brad tem razo. Voc  um gnio.
	Foi por isso que me apaixonei por ela.  Uma voz familiar soou da porta da frente. Nenhuma das duas tinha visto Connor entrar, carregando um beb.
	J  to tarde assim?  Lily falou, correndo at o noivo.
Seus lbios se encontraram.
	Como Katie achou seu primeiro dia no estdio?  Lily perguntou.
	Foi um sucesso  Connor falou com orgulho.  Ela chamou tanto ateno, que quase assinei um contrato de atriz com ela.  Ele sorriu, olhando para a criana que chupava tranquilamente sua chupeta. Katie sorriu de volta.
	Mas ela me disse que preferia muito mais ficar atrs de uma escrivaninha do que na frente das cmaras.
	Ah, ela disse isso?
	Claro.
	No sabia que bebezinhos falavam  Diana juntou-se a eles.
	A maioria no  Connor concordou.  Mas Katie  como a me. Um gnio. No , querida? Olhe s, ela est dizendo que me fez prometer comear a prepar-la para substituir o pai um dia.
	Concordo plenamente  Diana falou.  Esta cidade est cheia de mulher querendo ser atriz.
	Katie vai ser. o que ela quiser  Lily falou.
	Claro que vai  Connor concordou, srio.
Connor, um milionrio de trinta e um anos, que o jornal Wall Street chamara de um financista brilhante, era sexy, generoso e adorvel. No fosse por ele, Lily jamais teria superado o fracasso que fora seu desastroso casamento,
	Amor, voc j sabe que Diana vai morar com Brad?
	J estava mesmo na hora.
	Por que todo mundo se recusa a pensar que eu estava comprometida at poucos dias atrs?
	Porque ningum acreditava que voc e o mdico tinham sido feitos um para o outro  Connor respondeu.
	O oposto de voc e Brad  Lily completou.  Basta ver vocs juntos para saber que esto destinados a ficar juntos.
	No sei nada sobre destino. Mas sei que estou muito feliz com ele em minha vida.
	Brad Remington  seu destino  Lily insistiu.  Do mesmo modo que Connor  o meu.
	S falta legalizarmos tudo  Connor ressaltou.  O que voc vem adiando h bastante tempo.
	Quero emagrecer um pouco mais para poder entrar num vestido de noiva  lily esclareceu.  Quero que tudo seja perfeito.
	Voc  perfeita. Juntos, somos perfeitos, voc no acha, Diana?
- Concordo plenamente.
	Viu?  Ele ps um brao em volta dela e a puxou para mais perto, abraando me e filha.  Quando voc vai me deixar fazer de voc uma mulher honesta?
	Voc est to ocupado agora  Lily desculpou-se.  Com aquele estdio e...
	Quando, Lily?
Ela estava quase cedendo. Outra vez.
	Vamos falar sobre isso hoje  noite  ela prometeu.  Assim que eu chegar em casa.
	Pensei que voc ia conosco.
	E que Cait e eu vamos sair com Diana.
	Sair comigo?
	Ns duas queremos saber tudo sobre sua viagem.
	O que vocs realmente querem saber  o que aconteceu que me fez terminar o noivado com Alan. E vir morar com Brad.
	Isso tambm.  mais que justo, Diana. Cait me contou que voc no descansou enquanto no a fez contar tudo entre ela e Sloan. E voc fez tudo para que Connor e eu ficssemos juntos. Agora  nossa vez.
Incapaz de argumentar contra isso, Diana se deu por vencida. Lily e Cait tinham combinado que se encontrariam no Flynn's, um restaurante prximo do apartamento de Brad.
	Reservei o lugar preferido de vocs  Bobbie-Sue O'Hara cumprimentou Lily com um sorriso e um abrao.
A garonete, candidata a atriz, morava num dos apartamentos do casaro onde ficava o apartamento/escritrio de Brad e Lily e onde Lily morara antes de ter se mudado para a manso em Malibu, que Connor tinha comprado para sua nova famlia.
Quando Lily precisava sair em busca de alguma informao para seu trabalho, Bobbie-Sue ficava tomando conta de Katie para ela.
	Como foi sua viagem  Bobbie-Sue perguntou  Diana assim que elas sentaram.
	Excelente.  Diana preferiu no falar de seu relacionamento com Brad ou sobre o que tinha descoberto sobre Alexandra.  O tempo estava adorvel, com sol o tempo todo. E comi demais.
	Mas, afinal, voc conseguiu encontrar Natasha?
	Finalmente.
	E ela forneceu muitos detalhes sobre Alexandra e Patrick?
	Alguns.
	Isso quer dizer que o projeto continua em p?
	Definitivamente.
	Bem, fico muito contente. Cait me contou o quanto esse projeto  importante para voc  Bobbie-Sue completou e foi servir outra mesa.
	Ela  muito simptica  Lily disse.  E muito lutadora.
	Voc j a viu atuando?
	No. Mas suas credenciais so boas. Connor a viu atuando no teatro, no papel de Elizabeth Taylor em De Repente noUltimo Vero.
	Parece que voc est empenhada em ajud-la.
	Connor concordou em fazer um teste com ela. Falando de Connor, quando vocs vo se casar?
	No sei.  Lily suspirou.  Se fssemos s ns dois, eu casaria amanh.
	At onde sei, nos votos de um casamento s duas pessoas esto envolvidas.
	Eu sei. Mas Connor no  qualquer um.
	No. Ele  o homem que voc ama.

	O homem rico que eu amo  Lily falou.
	Achei que voc j tinha superado esse tipo de preconceito.
	E j. E bom saber que no preciso me preocupar mais com dinheiro.
	Mas se no  o fato de seu noivo ser bilionrio, qual  o problema ento?
	E a cerimnia de casamento. J passei por isso. E pensava que nunca ia me casar outra vez. Pensei numa cerimnia simples, s com a famlia e alguns poucos amigos. Mas agora, como estou me casando com Connor..,
	Mas ele no concordou com isso?
	Ele diz que eu posso ter o casamento que quiser.
	Ainda no entendi. Se voc quer uma cerimnia simples, ntima, e Connor concorda, onde est o problema?
	O problema  que ele  C. S. Mackay.
	No importa o nome, ele  o mesmo homem por quem voc se apaixonou, Lily. O mesmo homem que te ama loucamente.
	Eu sei. Mas Connor  um homem importante. Meu Deus, Diana, ele foi o homem do ano da Time quando tinha vinte e cinco anos e est sempre cotado no jornal Wall Street. Ele  famoso, o que significa que devemos ter um casamento  altura.
	Nunca te imaginei dizendo essas besteiras. No foi esse o argumento usado por sua ex-sogra para faz-la desistir do casamento dos seus sonhos?
	Eu sei. E Connor vive me dizendo que ele quer um ca samento, no uma exibio, mas...
	Connor  um homem esperto. E bom. Meu conselho  que voc case logo, antes que o homem suma.
	Connor jamais faria isso.
Diana sorriu, feliz por ver a confiana de Lily voltando.
	Isso  bvio, j que ele  o tipo de homem que mantm seus compromissos, como os votos de juntos para o melhor e o pior, na riqueza e na pobreza, na doena e na sade.
	Como Brad.
	Como Brad  Diana concordou com um sorriso.
	Ento talvez devssemos comear a planejar o seu casamento.
	No mude de assunto, Lily. Ei, l vem Cait!
	Bem-vinda!  ela disse dando dois beijos no rosto de Diana.

	 bom estar m casa  Diana falou.  Como foi o julgamento?
	O caso no foi solucionado porque o magistrado perdeu o resultado de um exame de laboratrio. E graas  monumental burocracia do sistema, o juiz foi obrigado a dar ganho de causa ao ru. Assim, vamos ter mais um estuprador solto pelas ruas  ela falou, suspirando.
	Que pena!
	O mais difcil foi explicar para a vtima como ela foi vencida pelo sistema. Especialmente depois de eu ter gasto horas tentando convenc-la a denunciar o bastardo.
	O que vai acontecer agora?
	Fiz alguns telefonemas e parece que vo retomar o caso.
Uma vez que  o supervisor dela, espero que pelo menos o citem por estupro.
	Isso  melhor que nada  Diana encorajou.
	 o que fico falando para mim mesma  Cait concordou.
	Mudando de assunto, Sloan me disse que voc conseguiu algumas informaes com Alexandra.
Pelos prximos dez minutos ela relatou o que tinha descoberto sobre os problemas do casamento de Alexandra e Patrick, incluindo a briga dos dois naquela noite. Tambm contou sobre a gravidez de Alexandra.
	A autpsia revelou a gravidez?  Cait perguntou.
	No, mas isso no quer dizer muita coisa.
	Voc acha que esconderam esse fato?
	 bem possvel. Mas conspirao  difcil ser provada porque basta uma pessoa falar e a coisa toda muda. Alm disso, nesta cidade, segredos so difceis de serem guardados.
	Talvez por ter sido fcil descobrir que Alexandra fora morta por estrangulamento, o encarregado das investigaes achou que no havia necessidade de atentar para outros detalhes.
	Mas  para isso que existe a autpsia  Cait ponderou.
	Verdade. Mas vamos encarar o fato, o assassinato ocorreu h mais de sessenta anos e as coisas eram diferentes. Mesmo hoje em dia, com todos os equipamentos modernos, erros podem ser cometidos.
	H tambm a possibilidade de voc estar errada  Lily falou.  Sobre Alexandra estar grvida.
	No. No posso explicar como eu sei, mas tenho certeza absoluta que ela estava grvida de um filho de Patrick.
	Isto parece loucura  Lily falou.  Voc j pensou que os sonhos que voc vem tendo talvez seja o esprito de Alexandra falando com voc? Tentando absolver o marido?
	Trs meses atrs eu riria dessa ideia.
	E agora?
	Agora no descarto nenhuma possibilidade. Incluindo o fato de Alexandra Romanov estar me dizendo que seu marido foi executado por um crime que no cometeu.
	Esta conversa est me deixando ainda mais deprimida  Cait falou.  Ento, mudando para assuntos mais alegres, parabns por sua deciso em morar com Brad.
	Como voc sabe? S resolvi algumas horas atrs.
	Sou uma detetive  Cait lembrou.  Na verdade, Brad contou para Lily, que me ligou e contou.
	As notcias voam rpido.
	Sempre. Logo a notcia vai estar espalhada pelo pas.
	Na verdade, vi nossa foto num jornal da Grcia.
Uma foto dos dois danando na festa de casamento a que tinham comparecido. O amor que ela sentia por Brad estava estampado em seu rosto, em seus olhos. Foi s ento que Diana compreendeu o que Cait e Lily vinham falando h muito tempo sobre os dois terem sido feitos um para o outro.
Ento, por que no concordar logo em casar com ele? Porque precisava tempo. Tempo para pensar. Diana no gostava de tomar nenhuma deciso sem antes pensar muito.
Talvez por ter crescido rodeada por adultos que ganhavam a vida com o jogo do faz-de-conta, talvez porque fosse o modo que encontrara para descobrir lgica num negcio que girava em torno de fantasias, ou talvez por ser meramente sua natureza. Mas, qualquer que fosse a razo, Diana sempre se sentia melhor quando as coisas tinham sentido.
Quando eram seguras. E previsveis.
Infelizmente, o amor no era lgico. E nada em seus sentimentos por Brad fazia sentido. No eram seguros. No eram previsveis. Acabara se apaixonando por um homem que era to confivel quanto perigoso.
No havia respostas para suas dvidas. Brad Remington era seu destino, querendo ela ou no. Amava Brad mesmo sem as garantias que procurava.
O amor no vinha com garantias. O amor no vinha sem riscos.
Enquanto ouvia Cait e Lily discutindo os planos de casamento de Cait, Diana chegou  concluso que sua relutncia em se comprometer com Brad era mais um medo profundo de ter perdido o controle do seu corao, e assim corria o risco de perder o controle de sua vida.
O que ela no estava considerando era que tinha se apaixonado por um homem que valia todo e qualquer risco.

CAPITULO X

O bar do clube estava lotado. Esculturas de pei-rxes e trofeus de caa, veados, lees, antlopes,' espalhavam-se pelas paredes.
Enquanto bebia uma cerveja gelada e ouvia os planos de pescaria de Michael Connelly, Brad no conseguia evitar a sensao de estar sendo observado e julgado por aqueles olhos de mrmore.
Voc nunca pescou com rede?  o velho senhor perguntou.
Michael Connelly era um homem alto, forte, com a pele queimada de sol. Usava um velho jeans, camisa de flanela e botas.
	Nunca. Peguei alguns peixes pequenos em...
	Lixo  Connelly desprezou.  Que no so maus quando fritos para acompanhar uma cerveja.
	Era assim que minha av os preparava quando eu era um garoto em Whiskey River, Arizona.
Connelly assentiu e acenou para o garom trazer outra cerveja para os dois.
Brad procurou voltar ao assunto que o levara at l.
	Mas voltando ao nosso caso  ele comeou com cautela.
Michael Connelly colocou o copo com fora sobre o balco.
	Pensei ter dito, meu jovem, que cavar tmulos pode espalhar mau cheiro.
	Ou clarear o ar  Brad completou.
A resposta do ex-policial foi um palavro.
	O que est morto, morto est. Nada vai-mudar esse fato.
	O senhor est certo. Mas e sobre o assassino? E se ele estiver sentado em algum bar esta noite, planejando ir pescar amanh?  justo isso?
	Voc acha que ter sido policial e tudo mais vai te ajudar a esclarecer o caso? Nem sempre a vida  justa.
	O senhor tem razo. Mas nem por isso vou deixar de tentar.
Michael Connelly podia estar nos seus oitenta anos, mas seus olhos azuis eram brilhantes e diretos.
Voc no desiste facilmente, no , menino?
	No senhor.  O olhar de Brad era tambm direto e srio.  Nunca.
Houve um longo silncio. Connelly retirou um charuto do bolso da camisa, quebrou seu filtro e o colocou entre os lbios. Depois retirou uma caixa de fsforo e acendeu o palito na sola de sua bota.
Brad esperou pacientemente.
	Voc tem que entender como era naquele tempo  Connelly falou finalmente.  No como hoje, quando tudo  diferente. Um ator casado transa com a primeira atriz numa praia que ele pensa estar deserta, dois dias depois as fotos esto estampadas na primeira pgina do tablide do supermercado.
Ele soltou uma longa baforada e ficou observando a fumaa por um bom tempo.
	Voltando aos velhos tempos, acontecia muito mais coisas no mundo do cinema do que se tornava pblico. Como o caso de Fatty Arbuckle. E o suicdio de Paul Bern.
	O senhor estava me falando sobre o assassinato de Romanov  Brad lembrou.  Sobre a diferena entre a percepo
das pessoas de Hollywood e a verdade.
	As pessoas falam dos bons tempos de anos atrs. Quando os estdios existiam s para fazer filmes. Ora, desde o comeo, eles buscavam seus prprios interesses antes de mais nada.
E os departamentos de publicidade existiam para evitar que os escndalos chegassem aos ouvidos das pessoas.
	Mas alguns escndalos so muito grandes para serem acobertados.
	 verdade  Connelly concordou.  E quando esses escndalos vinham a pblico, a engrenagem entrava em ao, distorcendo os fatos onde era necessrio, de modo que o pblico acreditasse no que eles queriam e que era do interesse deles. Ningum se importava em descobrir que verdade estavam escondendo. Ou que vidas poderiam estar arruinando. O importante era que os estdios, e as pessoas que os dirigiam, sassem ilesos.
	Foi isso que aconteceu com o assassinato de Romanov? A verdade foi obstruda?
	Obstruda?  O riso transformou-se em tosse.  No, enterrada. Sete palmos abaixo do cho. Junto com as cinzas de Reardon.
	A imprensa s divulga a informao que recebe. O Xanadu pode ter querido amenizar as coisas para sua prpria vantagem, mas e os reprteres que tinham sua fonte dentro do departamento de polcia?
Connelly no respondeu.
	Se a polcia tinha ligaes com os chefes do estdio, algum levantaria o fato de haver um impedimento de uma investigao criminal mais profunda.
	No posso argumentar contra isso.
	Seguindo essa linha de pensamento,  tambm possvel que a polcia de Los Angeles...
	No se esquea do promotor pblico  Connelly interrompeu.
	Se Reardon no matou, o senhor est afirmando que todo o sistema da lei foi culpado em ajudar um criminoso a escapar.
	No estou afirmando nada. Voc  quem est seguindo essa linha, garoto.  A resposta evasiva provava que os nervos treinados do policial estavam cedendo.
	O senhor foi o primeiro detetive a chegar no local, no foi?
	Eu e meu companheiro, Hank Greene.  Ele olhou para o copo vazio de Brad.  Quer mais um?
Vendo que o copo do ex-policial tambm estava vazio, Brad ordenou outra rodada.
	Diga-me o que o senhor encontrou.
	No havia muito o que encontrar. O crime aconteceu no quarto de vestir que fazia parte da sute principal. A atriz estava morta, cada no cho, na frente daquele enorme e horroroso espelho. Pelas marcas em sua garganta, no precisava ser um gnio para ver que a coitada tinha sido estrangulada. Havia dois copos e uma garrafa de champanhe numa mesa. Um dos copos tinha marca de batom, da mesma cor do usado pela vtima. O outro parecia no ter sido tocado. Um cigarro apagado no cinzeiro de cristal sobre a mesma mesa. Uma vez que no havia marca de batom nele, deduzimos que provavelmente fosse de Reardon.
	O que ela estava usando?
	Era como se estivesse nua. Era um daqueles ngligs,branco e cheio de fitas, e to transparente que at um cego podia ver o que estava por baixo. Ouvi dizer que o policial fotgrafo comprou um stio com o lucro que teve vendendo as fotos para os jornais.
 O senhor no achou algum sinal de luta?
	No. Isso, mais as roupas e as taas de champanhe mostravam que a vtima era ntima do seu assassino.
	Foi isso que o promotor disse no julgamento  Brad concordou.  Mas h muitas outras possibilidades. O criminoso pode ter entrado na casa enquanto ela esperava pelo marido.
	A porta estava trancada quando Reardon entrou e a encontrou morta.
	Algum mais poderia ter a chave.
	Pelos rumores que corriam, metade dos homens da cidade poderia ter a chave da casa de Alexandra Romanov.
	Rumores? Que rumores?
	Voc sabe, naquelas festas, corria muita bebida. Tambm diziam que ela no era membro de uma famlia real russa.
	E o que o senhor tem a dizer sobre Cuba?
	Sobre Cuba?
	Imagino que algum tenha checado a vida de Alexandra l.
	Provavelmente.
	Imagino tambm que no seria assim to difcil descobrir como ela ganhava a vida em Cuba.
	Me parece que ela era um tipo de modelo.

	Entre outras coisas.
Connelly no respondeu.
	Importa-se se eu formular algumas teorias?
	No tenho muito mais a dizer.

	Hipoteticamente falando, se a polcia tivesse descoberto que a maior estrela de Xanadu tinha trabalhado como prostituta num cassino em Havana, isso podia abrir uma linha de investigao.
	Pode ser. H sempre a chance, hipoteticamente falando, mais de uma daquelas linhas levavam diretamente ao marido.
	Concordo. Mas, se esse fosse o caso, o promotor teria levantado a hiptese no julgamento. Para mostrar o motivo.
	No era necessrio. Todos os motivos esto enterrados com Reardon.
	Ento no havia como ameaar a reputao de ouro do estdio Xanadu.
	Interessante essa sua teoria.
	Eu acho. Tambm acho que poderia ter sido sua teoria.
Antes de o senhor ter sido afastado do caso.
	No fui afastado. Pedi afastamento.
	Oh, me esqueci desse detalhe  Brad falou.  Vejamos. Sei que o senhor era o menino de ouro do departamento, que estava destinado a ser tenente antes dos trinta. E que poderia ter chegado ao posto de comandante da diviso. Ou chefe.
	Alexandra Romanov foi morta h mais de sessenta anos.
Por que, diabos, voc est cavando as coisas agora?
	Antes tarde do que nunca.
A resposta de Connelly foi um palavro.
	Importa-se se eu tentar um pouco mais de teorizao?
O velho senhor abriu os braos como quem diz " vontade".
: Acho que o senhor no estava contente com o modo como a investigao estava sendo conduzida. O senhor achava que Reardon era um ru bvio demais para ser verdade.
	Crimes de paixo acontecem.
	Verdade. Como os crimes que geram lucros.
	Voc est dizendo que acha que a morte dela seria rentvel?

	No. Mas o senhor j disse que a poca era outra. Que o estdio tinha um enorme poder e muita influncia. Digamos que a histria do passado de Alexandra estava comeando a ser descoberta. Ou que por uma razo ou outra, ela estava pensando em deixar Xanadu, o que iria diminuir drasticamente o faturamento do estdio.
	O pas estava sofrendo os efeitos da depresso. S dois estdio, o Xanadu e a MGM no estavam operando no vermelho. Se Alexandra parasse, ou se sua carreira fosse arruinada por um escndalo, todos os executivos do Xanadu, incluindo Walter Stern, estavam perdidos.
	O problema com essa teoria  Connelly interrompeu   que voc acabou de dizer porqu ningum do estdio deveria mat-la. Porque uma atriz morta no leva gente ao cinema.
	A  que o senhor se engana. Ns dois sabemos que no h nada que os membros da imprensa e as pessoas em geral amem mais do que um escndalo. Quando Xanadu liberou o Ouro dos Tolos, na semana em que Reardon foi a julgamento, o filme quebrou todos os recordes de bilheteria no pas inteiro. O ltimo filme de Alexandra, escrito por seu marido, fez tanto dinheiro que Stern teve a brilhante ideia de relanar todos os velhos filmes dela. E a arrecadao foi tanta que ele passou o resto do perodo da depresso em grande estilo.
	Voc est acusando Stern de ter feito dinheiro com o assassinato de Alexandra. Mas no  isso exatamente que Dia na Fielding est fazendo?
	Os motivos de Diana so outros.
	Com certeza. A dama pensa que vai solucionar esse crime. E ela pode chegar perto. Mas, na polcia, da qual voc tambm j fez parte, chegar perto no quer dizer nada. Num filme  suficiente se voc relatar os fatos com fidelidade. A histria contada atravs da tela se torna verdade. Como meu trabalho  resolver assassinatos, no posso me dar ao luxo de especular.
	Ou o homem errado poderia morrer  Brad disse calmamente.
Connelly no respondeu. Ele virou-se para o lado e ficou olhando o lago atravs da janela. Tinha comeado a chover.
	Naquela poca, Los Angeles era uma cidade aberta. Tinha bebida rolando solta, droga, prostituio, jogos. Nosso trabalho deveria acabar com tudo isso, mas muitas vezes eu me sentia como uma formiguinha lutando contra um elefante. O nico modo de sobreviver ao sistema era seguir as ordens. Se meu tenente me dissesse para pular, eu perguntaria "a que altura?". Eu fazia exatamente o que me ordenavam fazer.
	E se aquele mesmo tenente dissesse para o senhor ignorar uma evidncia crucial numa investigao de assassinato...
	Eu diria "no, isso no farei".  Pelo olhar implacvel de Connelly, Brad soube que ele estava falando a verdade.
No importava se Connelly tinha sido afastado do caso ou pedido para sair, ou se ele sara porque sabia que ia ser substitudo. A verdade, por mais terrvel que fosse, era que no caso de Alexandra Romanov, a verdade e a justia tinham sido engolidas pela roda da corrupo.
	At que patente o senhor alcanou?
	Nunca ocorreu a voc que algumas pessoas podem no gostar da ideia de voc e aquela Fielding estar remexendo num caso encerrado?
	O senhor mesmo disse que o crime ocorreu h ses senta anos.
	Disse. Mas o que faz voc pensar que sou o nico sobre vivente daqueles dias?
	No creio que o senhor queira fornecer o nome de outros?
	Jamais. Mas se voc no tiver mais nada que fazer, por que no procur.a Paul Young?
	O antigo promotor de Los Angeles?
	O prprio. Ele abandonou o cargo logo aps a execuo de Reardon. Da ltima vez que soube dele, ele tinha se mudado para Barbados. E no estava exatamente acampado na praia, se voc entende o que quero dizer.
Brad jogou algumas notas sobre a mesa para pagar as bebidas e uma outra para o outro homem.
	No quero seu dinheiro  Connelly falou com desprezo.  No precisa pagar porque no contei nada a voc.  Os olhos dele estreitaram-se sob a aba do bon.  Entendeu?
Brad assentiu.
	Boa sorte na pescaria.
Enquanto caminhava na chuva em direo ao carro, Brad foi obrigado a concordar com Diana. Patrick Reardon era inocente.
Havia dois pontos a pesar. Primeiro o fato de Connelly t-lo advertido sobre pessoas ainda vivas que poderiam no querer que a verdade viesse  tona. E segundo, que se no foi Reardon quem matou Alexandra, talvez Natasha estivesse certa. Walter Stern poderia ter matado a maior estrela de Xanadu.
Diana no queria mudar para o apartamento de Brad sem ele estar presente. Embora j tivesse uma cpia da chave, decidiu passar mais uma noite no hotel. Depois que Brad voltasse de Oregon, os dois fariam juntos a mudana.
Parecia o plano mais lgico. At Alan Sturgess aparecer na porta de seu chal enquanto ela embalava o resto de suas coisas.
	Precisamos conversar  ele falou sem prembulos.
	No h nada para falarmos  ela declarou. Ele impediu que ela fechasse a porta.
	No resolvemos tudo  ele falou, enquanto entrava.
Quando viu as malas, arqueou as sobrancelhas?
	Vai viajar?
	No que seja de sua conta, mas vou me mudar para um apartamento.
	Eu disse que voc se cansaria de um hotel.
	, disse.
	No precisa mudar para algum lugar pequeno. Tenho muito espao na minha casa.
	Voc est me convidando para morar com voc?
	Claro. J discutimos isso antes.
	Mas no era voc que estava com medo de arruinar suas chances de se tornar chefe da equipe, morando com uma mulher que ainda no era sua esposa?
	Foi excesso de cautela. Mas, depois do terremoto, fui eu quem sugeriu que voc se mudasse para minha casa.  Olhando-o agora, Diana pensou como um dia poderia ter pensado em se casar com ele.  A oferta ainda est em p.
	Ser que haveria espao suficiente? Pense bem, voc, eu e Brittany sob o mesmo teto?
	Brittany foi um erro. Tudo comeou porque ela estava aterrorizada com medo da cirurgia. Admito que meus esforos para tranquiliz-la foram um pouco alm do necessrio.
	Um pouco? Alan, mesmo descontando o fato de voc ser infiel a mim, voc estava dormindo com uma cliente.
	No fui o primeiro mdico a cair no conto de uma paciente interesseira. Nem serei o ltimo. Mas no vim aqui para falarmos disso.
	E por que veio ento?
	Para te convencer que no h necessidade de rompermos s por causa de um pequeno lapso de minha parte.
Era muito mais que um lapso, mas Diana sabia que no adiantava discutir. Alan s enxergava e entendia o que ele queria. Ele desprezava o trabalho dela, especialmente o projeto sobre Alexandra.
	Voc pode ter razo.
	Essa  minha garota.
	H casos em que a infidelidade pode ser perdoada. Infelizmente, Alan, este no  um deles.
	O que voc quer dizer com isso?
Ela respirou fundo, sentindo-se muito cansada.
	Quero dizer que h outras razes para eu no me casar com voc. Razes que no tm nada a ver com Brittany. Ou alguma outra mulher com quem voc possa ter dormido enquanto estvamos noivos.
	Acho que devo saber quais so essas razes.
Ela no devia nada a ele, mas resolveu falar mesmo assim.
	No amo voc, Alan.
	Como j falei, Diana, nunca esperei um casamento baseado no amor. O amor no constitui uma boa base. Nunca dura.
	 a que voc est errado, Alan.  Ela pensou em Alexandra e Patrick. O amor dos dois era absoluto e para todo o sempre.
	Qual a razo nmero dois?
	Estou apaixonada por um outro homem. Um homem com quem pretendo me casar.  O momento em que Diana se ouviu dizendo aquelas palavras, soube que era o que queria.
 O mais cedo possvel.
	No acredito. Quando aconteceu? Como aconteceu?
	Eu j me sentia atrada por Brad h muito tempo, mas me negava a ver isso. Depois, aconteceu.
	Voc no est se referindo quele detetive que voc contratou?  Havia desprezo na voz de Alan.  Remington, no?

	 esse o nome dele. E sim,  dele que estou falando.
 Voc dormiu com o cara na Grcia, no foi?
	Isso no  de sua conta.
	No vai durar, voc sabe. Vocs so muito diferentes.
	Sobre algumas coisas, sim. Mas no nas que interessam.
	No acredito que voc est fazendo isso.
	Sinto muito se voc no pode entender.

	No tanto quanto voc vai sentir. Casada com um ex-policial que passa o dia espiando as janelas dos quartos dos motis.
	Brad  um bom homem. E um grande detetive. Estou orgulhosa dele. E especialmente orgulhosa pelo modo como ele escolheu passar a vida ajudando as pessoas.
Alan sacudiu a cabea, olhando para ela como se a visse pela primeira vez.
	Pensei que te conhecia. Estou decepcionado por descobrir que estava errado.
 No precisa estar  Diana falou, enquanto o conduzia at a porta.  Porque eu tambm pensei que me conhecesse. E acredite, Alan, foi um choque descobrir que eu estava errada.
Alan estava para sair quando virou-se e perguntou.
	No garanto que v estar lhe esperando quando voc voltar a ter bom senso.
	No espero que esteja mesmo.
Diana ficou olhando seu ex-noivo sair e compreendeu que um captulo de sua vida estava encerrado. Mas no sentia pena. Um outro, muito mais excitante e maravilhoso estava comeando.
Dez minutos mais tarde, ela estava dirigindo pela Sunset Boulevard, na direo do apartamento de Brad.

CAPITULO XI

Toda vez que Diana visitava o casaro onde ficava o apartamento de Brad, experimentava uma estranha sensao de j ter estado l. Aquela noite no foi diferente. Sentiu arrepios ao passar por sob a inscrio "Acredite na Lenda".
Fazia planos para seu novo lar. No dia seguinte, por exemplo, prepararia um jantar de boas-vindas para Brad. Regado a champanhe, claro. Fil de salmo, vinho branco. No, talvez Brad preferisse bife, batata frita e salada. E uvas como sobremesa. Precisava descobrir a comida preferida de Brad.
Comeriam primeiro ou fariam amor primeiro?
Estava cantarolando enquanto caminhava do estacionamento at o porto de entrada, quando percebeu que algum a seguia. Virou-se com medo que fosse um ladro.
	Walter? Que susto voc me deu.
	Ol, Diana.  O sorriso dele era falso, mas havia tenso em seus olhos.  Linda noite, no?
O que ele estava fazendo ali? E como sabia que ela estaria l?
	Na verdade, parece que est se formando uma tempestade.
Parecendo surpreso, ele olhou para o cu.
	E no  que voc est certa?
	O que est fazendo aqui, Walter?
	Preciso conversar com voc.

	 assim to importante? No pode esperar at amanh? Estou muito cansada e...
	No vou me demorar. E muito importante. Eu at diria vital. Para o futuro de ns dois.
	Tudo bem. Mas apreciaria muito se voc no se demorasse. Estou exausta.
	Sei que deve estar. Uma viagem  sempre cansativa.
Diana no se deu ao trabalho de responder. Caminharam em silncio at o apartamento de Brad.
	Como voc me encontrou aqui, afinal?
	Eu estava chegando ao Chateau Marmont justamente no momento em que voc estava saindo.
	Voc est dizendo que me seguiu at aqui?
	Segui sim. Eu precisava conversar com voc.         ,
Diana achou que no havia motivo para ficar com rnedo. Walter Stern tinha uma reputao a cuidar.
	Tudo bem  ela falou relutante.  Vamos entrar.
	O que tenho que discutir com voc no pode ser dito na frente daquele detetive que voc contratou.
	Brad no est aqui.
	No est?
	No. Ele est em Oregon,  procura de um dos detetives que foi o primeiro a chegar na cena do crime.
Ele no respondeu.
	Na verdade, estou me mudando para c.
Ele demonstrou surpresa com a revelao.
	A viagem para a Grcia deve ter sido um sucesso.
	Foi muito agradvel.
	E informativa?
	Foi. Natasha Kuryan foi muito til.
	Eu disse que ela era uma mentirosa.
	Disse mesmo. E tambm me disse que ela era louca. Apesar de um pouco excntrica, ela ainda est muito lcida.
	Imagino que voc tenha ouvido o que se passou no estdio  ele falou abruptamente, mudando de assunto.
Aquela devia ser a razo para ele t-la procurado aquela noite.
	Sobre sua deciso de se aposentar.
	Ns dois sabemos que no sa por minha vontade, Diana. Fui forado. Pelo seu novo amigo. Mas voc no me pareceu surpresa.
	No. Confesso que quando soube que Connor tinha comprado o Xanadu, no consegui ver vocs dois trabalhando juntos.
	Voc nunca gostou de mim, no , Diana?
	Na verdade no. Por alguma estranha razo, sempre achei ofensiva a ideia de um homem adulto abusando de uma menina.
	Esse no era o sinal que voc estava me dando naquela poca.
	Pelo amor de Deus, Walter. Eu tinha quinze anos de idade. Mesmo se eu soubesse o que era dar sinais, o que no fiz, voc devia ter mantido as mos longe de mim.
O queixo dele enrijeceu. Uma veia pulsou em sua tmpora.
	E foi o motivo de tudo o que est acontecendo?  ele perguntou com voz ameaadora.  Voc est usando o amante de sua amiga para se vingar de mim depois de todos esses anos?
Ante o absurdo da ideia, Diana no conseguiu deixar de rir.
	Isso, mais do que tudo, prova minha teoria sobre voc e Connor no serem capazes de trabalhar juntos. Se voc conhecesse Connor Mckay, saberia que ele nunca, em nenhuma circunstncia, usaria sua riqueza e seu poder para conseguir as coisas.
A ideia de que ele tenha te forado a sair do estdio, que foi de sua famlia por trs geraes, por minha causa,  ridcula.
	 isso que voc diz.
	E  a verdade.
Um pesado silncio caiu entre eles. Walter demonstrava que no acreditava nela nem um pouco. Seu olhar caiu sobre o espelho.
	Esta  a coisa mais feia que j vi.
Diana foi surpreendida pela compulso em defender o velho espelho, mesmo ela tambm se sentindo um pouco constrangida na frente dele.
	Mas  uma pea muito valiosa.
	No me importa se ele foi de Maria Antonieta. E feio como uma praga.
Diana no queria falar sobre o espelho. Na verdade, no queria discutir nada com Walter Stern. S queria que ele se fosse. Fora do apartamento. Fora de sua vida.
	Bem, agora que te assegurei que no estou por trs de sua demisso, acho que j  tarde e voc pode ir.
	Aposto que voc convenceu Mackay a continuar seu projeto  ele falou, ignorando o pedido dela.
	No precisei convencer ningum. Meu contrato com o Xanadu permite que minha companhia produza um filme para cada dois que eu estrele para o estdio. Acho que a ltima palavra  minha.
	Mas Mackay est por trs do filme.
	Ele acha que o filme pode ser candidato ao Oscar.
Walter riu.
	Isso s prova o pouco que entende do negcio. A Academia no vai votar num filme que no tem apelo s massas. E acredite, seu pequeno melodrama no vai sobreviver  semana do lanamento.
Como ela nada comentou, ele continuou:
	As pessoas vo ao cinema em busca de aventura, para ver as coisas acontecerem. Elas no gastam dinheiro para perder duas horas de suas vidas assistindo a reconstituio do crime de uma atriz que todo mundo j esqueceu. Seu filme est fadado ao fracasso.
	Voc  livre para pensar como quiser  ela afirmou, deixando bem claro que a opinio dele no importava.
	Voc vai se arrepender  ele a advertiu, com um tom ameaador que ela nunca tinha ouvido antes.  Voc vai se arrepender muito.
Naquele momento, o telefone soou. Achando que podia ser Brad, Diana correu para atender.
	Al! Oh, tudo bem Lily? No, voc no est atrapalhando.
 Ela olhou por sobre os ombros.  No quero te prender, Walter.
Ela ouviu a porta abrir e depois fechar com fora. Lily queria saber tudo. Sim, tinha mudado para o apartamento; no, Brad ainda no ligara.
Desligando, Diana parou na frente do espelho. O sorriso era definitivamente o de uma mulher apaixonada.
Com a inteno de buscar o resto de suas coisas no carro, ela estava quase na porta quando, com o canto dos olhos, viu alguma coisa diferente. Voltou-se.
	No posso acreditar  ela murmurou, olhando para a imagem no espelho. A mulher de cabelos escuros, com um vestido longo, aparecia em p, parada, olhando sem piscar para Diana.  Sei que Cait e Connor j te viram. Mas, para falar a verdade, no acreditava que voc existisse realmente.
Quando o claro de um relmpago iluminou o apartamento, Diana tentou se convencer de que a viso era fruto de sua imaginao, do seu estado de exausto, da diferena do fuso horrio.
Mas no, a imagem era muito real.
De acordo com a lenda, meu maior desejo vai se realizar. Ou meu maior medo se concretizar.
Brad! E se o avio casse? E se ela o perdesse? No, pensamentos negativos no.
	Ento, o que vai ser?
A mulher no espelho no respondeu. Mas seu sorriso lento, estranho, parecia uma resposta. Um outro trovo, um outro raio.
As luzes tremeram, depois apagaram, deixando o apartamento no escuro.
Brad j estava chegando ao hotel quando brecou o carro bruscamente, fez meia volta e voltou para o clube dos pescadores.
Felizmente, Connelly ainda estava no mesmo lugar onde o deixara.
	Esqueceu alguma coisa?  o velho perguntou assim que avistou Brad.
	Aquele cigarro no cinzeiro  ele disse  o que o fez pensar que pertencia a Reardon?
	Estava no quarto de Alexandra. Se no era dele, ento a dama estava com outro homem no quarto.
	Reardon no fumava.
	Como voc sabe disso?
Era uma pergunta  qual Brad no podia responder.
	Eu sei.
O ex-policial encolheu os ombros.
	Isso no quer dizer nada. Se ele voltou para casa e encontrou alguma evidncia de que outro homem estivera com sua esposa, mais um motivo para t-la matado.
	Pensei que o senhor no acreditasse que Reardon matou a mulher.
Connelly bebeu um longo gole de sua cerveja, depois enxugou a boca com as costas da mo.
	Ponto para voc.
	Uma outra coisa. Aquele espelho no quarto de vestir. O senhor se lembra exatamente de como era?
	Jamais vou esquecer. Era um espelho enorme, feito de algum tipo de metal.
	Com desenhos nas bordas?
	Exatamente. Era feio como uma praga, com todo tipo de desenho de botes de rosa em sua volta.
	O senhor se lembra onde ficava essa casa?  ele per guntou com uma voz muito mais tranquila do que se sentia.
	Com certeza. Era no distrito de Wilshire.  O endereo que ele deu era exatamente onde Brad morava.
	Isso no pode ser. Os registros mostram que a cena do crime foi trs blocos para a frente.  Brad e Diana tinham visitado o local, constatando que tinha sido demolido em 1960 para a construo de um shopping center.
	Os registros esto errados. A primeira pessoa que soube do crime foi um policial atrado pelos gritos histricos da governanta de Reardon. Ele ficou to chocado que deu o endereo errado quando ligou para a delegacia. A imprensa pegou o endereo pelo registro da delegacia que no tinha sido mudado porque ningum tinha pedido a mudana.
	Como o endereo errado foi parar no julgamento?
	As coisas acontecem.
Especialmente numa situao onde ningum estava interessado em descobrir a verdade, nem mesmo o advogado de defesa de Patrick.
	Alm disso  Connelly admitiu , o erro foi bom para os policiais, porque manteve os curiosos longe da cena do crime.
	E sobre a outra casa? Certamente as pessoas que moravam l reclamaram de tanta ateno.
	A casa estava vaga desde seis semanas antes do crime.
	Mas ningum sabia onde Alexandra e Patrick moravam? Brad perguntou.
	Eles tinham mudado para aquela casa uma semana antes. No dia de Natal.
Isso explicava por que Natasha no mencionara nada sobre o lugar onde Alexandra morava.
E Diana... Deus, ela estaria se mudando aquela noite. Bem para a sala onde Alexandra tinha sido estrangulada. O sangue de Brad gelou.

CAPITULO XII

O padre era jovem, com um rosto magro e plido, ros olhos tristes.
	No vai demorar agora  ele falou pela ensima vez aquela noite.
Sem vontade para conversar, Patrick no respondeu.
Apesar de ser sua misso tranquilizar as ltimas horas do prisioneiro, o padre recm-sado do seminrio no tinha a menor ideia de onde comear.
	Voc gostaria de rezar?
Patrick negou com a cabea.
	Quer comer alguma coisa? Voc no tocou no jantar. No est com fome?
Apesar de no haver nada engraado na cena, Patrick quase riu da situao.
	Isso  irrelevante, agora, o senhor no acha?
	Sinto muito.  O padre estava visivelmente nervoso.  Acho que no estou me saindo muito bem.
Patrick ficou com pena do jovem.
	O senhor est fazendo tudo direitinho, padre.
	De verdade?
	Com certeza.
	Eles dizem que no dura muito.
De onde estavam avistavam os campos verdes e os telhados marrons l embaixo. Patrick pensou na viagem que ele e Alexandra tinham planejado para a terra dos avs dele. Tinham reserva para navegar no dia seguinte ao da premire do filme Ouro dos Tolos.
Depois de quatro semanas visitando a Inglaterra, voltariam aos Estados Unidos, diretamente para a fazenda dele em Wyoming, onde viveriam felizes para sempre, os dois mais uns oito ou mais filhos que Alexandra insistia em ter.
Aquele tinha sido o plano. Infelizmente, a vida o impediu de se concretizar.
	Sabe, meu filho,  meu dever aconselh-lo a fazer um bom ato de contrio. Para que Deus o absolva de seus pecados antes...
	Vou encontrar meu criador logo, padre  Patrick o interrompeu.  No vejo como uma prece vai fazer tanta diferena quando comparada com uma vida inteira de delitos.
	A igreja prega absolvio para nossos pecados. Voc no vai virar as costas para os sacramentos, vai?
	Agradeo a oferta.  O tom de Patrick era polido, mas firme.  Mas acho que vou arriscar.
Apreenso surgiu nos olhos azuis do padre.
	No se deve falar assim.
	O senhor ainda no notou, padre? O mundo inteiro ficou louco. Um luntico a mais provavelmente no vai fazer tanta diferena. No cu ou no inferno.
	O bispo no vai gostar disto  o padre se queixou mais para si mesmo do que para Patrick.
	No se preocupe, padre. No vou contar a ele se voc no quiser.
	Voc  um homem muito estranho, sr. Patrick Reardon.
	J me disseram isso.
Mas um homem inocente, acho  o padre concluiu.
Patrick sorriu, pensando que era a primeira pessoa a acreditar naquilo. Nem seu advogado acreditava.
No, ele lembrou, houve um outro. Aquele detetive que tinha sido o primeiro a chegar no local. Conlin? Coughlin? Connelly. Isso. Infelizmente, o detetive Connelly tinha desaparecido, acabado como mais uma vtima do sistema corrupto.
	Nunca ningum lhe contou, padre, que a fila da morte  cheia de homens inocentes?
Naquele momento, o carcereiro chegou.
	Est na hora  ele anunciou em voz baixa.
Patrick levantou-se. Apesar de no estar pensando nos prximos minutos, sentiu o sangue correr mais rpido nas veias.
Porque, desde o primeiro momento em que vira Alexandra Romanov, Patrick sabia que a tempestuosa atriz russa seria seu destino. Sendo assim, ele no tinha a menor dvida de que estava para se reunir com a nica mulher que tinha amado. A nica mulher que poderia amar. Por toda eternidade.
Brad acordou bruscamente. Lutando para se livrar das imagens do pesadelo, ele passou a mo pelo rosto e ficou surpreso ao encontrar o rosto banhado de suor.
	Acabamos de passar por uma turbulncia  uma voz feminina informou.  Nada para se preocupar, sr. Remington.
Gostaria de uma toalha quente?
	Por favor.
Ele pegou a toalha com mos ligeiramente trmulas. No era medo de voar. Era o pesadelo que o deixara naquele estado. Um pesadelo que ele sabia, por mais impossvel que pudesse parecer para a maioria das pessoas, que no tinha sido exatamente um pesadelo, mas o acordar de uma lembrana h muito enterrada.
Brad sabia que Patrick Reardon era inocente. Com certeza absoluta.
Porque ele, Brad, tinha vivido na pele de Patrick Reardon.
Enquanto fazia aquela terrvel constatao, um medo absurdo o atacou. A mulher por quem tinha se apaixonado outra vez estava em perigo.
Brad olhou para o relgio. Faltavam ainda trinta minutos .para que pousassem em Los Angeles. Trinta minutos que pareceriam uma eternidade.
Como chovia torrencialmente, Diana decidiu retirar o resto de suas coisas na manh seguinte.
Deitou-se e, com os pensamentos no homem que amava, dormiu um sono profundo e sem sonhos.
A agonia de Brad aumentava a cada segundo. Enquanto o avio se preparava para a descida no aeroporto de Los Angeles, mil cenas passavam por sua cabea.
Ele lembrou da briga deles na festa de ano-novo. Primeiro os rumores que ouvira sobre a infidelidade de sua esposa. Depois, a revelao de que a mulher que ele adorava fora uma prostituta. Acabara por perder a calma e dizer coisas horrveis e cruis, coisas que jamais deveria ter dito.
Passou horas andando pela praia de Santa Mnica. Quando se sentiu mais calmo, decidiu voltar para casa e pedir desculpas por t-la julgado to mal.
Passada a raiva inicial, o choque das revelaes, ele compreendeu afinal que o que ela fizera no passado fora para sobreviver. Compreendeu tambm que as histrias sobre adultrio eram mentiras. Alexandra no faria isso com ele, da mesma forma que ele no faria isso com ela. Eram o destino um do outro. Almas gmeas. Agora que tinham se encontrado, nada ou ningum poderia separ-los.
Um homem todo de preto passou sem ser notado pela entrada do casaro e chegou at o apartamento sem encontrar ningum.
A porta fechada no foi empecilho. Um artefato de metal foi inserido no buraco da fechadura. Com um s movimento, destravou a fechadura.
A sala estava escura. Com o auxlio de um isqueiro ele caminhou at a porta do quarto principal.
Diana estava sonhando com Brad. Eles estavam de volta  Grcia, sozinhos numa ilha isolada. Nadavam nus, lado a lado, numa gua to clara e quente que parecia um outro mundo.
Diana aproximou-se e colou sua boca  dele, entregando-se ao prazer daqueles lbios,  sensao de sentir o corpo forte pressionando o seu.
No instante seguinte, j eram Alexandra e Patrick na fazenda deles em Wyoming, deitados na frente da lareira..
Fora, o vento soprava; dentro, o calor era provocado mais pelo toque dele do que pelas chamas que danavam na lareira.
	Voc  minha mulher.
As mos masculinas criavam uma trilha de calor por seu corpo. Os lbios provocavam um desejo intenso.
	Sou sua.  Louca para toc-lo tambm, precisando possu-lo do mesmo modo como ele a possura, ela agarrou os ombros largos enquanto o tomava para dentro de si.  E voc  meu marido. Meu amante. Meu tudo.  As palavras, pronunciadas em russo, no precisavam traduo.
Seus olhos se encontraram. As vises comearam a se esvair quando comearam a se mover no ritmo implacvel de suas necessidades. Paixo passou de um para o outro; o amor seguiu o mesmo ritmo.
	Para sempre  eles falaram ao mesmo tempo, enquanto elevavam-se para as chamas eternas do amor.
O quarto foi iluminado pelo claro de um raio. O homem de preto parou ao lado da cama, observando-a virar-se de um lado para o outro, ouvindo-a murmurar palavras doces e suaves. Quando ela pronunciou o nome de um homem foi como se um punhal tivesse atingido seu corao. Suas entranhas.
Ele sempre soube quem ela era. Ele entendia que ela viera ao mundo para seduzir os homens. Mas esse, afinal, era o preo que um homem devia pagar por possuir uma deusa.
S que ela fora longe demais. Ela o estava traindo. E ia pagar por isso.
Sua mo se moveu at o rosto dela, acordando-a do sonho ertico. Primeiro Diana pensou que fosse Brad. Mas havia algo naquela mo que no reconhecia.
Os dedos em seu rosto estavam enluvados. Diana reconheceu o odor da colnia.
	Alan?
	Psiu.  Ele cobriu a boca dela com uma mo enluvada.
 No grite. E no pea socorro.  Ele tocou a ponta de um bisturi na garganta dela.  Entendeu?
Um outro raio iluminou o rosto ao mesmo tempo familiar e irreconhecvel. Uma chama de loucura brilhava nos olhos do homem que ela pensava conhecer. Um homem que ela tentara muito amar. Um terror gelado, afiado como a lmina de uma navalha, percorreu sua pele.
Sem poder falar, e com medo de que seu movimento lhe custasse a vida, Diana fez um leve sinal com a cabea.
	Boa menina.  Alan Sturgess sorriu, um sorriso sem humor.  Agora, quero que voc saia da cama bem devagar.
E quero que me acompanhe.
Isto s pode ser um pesadelo, Diana pensava. No pode estar acontecendo. Logo ela acordaria e o sol brilharia e Brad voltaria para casa e ela falaria de sua deciso de casar-se com ele, o mais cedo possvel, e passariam o resto do dia e da noite fazendo amor.
	Eu disse, saia dessa cama.
Quando sentiu a lmina pressionada contra seu pescoo, Diana soube que no era brincadeira. Afastando o lenol, ela levantou devagar e saiu da cama.
	Assim est melhor.  Ele a pegou pelo brao.  Agora, venha comigo.
	Onde estamos indo?
Sua pergunta foi respondida com uma bofetada no rosto.
	Eu disse para ficar calada. Da prxima vez, vou usar o bisturi. Ento vamos ver que trabalho voc consegue depois.
 Sua voz era suave, mas ameaadora.  Quantos fs gostariam de ver o rosto desfigurado de Alexandra Romanov, hein?
Quando ele a tomou pelo brao e a puxou at a sala de estar, Diana achou que Alan a tinha confundido com a atriz assassinada.
Mas quando um outro claro mostrou o reflexo dos dois no espelho, ela finalmente compreendeu tudo. O homem atrs dela, com o bisturi pressionado contra sua garganta, lembrava Alan Sturgess. Mas atrs da loucura nos olhos dele ela viu a terrvel verdade.
O pnico aumentou. Fechando os olhos para o terror, ela concentrou-se para descobrir um jeito de sair dessa situao quase fatal.
	Foi voc, no foi? Voc matou Alexandra, no foi, Walter?
	Foi tudo sua culpa. Fui eu quem te encontrou. Fui eu quem fez de voc uma estrela. Eu a transformei no que voc  agora. Te dei muito mais do que voc podia sonhar. Mas no foi suficiente.  Ela sentiu a ponta da lmina contra sua pele gelada e sentiu o calor do sangue.
	Walter...
	Cale a boca!  A voz dele no estava mais controlada.  Ou no vou ser responsvel pelas consequncias.
Os dedos apertaram dolorosamente o brao dela, enquanto ele a arrastava para fora do apartamento. Diana pensou em gritar por socorro, mas conhecendo muito bem a habilidade dele em lidar com o bisturi, achou que no tinha outra opo a no ser acompanh-lo.
Ele a arrastou escada acima, para a torre no topo do edifcio, de onde no havia como escapar. Diana pisou na barra da camisola e caiu de joelhos.
	Levante-se  ele gritou, o dio endurecendo sua voz. Ele a forou a ficar em p e continuou a subir.
Ele abriu a porta do cmodo e a puxou para dentro.
	Voc no quer fazer isto  ela falou, procurando ganhar tempo, enquanto sua mente trabalhava freneticamente para achar uma sada.  No de verdade. No depois de tudo por que passamos juntos, Walter.
Homem possessivo, Walter Stern, fundador do Estdio Xa-nadu, tinha tratado Alexandra como seu brinquedo mais caro. At encontrar Patrick, Alexandra tinha permitido que Stern se tornasse seu dono absoluto.
Ele a vigiava como uma guia vigia sua presa, supervisionava seus scripts, aprovava cada pedao de comida que passava pelos lbios dela, escolhia suas roupas, seu corte de cabelo, seus carros, sua casa e seus amigos.
Um homem cruel, com um instinto nato para tirania, Walter a patrocinava, zombava dela e muitas vezes a humilhava. Mas ele a transformara do nada na maior estrela do estdio.
 Esse  o meu ponto, exatamente.  A voz dele suavizou perigosamente.  Eu te fiz, Alexandra Romanov. E agora vou te destruir.
Ele correu a ponta do bisturi pelo pescoo, ombros e seios dela. Troves e raios pipocavam em volta deles. Ele rasgou a camisola transparente de alto a baixo.
Brad dirigia como um louco do aeroporto at seu apartamento, ultrapassando o limite de velocidade permitido, desrespeitando os sinais vermelhos. Quando parou na frente da casa, viu que tudo estava escuro devido  tempestade. Ele pegou sua pistola 9mm e saiu do carro. Enquanto corria pela calada, o claro de um raio iluminou o lugar.
Como que atrado por uma estranha fora, Brad olhou para a torre no alto do casaro. O que viu fez seu corao quase parar.
No vou morrer, Diana se assegurou. No desta vez. No quando acabei de reencontrar o amor que foi cruelmente roubado de mim.
Da outra vez tinha sido arrogante o suficiente para acreditar que suas artimanhas femininas podia vencer a loucura dele. Infelizmente falhara. E tanto ela quanto Patrick pagaram um preo fatal por sua arrogncia feminina.
Mas agora ia lutar. No s por sua vida, mas pela vida que ela e Brad teriam juntos.
O rangido dos freios de um carro, seguido da batida da porta do veculo, distraiu a ateno de Walter Alan. Medo, fria, dio, tudo junto ecoou no seu grito quando ela jogou-se de repente contra ele com toda fora que possua. Ele caiu e o bisturi escapou de sua mo. Os dois moveram-se ao mesmo tempo para peg-lo.
Brad ouviu o grito. Ele no podia demorar! No outra vez. Subiu as escadas de dois em dois degraus, praguejando quando encontrou a porta fechada. No desespero, jogou seu corpo contra a madeira, que se partiu sob o impacto.
O homem que ele sabia ser Walter Stern estava em p no centro do cmodo, o bisturi em sua mo direita. Diana estava encostada na parede, os olhos arregalados, a respirao difcil. Quando ele viu a camisola rasgada, quis matar aquele homem.
 Acabou  ele falou.  Voc no vai conseguir. No desta vez.  Brad mostrou-lhe a pistola.  Solte o bisturi. Devagar.
A nica resposta do assassino foi praguejar. Ento, como um louco, ele atirou a lmina mortal na direo do corao de Brad.
O instinto e seu treinamento policial fizeram Brad desviar-se. Os vidros se quebraram com o impacto do bisturi. Depois um grito, seguido do barulho surdo de um corpo caindo na calada.
E depois s ficou o barulho suave da chuva enquanto a tempestade amainava.

EPLOGO

O dia do casamento comeou como um lindo sol. A essncia das flores inundava o ar.
No ptio do casaro, trs cordas separavam os espaos reservados para cada famlia. Os demais convidados ocupavam cadeiras revestidas de cetim branco. Todos os residentes da casa estavam presentes para o casamento triplo.
Natasha Kuryan, de volta da Grcia, estava sentada entre os pais de Diana e a me de Connor, que estava com a netinha Katie no colo.
Os trs noivos, muito elegantes, esperavam sob o arranjo de trelias.
Quando soou a marcha nupcial, todos se viraram para ver as noivas. Diferentes entre si, mas igualmente lindas, entraram juntas. Cait, Lily e Diana.
Cait num estonteante vestido branco de. renda. Seus olhos verdes brilhavam, seus passos eram seguros. O nico sinal de nervosismo aparente era um colorido no rosto.
Em seguida, Lily, igualmente elegante, num vestido tambm branco, mas com corte reto, que valorizava o corpo esguio. Todo mundo soltou um murmrio quando ela parou e deu um beijo nos cabelos loiros de sua filhinha.
Diana escolheu um vestido bem simples, muito diferente daquele que preparara para o seu quase casamento com Alan. Simples, mas muito elegante, como demonstrou o olhar de admirao de Brad.
Diana sorriu para o homem com quem j tinha dividido tanto. Juntos, limparam o nome de um homem inocente. Juntos, resolveram um crime ocorrido sessenta anos atrs. Michael Connelly, como todos os detetives, tinha guardado as anotaes de suas investigaes. A caderneta amarelada chegou pelo correio, sem nenhuma carta acompanhando, e serviu para Sloan terminar o roteiro. A acusao de que Walter tinha assassinado sua maior estrela atingiu Hollywood como uma bomba.
Quanto a Alan, a polcia registrou o caso como um trgico fim de um noivo trado. S Diana e Brad sabiam da verdade.
Enquanto trocava um olhar mais eloquente do que as palavras com o homem que amava, Diana sabia que tinham feito aqueles votos antes. Mesmo assim, sentiu que os estava fazendo pela primeira vez.
Para amar. Honrar. Dividir.
Para o melhor e para o pior. Na pobreza e na riqueza.
Renunciando todos os outros.
At que a morte nos separe.
Sem tirar os olhos dos dela, Brad colocou o anel de ouro no dedo anular da delicada mo esquerda. Ela, por sua vez, colocou o smbolo de uma promessa no dedo anular da mo esquerda dele. Depois de trocar as alianas, trocaram um sorriso.
Quando Brad inclinou a cabea, Diana soube que os votos estavam errados. Um amor to forte quanto o deles no poderia jamais sofrer uma mera limitao fsica como vida e morte. O amor era to imenso, que se tornou eterno. E como recompensa, receberam uma segunda chance.
Os lbios se tocaram, no primeiro beijo como marido e mulher.
E enquanto os msicos tocavam, sua me chorava e o resto dos convidados aplaudiam entusiasticamente o trio de recm-casados, Brad e Diana caminharam, de mos dadas, pelo corredor enfeitado de branco, em direo ao futuro.

FIM
